Este é o Blog em memória do IPMS. Aqui você encontra artigos, definições e conceitos relacionados à Memória Social, e ainda notícias do Brasil e do mundo sobre arte, cultura, museus, exposições, memoriais, fotografia e muito mais, além do relato de nossas atividades em Porto Alegre.
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terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Boas Festas!
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Notas do IPMS
Já atingimos mais de 12 MIL visualizações!
Obrigado a todos que contribuiram para alcançarmos essa visibilidade!
No buscador GOOGLE somos líderes dos vocábulos MEMÓRIA SOCIAL, já há bastante tempo, só disputando com a UNIRIO, que, convenhamos é um pouco maior que a gente, uma UNIVERSIDADE ESTATAL, com mestrado, doutorado em memória...
O ano de 2014 será ótimo para nós, coisa boas estarão acontecendo. Finalmente, com as bençãos de Santo Antônio, no dia 13 de junho, completaremos 2 anos de existência. Estaremos habilitados a concorrer a projetos governamentais e encaminharemos nosso registro de entidade reconhecida como de Utilidade Pública.
Concluímos o projeto MEMÓRIAS DO SÃO JOSÉ - O ZEQUINHA, com a perspectiva de lançar o livro em março de 2014. Estamos projetando publicações, ganhando espaço no meio acadêmico e empresarial com grandes perspectivas de crescimento.
Boa Semana a todos,
Hirã S Justo
Presidente do IPMS
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Notas do IPMS
O IPMS prestigiou ontem o evento realizado por iniciativa do Instituto Latino Americano de Estudos Avançados. Destaque para a palestra do Dr. Iván Izquierdo, do Instituto do Cérebro da PUC, intitulada "Muitas Formas de Aprendizado, Muitas Formas de Memória". Neurocientista de destaque, Dr. Ivã falou sobre memória individual e os processos bioquímicos envolvidos na consolidação das aquisições menomônicas. Já a parte dedicada à memória social, foi reservada ao Dr. Cesar Barreiro da Universidade Federal do Ceará.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Notas do IPMS
O Theatro São Pedro e o Teatro Solís na Memória da Cidade. Este é o título do livro que será lançado em 2014 e que pretende divulgar ambos os teatros. Além disso, representará valioso
material de apoio, auxiliando na formação de professores do ensino médio na
área de ciências sociais, artes, teatro, produção cênica, em especial, daqueles
que estão nos cursos universitários dessas áreas no RS e em Montevidéu, pois o livro será publicado em português e espanhol.
Os organizadores são Regina DAmbrosi e o Dr. Mauro Meirelles, do Unilasalle. Maristela Bleggi Tomasini, membro do IPMS, participa do projeto.
Os organizadores são Regina DAmbrosi e o Dr. Mauro Meirelles, do Unilasalle. Maristela Bleggi Tomasini, membro do IPMS, participa do projeto.
| Da esquerda para a direita, Adriana Donato, Vice-Presidente do Conselho Estadual de Cultura, Maristela Bleggi Tomasini, Dona Eva Sopher e Regina DAmbrosi. |
sábado, 5 de outubro de 2013
A propósito...
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
Sempre é bom lembrar de nossa Constituição.
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais;
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
IPMS
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Visite nosso site!
O site do Instituto de Pesquisa em Memória Social recebeu um novo design.
Não deixem de conhecer as novidades!
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Memória, Morte e Imortalidade
Lembrar é uma necessidade. Queremos ser lembrados, e a lembrança é, em si mesma, uma espécie de imortalidade. Nessa ânsia de não sermos esquecidos, importa referir a presença da memória e da identidade, uma ligada à outra, mas nem por isso tornadas fixas como conceitos. Nossas lembranças estão sempre em construção e em relação complexa com o meio, com os outros e conosco mesmo, na mais profunda subjetividade de cada um de nós. Somos um eu intuitivo que interage com os outros, construindo referências que devem ser fixadas, sem que se prescinda da escolha do que deve ser lembrado e do que deve ser esquecido, num trabalho seletivo e discricionário constante.
Nossa memória, da mesma forma que nossa identidade, ainda que dinâmica ― posto que em permanente construção ― insere-se em um contexto de vida real, de trocas sociais, onde há lugar para acontecimentos que a sociedade ritualiza. O nascimento, os aniversários, os casamentos, as passagens e as transformações que a vida impõe reclamam ser moldadas como recordações e, para tanto, muito se constrói, tanto individual quanto coletivamente, ao compartilhar esses diversos estágios da existência.
A vida, contudo, termina, e a morte é, em todas as culturas, algo marcante que integra a própria existência que tem fim, num ciclo que já inspirou a criação das mais variadas formas de expressão. Objeto de simbolização e associação com animais e plantas, como o galo e o cipreste, a morte origina ritos. Ao perder-se o que é amado, alucinamos o objeto deste amor, representando-o (re-presentar, apresentar outra vez) perante nossa consciêcia. Por causa dela, morte, lugares de memória são criados, lugares que surgem de um sentimento que reclama organização, desafiando a invenção de modos de registros, de arquivos, de símbolos com os quais interagimos constantemente.
Cemitérios são lugares de memória, tanto de mortos quanto de vivos que ali prestam homenagem aos que se ausentaram definitivamente de suas vidas. São espaços, todavia, que muito nos contam das cidades onde são construídos, dando testemunho de hábitos, de costumes, de fé, de um passado habitado pelos mortos. Cada um é único à sua maneira, sem que, todavia, possamos deixar de neles encontrar determinados símbolos que se repetem com insistência, tais como a figura dos anjos da solidão, da cruz das almas, da palavra saudade, reiteradamente escrita nos sepulcros, dos ciprestes, etc. Existe toda uma arte funerária voltada para essa peculiar simbologia, onde a morte é ritualizada, e a dor é retratada como desolação, não sem que se dê margem à presença da esperança e da fé, o consolo religioso de uma outra vida e da redenção.
E, por mais que isso represente saudade, inegavelmente existe uma beleza que se cria a partir dessa ausência doída que, quanto mais aguda, mais parece ser inspiradora.
Maristela Bleggi Tomasini
sábado, 14 de setembro de 2013
Reunião do IPMS
Lili, Maristela, Hirã e Aninha hoje à tarde, em reunião, agendando compromissos e planos para o Instituto de Pesquisa em Memória Social. Em destaque: novas metodologias, incremento de nossos acervos, abertura de novas frentes de trabalho.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Noite de Natal
- Pô! É Natal!!! Como ela pode fazer
isso comigo???????? José, com um olhar no infinito, uma dor transparente na
alma, pega uma garrafa de cachaça e bebe direto no gargalo ....a garganta arde
.... escorre uma lágrima.
- Trabalhei o dia todo, faz três dias que
trabalho direto, com essa roupa quente, nesse calor infernal!!!!! Que merda!!!!!!
Beijando criancinha!......tudo pra quê??????? Por ela.... pelas crianças...... Pelo
nosso Natal....
.... eu sou um burro mesmo!!!!!! Tenho
que me ferrar! ... sempre tive uma vida boa... Amigos, bar, mil namoradas......
nunca precisei me esforçar tanto pra ganhar alguma grana......!!!!!!
Ela era a mulher da minha vida.....
logo no início era perfeita, linda,
gostosa, fazia tudo o que eu pedia..... Saia comigo..... até bebia uma
cervejinha no bar, bem feliz da vida!!!!!
Se não fosse aquele pai e aquela mãe
dela ia dar tudo certo, mas aquela velha vive metendo o bedelho, me chamando de
vagabundo....O que eu posso fazer! Nunca tive sorte nos empregos. Era só
começar a trabalhar e aparecia alguém pra implicar comigo. Minha mãe é que
tinha razão, ela dizia que era inveja, que eu sempre fui perseguido por isso.
Mas ela!!! O que ela fez comigo hoje
foi a gota d’água. Nunca mais!!!!!! O que é isso???? Em plena noite de Natal eu
aqui sozinho!!! Depois de trabalhar feito um cão!!!!! Ainda arranjei tempo pra
comprar presentinhos para os meninos. Comprei até um batom pra ela! Que
ingrata!!!!!!
Não foi capaz de deixar um bilhete!!!
Deve estar lá na casa da mamãe!!! Um longo suspiro, outro gole de cachaça, mais
uma fungada....
Maria... não acredito que ela fez isso
comigo!!!! Poxa vida levou as crianças, tudo...., não deixou nem uma jantinha
pra mim!!!!! Vadia!!!!!
Meu filhos pô!!!! Ela sabe que eu
adoro as crianças!!! Se eu pudesse dava tudo pra eles!!! Ela não notou que eu
estava me esforçando nesse Natal?!?!?!?!? Quis fazer uma surpresa e trabalhei
três dias no shopping, como Papai Noel, sem contar para ela. Achei que ia ficar
feliz!!!!!!!
Sinto falta dela e das crianças!!!!!!!
Lágrimas – outro gole, baixa a cabeça e a coloca entre as pernas.
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Sinto falta dele!!!!!!!! Nem acredito
que tive coragem de largar tudo e vir pra cá. Dessa vez fui obrigada a ouvir os
conselhos de minha mãe. Não dava mais mesmo!!!!!!! Suspiro, um olhar perdido no nada.
Que bela Noite de Natal!!!!! Pelo
menos as crianças estão felizes.... Minha mãe fez uma jantinha especial.... Eu
não tinha nada pra preparar em casa..... Íamos passar mais uma noite como as
outras..... as crianças indo pra cama cedo e eu sozinha, olhando para a porta,
esperando ele entrar, bêbado pra variar.....
Sempre a bebida, os amigos, as amigas,
tudo em primeiro lugar..... Eu a chata, a incompreensível.... A louca! Assim
que ele me chama para os amigos....... – se a louca chegar, diz que não tô
aqui.... se a louca ligar, diz que já fui e esqueci o celular...... Ele pensa que eu não sei!!!!!!
No início José era tão apaixonado, me
dizia coisas lindas, me chamava de lindona, de coração! Ele tinha um abraço tão
gostoso! Hoje mal me olha, virei “a louca” porque reclamo desse desamor. Suspiro....
Quantas vezes tive de buscá-lo no bar,
até na calçada porque ele não conseguia subir as escadas lá de casa! Alugamos
aquela casinha com a ajuda de meu pai e de minha mãe. Eles é que pagam o
aluguel pra mim, me ajudam com o rancho para os meninos, colégio.
Ultimamente nem sexo tem rolado, sinto
falta dele, do abraço..... mas não tem mais nada pra fazer... acabou... chega!!!!!!.
Ele sempre diz: tu é a número um, as outras são as outras, não significam nada
pra mim.... Isso não resolve, não apaga a dor que eu sinto a cada traição...
Porque a falta dele me aperta o peito?
Não consigo nem chorar de tanta mágoa! Hoje é Natal e nem sei onde ele está,
onde se meteu nos últimos dias!
Ela
baixa cabeça, coloca as mãos entre as pernas e fica pensativa.
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Ainda vestido de Papai Noel, sentado
na mesa de um bar com um copo de cachaça na mão, José fala sozinho: Se ela quer
assim, assim será, vou encher a cara! ..... Ela que se dane! ....... Vou pegar
a primeira desgarrada que aparecer por aqui....... Não tô nem ai!!!!! Se ela
pensa que vou sofrer, está muito enganada..... vou mais é festejar!
Ele
da uma risada alta, forçada, falsa, seguida de um suspiro profundo. Outro gole,
ele levanta, vai até o banheiro, tira máscara, olha-se no espelho e deixa outra
lágrima escorrer, não segurando mais a emoção, chora compulsivamente –
enquanto, do bar, ouve-se a música Noite Feliz, cantada pelos companheiros de
bar.
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Maria
olha mais uma vez, numa vaga esperança de que aquele vulto, tão conhecido,
apontasse no início da rua – entra em casa procurando disfarçar os olhos
vermelhos – da um sorriso triste e senta-se à mesa ao lado dos meninos – todos
cantam Noite Feliz.
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Ainda no banheiro do bar, José lava o
rosto e fica olhando aquela imagem, olhos vermelhos, cabelo despenteado. Coloca
o gorro e a máscara e sai apressadamente do bar.
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Maria está inquieta, o jantar acabou e
as crianças estão abrindo os pacotes de presente. O sino da igreja toca meia-noite.
Alguém bate na porta...... todos olham. Um dos meninos corre para abrir e
grita: é o Papai Noel!!!!!!!
José tira a máscara e diz: Feliz Natal! Larga o saco de Papai Noel no chão e abraça Maria!
Vice-Presidente do IPMF
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Chácara das Rosas
APRESENTAÇÃO
Não posso dizer que sou um fotografo profissional.
O profissionalismo talvez representasse um objetivo alcançado, definitivamente.
Ao contrário, meu trabalho se dá numa busca contínua de possibilidades, de
maneira que me vejo apenas como alguém que congela momentos, imobiliza
instantes. Estes momentos, contudo,
revelam realidades esquecidas dentro da correria que é o dia-dia da modernidade
em que estamos vivendo. O presente vídeo pretende mostrar realidades
esquecidas, talvez mesmo tornadas invisíveis. Pretende mostrar, em imagens,
conceitos teóricos tais como o contraste entre o novo e o antigo, entre o
bonito e feio, a pobreza, a miséria, o abandono de uma área urbana da cidade de
Canoas. Esta área foi, por muitos anos, esquecida pelo poder público municipal,
que só recentemente vem construindo moradias decentes para seus moradores. As
fotos foram realizadas perto do Centro de Canoas, no local conhecido como
Chácara das Rosas, que abriga descendentes de Manoel Barbosa dos Santos,
ex-escravo (AVANCINI, AQUIAR, 2009:151), situado junto a um dos bairros mais
nobres da cidade. Foram feitas 676 fotos entre os dias 04/10/08 e 04/04/09. Dentre
estas, foram selecionadas 32 para este trabalho. Este vídeo não pretende
resgatar a história da comunidade. Seu objetivo é apresentar, através de
fotografias, as dificuldades econômicas, sociais e culturais com que essas
pessoas convivem.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
HISTÓRIA COMO FERRAMENTA DE LIDERANÇA
Hirã Soares Justo
A Harvard Business Review na sua edição de
dezembro de 2012 apresentou um artigo de autoria dos Drs. John T. Seaman Jr.(Columbia University) e George David
Smith (Harvard) com o título “História
da empresa é ferramenta de liderança”.
O tema
se reveste de importância porque é uma revista, conceituada internacionalmente
no campo da ciência da Administração, que questiona o argumento que alguns
empresários ainda usam,que o passado está morto e o que importa é o futuro.
Lembram os autores que a história de uma instituição é de vital importância na
construção da identidade organizacional e serve de base para definir estratégias
e a visão de futuro das empresas.
Resgata
alguns exemplos como de marcas internacionais como a fusão da Kraft e da
Cadbury que se viabilizou com a busca de valores em comum na história das
organizações e na base do pensamento de seus fundadores. A própria IBM, a beira
do precipício de 1993, diante de um prejuízo de bilhões ao ano, ao assumir o
novo dirigente, Louis V. Gerstner Jr, esse declara: “Estão todos querendo saber
quando irei apresentar uma visão a IBM, mas a última coisa que a IBM precisa
agora é de uma visão.” Se voltando o executivo, para superar a crise, para os alicerces da organização:
sua história e cultura interna.
Recomendam
os autores, sete dicas para fazer da história a aliada dos gestores na busca da
vantagem competitiva:
1.
Utilizar os arquivos das empresas. Se não existirem, cria-los com documentos, imagens, objetos etc.
2.
Enriqueça seus arquivos com entrevistas de
executivos e colaboradores que deixam a organização, sobretudo os mais antigos.
3.
Faça um levantamento do que é conhecido e
entendido sobre a história e os valores da empresa.
4.
Facilite o acesso a história com os modernos
recursos de mídia moderna.
5.
Promova avaliações a posteriori sobre grandes projetos e iniciativas – bem sucedidas
ou não. Precisamos aprender com os erros.
6.
Busque sempre a perspectiva histórica antes de
tomar uma decisão importante.
7.
Aproveite cada oportunidade para falar sobre a
história, lideranças, inovações que tiveram impacto decisivos para a organização que se tem hoje.
O
Instituto de Pesquisa em Memória Social tem condições técnicas de auxiliar os
executivos na realização dessas tarefas e facilitar o trabalho de documentação,
construção de acervos e divulgação institucional. Contate-nos: memoria.ipms@gmail.com.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Existe cultura individual
No senso comum, pensamos em
cultura, geralmente, no formato de produtos culturais, tais como livros,
filmes, peça de teatro, telas de pinturas, musica etc. Porém tudo que o homem
realiza, através da racionalidade humana, em um sentido amplo, também é
cultura.
É necessário distinguir,
portanto, os artefatos culturais do processo mental que os engendra. Todo o
sistema de crenças, leis, religião, esportes, mitos, linguagem, valores morais
e éticos, ciência, tecnologia, costumes é Cultura.
O homem se distingue dos
outros seres da natureza pela capacidade de produzir cultura, pois o ser humano
realiza a sua humanidade na interação com outros homens, de forma coletiva,
produzindo cultura.
Neste sentido, não existe
cultura isolada, muito menos produtos concebidos por um único indivíduo. Mesmo
o último sobrevivente de uma civilização ainda vai ser o representante desta
cultura, não pelo que é, mas pelo que foi formado no processo civilizatório de
inúmeras gerações. A própria linguagem é
herdada de seus antecessores.
O imaginário, a memória
coletiva, as normas, os valores, a forma como o homem concebe a si e reconhece
o outro é fruto da cultura que está imerso.
E a arte, as ditas obras
autorais, é possível de serem aceitas como produto de um artista? O instrumento
do músico foi pensado por ele? Não é a
música escrita em uma partitura que é uma convenção gráfica coletiva? Os sons
que ouviu ao longo de sua existência não tem relação com o fruto de sua criação
ou mesmo serviram de quadro estético que transitou? Só para citar alguns exemplos.
Claro que não podemos
ignorar o papel da contribuição do indivíduo, mas este é um tijolo na construção coletiva da
humanidade, sem esquecer que ele só existe por que é parte indissolúvel dessa
construção.
(1) Presidente do Instituto de Pesquisa em Memória Social,
Mestrando em Memória Social e Bens Culturais.
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