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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Outra ideia de alta cultura

MEMÓRIA

Museus situados em aglomerados urbanos da capital arquivam narrativas não encontradas em museus tradicionais

PUBLICADO EM 27/10/13 - 04h00
Um dos conceitos-chave da obra do pensador francês Michel Foucault é a noção de heterotopia, a construção de “um lugar de todos os tempos, fora do tempo”. Um espaço que encerre, em um só lugar, todas as épocas, formas e gostos possíveis, grandes arquivos, em uma totalidade “arqueológica”. Uma das ilustrações mais possíveis deste conceito, para o filósofo, é o museu. É bem possível que ele tinha em mente os históricos locais que guardavam as narrativas consagradas de nosso tempo.
E é bem possível também que ele se deliciaria com a ideia da construção de museus em favelas, onde estão histórias nem sempre vistas pela “alta cultura”. Numa inesperada inversão, falamos de uma “cultura do alto”, dos morros e aglomerados urbanos que, assim como tudo que pulsa vida, também deixa rastros, também produz memória. “A importância destas iniciativas passa por colocar em foco narrativas que não são hegemônicas na história”, destaca Cíntia Oliveira, coordenadora do programa Ponto de Memória do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus). A instituição tem como objetivo apoiar ações e iniciativas de reconhecimento e valorização da memória social. “O que fazemos é possibilitar recursos para que eles também possam compartilhar sua memória. Atualmente existem pontos de memória de diversas temáticas: afro-brasileiras, LGBTT, indígenas, ciganas. O museu é o instrumento de preservação por excelência e um espaço onde essa memória fica acessível”.

Mas a memória é apenas uma das amarrações lógicas por trás dos discursos a respeito de museus em favelas. A própria ideia de um museu “tradicional” é tensionada em falas como a de Wellington Pedro da Silva, do conselho responsável pelo Museu do Taquaril, na região leste da capital mineira. Desde o início, em 2009, a proposta do grupo era colocar a comunidade do Taquaril no protagonismo do projeto. “Um museu tradicional é tido como aquele que seu processo museal está voltado para dentro do próprio museu. Nesse sentido teremos os museus de história, de memória. São guardiões de um passado, de um modo de vida, em sua grande maioria com bens materiais”, afirma. A ideia de um museu em favela é diferente: é entender que os processos que envolvem a construção desse arquivo são também pensar em novas formas de se analisar a sociedade de modo geral.

Silva se filia a um movimento chamado Nova Museologia. “Há um pouco mais de 40 anos, museólogos se reuniram em Santiago, Chile, atendendo a uma convocação da Unesco para discutir a importância e o desenvolvimento do museu no mundo contemporâneo”, explica Silva. “Essa reunião previa a continuidade de muitos padrões da Nova Museologia na tentativa de promover a noção de um museu integral e integrado. O museu integrado é visto como um elemento integral e orgânico de uma estrutura social e cultural maior, como um elo de uma corrente e não mais como uma fortaleza ou ilha com acesso restrito”. Como sintetiza Oliveira, “o compromisso é com a construção social, e não mais com uma instituição fechada em si. A ideia é capturar os entornos também”.

Social. Estes entornos são pautados por questões que ultrapassam a fruição estética proporcionada pelo museu. Se Foucault falava em uma “imobilidade cristalizadora”, que nos deixasse longe do mundo “lá fora” quando adentrássemos um museu, o movimento nas favelas é de mobilidade. Museus como agentes de mudança e promotores do desenvolvimento, que se tornem “plataformas sólidas de gestão com vistas a ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas”, como argumenta Silva.

É difícil dissociar uma questão da outra. A gênese do Museu Muquifu, no Aglomerado Santa Lúcia, região sul de Belo Horizonte, vem de uma década atrás, no dia 10 de dezembro, quando uma bala disparada por alguém no local atingiu um policial militar. Como forma de repressão, os policiais ocuparam o local até o dia 24. Nesse período, assassinaram um morador local, que tinha o mesmo nome do suspeito de ter disparado o tiro no policial. “Um servente de pedreiro, (sem envolvimento com o tráfico) foi morto, próximo de onde hoje é o museu, na praça do Boi”, relata o Padre Mauro Luiz Silva, idealizador e curador do museu. “Essa situação de excessos da polícia gerou uma rearticulação da comunidade, com a intenção de fazer algo duradouro”. No ano seguinte nasceu a comissão Quilombo do Papagaio, que, anualmente, promove o evento Três Semanas de Paz e Cidadania, entre os dias 20 de novembro (Dia da Consciência Negra) e 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). Uma das edições tratou da questão da preservação da memória. “Já existia um vasto material produzido, escrito, fotográfico, e queríamos guardar isso em um lugar que não fosse nas gavetas. Decidimos criar um espaço, o Muquifo, onde essas coisas ficariam expostas”, lembra o pároco.

O inventário, portanto, é local e partilhável. Como aponta Oliveira, o acervo de um museu é algo próximo do que acontece com nossas famílias. “Mas nesse caso não é só para você, é para todos, para a comunidade. É a localização de repositórios de memória, do acervo que a comunidade vai decidindo”.

Visite
Museu do Taquaril
Rua Pedro de Cintra, 156. Taquaril A

Museu dos Quilombos e favelas Urbanos (Muquifu )
Beco Santa Inês, 30. Barragem Santa Lúcia

sábado, 27 de abril de 2013

Acessibilidade nos museus de SP se restringe à estrutura

Por Breno Pires e Danielle Villela | Estadão Conteúdo
Sete dos dez museus mantidos pelo governo de São Paulo mais visitados na capital não desenvolvem ações de acessibilidade além das adaptações na estrutura física. Apenas a Pinacoteca, o Museu do Futebol e o Museu da Casa Brasileira possuem um conjunto de materiais complementares para auxiliar pessoas com deficiências mentais, visuais, auditivas e físicas na compreensão das obras de arte exibidas. Além desses três, a reportagem visitou o Catavento Cultural, o Museu da Língua Portuguesa, o Museu de Arte Sacra, o Museu Afro Brasil, o Museu da Imagem e do Som, o Memorial da Resistência e a Casa das Rosas.
Deficientes auditivos, por exemplo, só encontram videoguia explicativo na Pinacoteca. É possível ter visitas guiadas por um educador habilitado na língua brasileira de sinais (LIBRAS) em sete dos dez museus, mas a recomendação é que o portador de deficiência auditiva faça o agendamento prévio da visita. O acompanhamento só não é oferecido no Catavento Cultural, na Casa das Rosas e no Museu da Casa Brasileira.
Piso tátil e audioguias para auxiliar pessoas com deficiência visual só são encontrados na Pinacoteca e no Museu do Futebol. Nesses dois espaços culturais e no Museu da Casa Brasileira são oferecidos também conteúdos em Braille.
De forma geral, o recurso mais utilizado pelos museus é a interação por meio do tato com obras originais, maquetes arquitetônicas, miniaturas e réplicas dos objetos em exposição. Esses materiais são utilizados em visitas guiadas com portadores de deficiências intelectuais, visuais e auditivas. Apenas três dos museus visitados não apresentam o recurso - a Casa das Rosas, o Museu da Língua Portuguesa e o Museu da Imagem e do Som.
No Museu Afro Brasil, por exemplo, os visitantes podem manipular esculturas e máscaras africanas, instrumentos musicais, maquetes tridimensionais com legendas em tinta e Braille, reproduções de obras de arte e jogos educativos. Já no Museu da Casa Brasileira, os portadores de deficiência visual recebem luvas plásticas para tocar nos móveis originais em exposição. "É fundamental desenvolver metodologias de acesso ao conteúdo em exposição e não apenas ao espaço", disse Thelma Lobel, coordenadora do Núcleo Educativo do MCB.
Apesar da carência de recursos para pessoas com necessidades especiais interagirem com as obras de arte, todos os museus visitados pela reportagem possuem rampas e elevadores de acesso, além de banheiros adaptados para cadeirantes. Algumas seções do Catavento Cultural só podem ser acessadas por meio de escadas. Na entrada da Casa das Rosas, há um lance de cinco degraus, sem rampa contígua. O Museu Afro Brasil não dispõe de elevador em suas instalações, mas é possível locomover-se apenas pelas rampas.
Melhorias
O secretário de Estado da Cultura, Marcelo Araújo, admite que muitos museus estaduais ainda não realizam ações que garantam um acesso amplo à pessoa com deficiência. "Muitas vitórias já foram conseguidas, mas tem uma imensidão de melhorias a serem feitas", disse Araújo quarta-feira, 24, durante o I Seminário sobre Cultura e Acessibilidade, na Oficina Oswald de Andrade, no Bom Retiro.
No evento foi anunciada a criação de um fundo de R$ 2 milhões a fim de viabilizar a implantação de recursos de acessibilidade em produtos culturais diversos, em um plano conjunto da Secretaria de Estado da Cultura e da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Apesar de não ter sido definida uma cota para os museus, o secretário afirmou que será criado um edital específico para projetos que desenvolvam estratégias que tornem os conteúdos dessas instituições mais acessíveis a pessoas com diferentes tipos de deficiência.
"Nossa expectativa é que os recursos possam atingir aqueles museus que ainda não desenvolvam as atividades e que ainda, infelizmente, não têm esses programas, para que eles possam tomar consciência da necessidade de implantação e criar esses processos de acessibilidade comunicacional plena", afirmou Araújo.
Fonte: Yahoo Notícias

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Exposição acessível a todos os públicos inicia sábado

Mostra "Cinco Sentidos" exibe maquetes táteis de Porto Alegre e esculturas de atletas

Mostra Cinco Sentidos exibe maquetes táteis de Porto Alegre e esculturas de atletas gaúchos<br /><b>Crédito: </b> Divulgação/CP
Mostra Cinco Sentidos exibe maquetes táteis de Porto Alegre e esculturas de atletas gaúchos 
Crédito: Divulgação/CP
Diferentemente de um museu ou de uma mostra de artes, onde as obras não podem ser tocadas, a exposição “Cinco Sentidos” tem como regra a interação. Especialmente para o público com necessidades especiais. Paisagens conhecidas de Porto Alegre estarão acessíveis, em tamanho reduzido, a partir deste sábado, quando inicia o evento promovido pelo Instituto Ame. Seis maquetes táteis e quatro painéis retratando atletas gaúchos estarão em exibição no Palácio da Justiça, no Centro da Capital. 

“A exposição é toda acessível, inclusive com audiodescrição, para um público que dificilmente tem essa oportunidade”, explica a diretora-presidente do Instituto Ame, entidade que visa promover a acessibilidade e o meio ambiente, Noara Tubino. “Em um museu ou em uma exposição, dificilmente você pode tocar (nas obras). Nossa exposição é o inverso, o público tem de interagir com tudo.”

A proposta da exposição é apresentar diferentes aspectos da formação da cidade de Porto Alegre. As maquetes a serem apresentadas mostram, entre outros pontos, o Cais do Porto e o relevo do Centro da Capital. Um dos enfoques é a apresentação da cidade como uma das subsedes da Copa do Mundo de 2014. Entre os atletas que fazem parte da mostra, exibida por meio da técnica de matrizes em relevo estão a ginasta Daiane dos Santos e o judoca João Derly. “A pessoa que tem a deficiência consegue tocar e sentir toda a fotografia através das dimensões do relevo”, explica Noara.

Essa é a segunda exposição totalmente acessível realizada pelo instituto. A primeira, em 2011, registrou mais de 30 mil visitantes. Após passar pelo Palácio da Justiça, as obras irão para a Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, no dia 6 de maio, e para o Tribunal de Justiça, no dia 14 de maio. Segundo a diretora-presidente do Instituto Ame, a exposição antecipa a criação do Memorial de Acessibilidade e Inclusão Social, cujo projeto já foi aprovado pelo Ministério da Cultura. A entidade estará localizada na zona Sul da Capital. O espaço, que ainda necessita de adaptações, deve ser concluído até o final do ano. “Nossa meta é transformá-lo em um local onde tudo possa ser tocado”, projeta Noara.


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Fonte: Danton Júnior/Correio do Povo

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Encontro discute acesso de pessoas com deficiência à cultura

Vinícius Lisboa - Agência Brasil16.04.2013 - 19h03 | Atualizado em 16.04.2013 - 19h10

O 1º Encontro Nacional de Acessibilidade Cultural começou hoje (16) na Fundação Biblioteca Nacional (Galeria de Lindomar Cruz / Creative Commons)
Rio de Janeiro- O 1º Encontro Nacional de Acessibilidade Cultural começou hoje (16) na Fundação Biblioteca Nacional. O evento vai discutir alternativas para aumentar a participação de pessoas com deficiência física em eventos culturais. O encontro integra o 3º Seminário Nacional de Acessibilidade em Ambientes Culturais, iniciado há três anos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e abre o curso de especialização em acessibilidade cultural da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o primeiro do tipo no país.
Coordenadora do curso e organizadora do evento, a professora Patrícia Dorneles disse que o encontro é uma forma de sensibilizar, capacitar e mobilizar a plateia, formada principalmente pelos 60 alunos do curso da UFRJ, que recebeu inscrições de professores de outras universidades, gestores públicos e integrantes de organizações da sociedade civil. "Se a sociedade necessita dessa qualificação, a universidade pública tem a missão de oferecer essa capacitação para a politica pública estar mais qualificada no sentido do acesso", disse.
A abrangência da acessibilidade cultural, de acordo com Patrícia, está entre as questões que serão abordadas no evento. "As pessoas ficam com a ideia de que você coloca uma rampa e um banheiro acessível, e isso é acessibilidade cultural. Na verdade, não para aí. Passa pela necessidade, por exemplo, de uma pessoa cega poder admirar uma obra de arte, uma peça de teatro ou um espetáculo de dança e participar de todo o conhecimento das linguagens artísticas, cultural e estética, e usufruir de todas as manifestações da cultura brasileira e outros intercâmbios", ressaltou.
Para a professora, o curso é uma forma de preparar as próprias universidades, que ainda contam com poucas iniciativas nessa área. "A questão é recente e as universidades ainda não estão preparadas para incluir essa temática na sua formação acadêmica. Por isso, o edital convocava professores universitários para estarem conosco, para que isso se torne um conteúdo de formação universitária".
A secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg, participou da abertura do encontro e defendeu o engajamento da iniciativa privada na acessibilidade cultural. "É fundamental a participação da iniciativa privada. A gente vai buscar ter uma influência maior nos investimentos da Lei Rouanet, na forma como esses critérios são cumpridos, para que a gente possa garantir que o padrão de acessibilidade comunicacional seja garantido nesses repasses", disse.
Para Márcia Rollemberg, a acessibilidade cultural avançou bastante no que se refere ao ambiente, mas precisa trabalhar na área de conteúdos. "Os novos ambientes culturais já nascem com a prerrogativa da acessibilidade física. Hoje, a pauta tem que ser a acessibilidade comunicacional, o acesso a conteúdos, aos bens e serviços culturais, aos espetáculos, ao cinema”, ressaltou.
Edição: Aécio Amad
  • Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0
  • Fonte: EBC

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

SCDC e UFRJ realizam Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural em 2013


O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro realizam, em 2013, por meio de Acordo de Cooperação, o Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural. O Curso tem como fundamento a busca de soluções necessárias para uma cultura democrática e inclusiva e a formação de agentes multiplicadores, tendo como base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, adotada pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
O curso tem como objetivo geral formar especialistas em acessibilidade cultural para atuar no campo das políticas culturais, orientando e implementando conteúdos, ferramentas e tecnologias de acessibilidade que proporcionem fruição estética, artística e cultural para todas as condições humanas a partir do enfoque da eficiência. A Especialização em Acessibilidade Cultural, que terá 42 vagas, pretende ainda oferecer ao aluno capacitação em acessibilidade cultural a partir de uma grade de conteúdos que proporcione conhecimento desde a gestão em políticas culturais, bem como conhecimento sobre as deficiências, legislação e tecnologias de fruição para a acessibilidade cultural de pessoas com deficiência.
O curso terá carga horária total de 360 horas e as aulas serão oferecidas em 9 blocos de 40 horas semanais, uma semana por mês, durante 9 meses. Tal modelo se deve ao fato do curso ser oferecido para diferentes regiões e estados do país. Desta forma, ao concentrar as aulas durante uma semana em cada mês, buscou-se viabilizar a presença dos candidatos de fora do município do Rio de Janeiro.
Das 42 vagas para o curso, 27 delas serão destinadas a gestores públicos concursados de instituições culturais públicas de todo o território nacional, contemplando cada um dos estados da Federação. Outras 05 vagas serão ocupadas por representantes de Pontões de Cultura, de cada uma das regiões da Federação, devidamente conveniados junto à Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural ou às Secretarias Estaduais ou Municipais de Cultura, conveniados no Programa Mais Cultura. O curso destinará ainda 05 vagas, também distribuídas por cada região, para representantes de instituições da sociedade civil, que atuam no campo da deficiência e da cultura. Outras 05 vagas serão oferecidas para docentes de Cursos de Terapia Ocupacional ou áreas afins de Universidades Públicas.

Inscrição
Os interessados em fazer o Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural poderão fazer a inscrição, online, no endereço www.medicina.ufrj.br/acessibilidadecultural. O período é de 21 de janeiro a 1º de março de 2013. A Comissão de Seleção, composta por 05 representantes do Curso de Especialização e 05 representantes do Ministério da Cultura, se reunirá nos dias 11 a 13 de março para o julgamento das candidaturas. Os selecionados serão divulgados no dia 15 de março e, do dia 18 a 19 de março, os interessados podem entrar com recurso por meio do e-mail acessibilidadecultural@medicina.ufrj.br. O resultado final será divulgado dia 22 de março de 2013 e o período das matrículas será de 11 a 15 de abril.
Confira abaixo o Edital do Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural.
Edital em Word (.doc)
Edital em Acrobat Reader (.pdf)
(Redação: Heli Espíndola, Comunicação/SCDC)
Fonte: CULTURA

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Mostra de arte expõe trabalhos de deficientes



Dança, pintura “ao vivo” de um quadro, teatro e muitas apresentações artísticas estão  na programação da  18ª Mostra de Arte Sem Barreiras, que será aberta hoje às 15h, no Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva” e segue até o dia 28 de outubro.

Participam da temporada de arte e espetáculos as APAE’s de Bauru, Pederneiras, Jaú e Birigui, a Apiece, Lar Santa Luzia para Cegos e a Sorri Bauru.

O “Arte sem Barreiras” surgiu, originalmente, com o nome “Very Special Arts”, na cidade de Washington em 1974, com o objetivo de incentivar a capacidade artística e criativa de pessoas com deficiência. Em 1984, com apoio da Unesco, foi realizada a 1ª Conferência Internacional com os núcleos já existentes em várias partes do mundo e em 1988,  o programa chegou ao Brasil sob o título de Very Special Arts do Brasil. 

Na época, o contexto nacional era de rejeição, incompreensão e ausência de sensibilidade e de políticas públicas para as questões que envolviam as pessoas com deficiência.
Hoje existem núcleos do Programa Arte sem Barreiras nas capitais e em algumas cidades do interior, a exemplo da cidade de Bauru, que realiza a Mostra, ininterruptamente, desde 1995, por meio da Secretaria de Cultura. 

O psicoterapeuta Dorival Vieira é o coordenador do Núcleo Bauru do Programa de Arte Sem Barreiras – Very Special Arts do Brasil.
A Mostra de Arte Sem Barreiras é sempre realizada em Bauru no mês de outubro, conforme determina o decreto municipal que incluiu o evento no calendário oficial do município há mais de 10 anos.

A Mostra tem por objetivo valorizar a produção artística e promover a inclusão por meio da arte das pessoas com deficiência, incentivando a discussão e a formulação de políticas públicas que respeitem a diversidade e promovam a inclusão sócio-econômica desse público.

Diante das exigências de uma sociedade que ainda permite preconceitos, discrimina ções e barreiras entre seres, povos e culturas, ou qualquer outra forma de exclusão social, a Mostra de Arte sem Barreiras propõe um redimensionamento da arte, que visa oferecer oportunidades para as pessoas com deficiência, de acordo com suas possibilidades e talentos desenvolvidos nas diferentes linguagens artísticas.
Acesso em 16/10/12

domingo, 14 de outubro de 2012

Museu recebe projeto de acessibilidade

O Museu Histórico Pedagógico Índia Vanuíre, instituição da Secretaria de Estado da Cultura administrada em parceria com a Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari (ACAM Portinari), tem o prazer de apresentar o seu novo Programa de Acessibilidade, implantado na exposição de longa duração “Tupã Plural”. O objetivo dos materiais é ampliar a participação e compreensão dos conteúdos, principalmente para os públicos com deficiências, sejam elas visuais, auditivas, físicas e intelectuais.

Elaborado pela museóloga e doutora pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), Amanda Pinto da Fonseca Tojal, a ação inclui - em pontos estratégicos dos núcleos expositivos do museu – objetos multissensoriais, como maquetes, reproduções em relevo e réplicas de objetos etnológicos que poderão ser apreciados não somente de forma visual, mas também por meio da sensibilidade do toque e de outros sentidos. O investimento para a consolidação do programa, feito pelo Governo do Estado de São Paulo, foi no valor de R$ 210 mil reais.

Complementa o projeto a adaptação dos vídeos apresentados na exposição, incluindo audiodescrição para pessoas com deficiência visual, além de legendas em português e apresentações em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para pessoas surdas ou com deficiência auditiva. Dessa forma, a ação compreenderá o atendimento do público com deficiência, que poderá agendar visitas mediadas por educadores capacitados.

Além dos materiais de acessibilidade para a exposição “Tupã Plural”, o museu está fisicamente apto para receber o público deficiente. Possui corrimãos, rampas, banheiros adaptados e piso tátil, além de uma programação específica para o público com deficiência, desenvolvida em parceria com a Clínica Dom Bosco, o projeto “Museu e Cidadania”.

A implantação do Programa de Acessibilidade é mais uma importante contribuição para a socialização dos espaços culturais e museológicos e pode ser considerada uma referência em museus do Estado de São Paulo.

CO
Acesso em 14/10/12

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

SED e Uniderp promovem oficina de fotografia para cegos

Por meio de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Educação (SED) e o curso de Tecnologia em Produção Multimídia da Universidade Anhanguera-Uniderp, estudantes cegos do Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual (CAP/DV) participaram no final de semana, no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, da oficina “A fotografia e seus sentidos”, que trabalhou a inclusão, a curiosidade, a criatividade e a autoestima.

A oficina, ousada e inédita na Capital, foi realizada pela fotógrafa e professora universitária Vânia Juca, o coordenador do curso de Tecnologia em Produção Multimídia, Fabio Baptista e os acadêmicos Paulo Alves Ribeiro, João Felipe Abrahan e José Paulo dos Santos, com a proposta de ensinar técnicas de produção de fotografia para os cegos como retrato, autorretrato e texturas.

O grupo do CAP/DV, formado por Antônio Paulo H. Pereira Santa’Ana, Denilson Norato dos Santos, Sueli Silva, Cláudio Ramos Cordeiro e Leandro Aparecido de Oliveira Souza, recebeu noções de distância para a captação de imagens, recorte e composição, além de discussões sobre a arte, o poético, o erro e o acaso, capacitando os participantes para operar uma máquina fotográfica simples e registrar imagens a partir do tato, da audição e do olfato.


“As imagens se constroem de dentro para fora e vice-versa, a partir de todos os sentidos, não só da visão: imagens podem ser produzidas com o tato, o olfato e o paladar e ainda somos cercados pelo rádio e pelas narrativas orais, as chamadas imagens sonoras”, explica o coordenador Fabio Baptista, aque completa: “Conseguimos atingir o resultado esperado, despertamos e estimulamos os participantes a produzir imagens utilizando outros sentidos, sem ser o da visão”.

O próximo passo para os realizadores da oficina é promover para mais deficientes visuais e cegos uma oficina para a produção de imagens em movimento, que posteriormente serão transformadas em documentário.
Acesso: 10/10/12

sábado, 6 de outubro de 2012

Museu de Petrópolis, RJ, é adaptado para deficientes

Casa de Santos Dumont se adaptou para ter acessibilidade.
Tecnologia é grande aliada dos portadores de necessidades especiais.


Museus de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, estão investindo em sistemas e projetos para facilitar o acesso de deficientes físicos, visuais e auditivos. A tecnologia ajuda, mas ainda existem obstáculos no caminho desses visitantes especiais.
O Museu Casa de Santos Dumont passou por adaptações e se tornou um exemplo de acessibilidade. O cadeirante pode entrar por uma rampa nos fundos da casa e por elevador. O banheiro é adaptado, mas as pontes construídas por Santos Dumont são estreitas demais para a passagem de uma cadeira de rodas. Isso foi resolvido com a construção de um tótem. Assim, o cadeirante pode fazer uma visita virtual pelo lugar.
Para quem tem problemas auditivos, foi disponibilizado um vídeo com uma versão em libras. E, para os deficientes visuais existe uma maquete tátil. Desta forma, eles podem conhecer a casa tanto por fora quanto por dentro. As placas também são escritas em braile para que o deficiente visual possa se guiar pela casa.
Mas nem todos os pontos turísticos estão adaptados. Um exemplo é a Casa do Colono, museu que conta a história da colonização alemã na cidade. Logo na entrada, um degrau de 20cm é um grande obstáculo à entrada de pessoas que utilizam cadeira de rodas, praticamente impossibilitando a visitação
Segundo a assessoria de comunicação da Fundação de Cultura e Turismo de Petrópolis, a falha foi detectada e o problema será resolvido.
Acesso em 06/10/12.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

UM MUSEU PARA VER, OUVIR E SENTIR NA PONTA DOS DEDOS

Por: » BENEDITO RAMOS – escritor e membro da AAL.
Talvez tenha sido a baixa visão que me acompanha nos últimos seis anos, a razão de me empenhar tanto para promover a acessibilidade no Museu de Tecnologia do Século 20. O projeto ganhou a credibilidade do Ministério da Cultura, por meio do Instituto Brasileiro de Museus, e foi aprovado. A gestão não foi tão fácil. Promover a acessibilidade em nossa cidade exige determinação. Os fornecedores, simplesmente, não existem no comércio regional. O assunto é um bicho de sete cabeças. Foi a internet a grande salvadora do empreendimento. Tomando, é claro, todas as precauções, conseguimos comprar cada item do plano de trabalho. 

O museu será reinaugurado durante a comemoração nacional da Primavera dos Museus e, também mês de aniversário dos 146 anos da Associação Comercial de Maceió, com dois primeiros visitantes: o presidente e o vice da Associação de Cegos de Alagoas, que desde o início estiveram presentes na empreitada, com detalhes que só eles sabiam. Esta não foi apenas uma parceria, mas uma amizade com a entidade, onde o setor cultural da Associação Comercial pretende, em futuro bem próximo, ampliar as relações de acessibilidade. 

Com o acervo contextualizado em braille e seu circuito em piso podo tátil, o museu recebe o visitante em cada sala com descrição também em braille. Para aqueles que não conhecem a linguagem tátil, quatro computadores estarão disponíveis, um deles com sintetizador de voz. 
 
Vencer as barreiras da deficiência visual é um esforço que precisa ser compartilhado com a sociedade de modo geral. Não é segurando o braço ou conduzindo o indivíduo que se resolve o problema, mas com a infraestrutura necessária a permitir a acessibilidade com independência. Isto é inserção social. O deficiente visual precisa ser encorajado a andar por calçadas acessíveis, atravessar ruas com sinais sonoros e ir e vir sem dificuldade. Estas ações precisam ser menos políticas e mais pragmáticas. 

É preciso criar condições de igualdade, convivência e independência para o deficiente visual, permitindo sua ascensão intelectual, profissional e de lazer, promovendo a sua ampla participação na sociedade. E isto só ocorre quando lhe é permitido andar livremente, ir a uma escola, usar um computador, aprender braille e ter disponível uma biblioteca próximo. Quantos neste país são privados destes direitos?Ainda hoje não temos estatísticas das causas da cegueira no Brasil. Algo para se pensar. 
Acesso em 14/09/12