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sábado, 8 de dezembro de 2012

Exposição destaca obras do artista plástico Oscar Niemeyer

Paulo Virgilio -07.12.2012 - 17h17 | Atualizado em 07.12.2012 - 18h23
Desenho “O espaço da convivência”, de Oscar Niemeyer (http://www.vitruvius.com.br)
Rio de Janeiro – A galerista Anna Maria Niemeyer, que morreu em junho do ano passado, aos 82 anos, teve como um dos principais projetos na vida consolidar o pai, o arquiteto Oscar Niemeyer, também como artista plástico. Ao longo dos 35 anos de existência de sua galeria de arte, no bairro da Gávea, zona sul do Rio, editou séries de serigrafias e expôs esculturas e desenhos não arquitetônicos do pai. Também desenvolveu e mostrou na galeria as peças de mobiliário desenhadas por Niemeyer, algumas delas em conjunto com ela, já que Anna Maria, antes de se tornar marchand, era arquiteta e designer de interiores.
Vinte trabalhos do artista plástico que Oscar Niemeyer, entre esculturas, desenhos, serigrafias e peças de mobiliário, ocupam duas salas da exposição Anna Maria Niemeyer, Um Caminho, que o Paço Imperial inaugura na próxima terça-feira (11), às 18h30. A mostra tem curadoria do próprio diretor do Paço, o arquiteto Lauro Cavalcanti, amigo e estudioso da obra de Niemeyer.
Os trabalhos reunidos na exposição em homenagem à galerista somam cerca de 300 itens, entre obras de quase 60 artistas plásticos, documentos e projeções. Em sua maior parte, as obras pertenceram à coleção pessoal de Anna Maria Niemeyer, mas há também peças que tiveram sua compra intermediada por ela e outras que foram cedidas pelos próprios artistas.
Referência na arte contemporânea brasileira, a Galeria Anna Maria Niemeyer organizou durante mais de três décadas 365 mostras de 240 artistas, mas por decisão da família, as atividades do espaço foram encerradas após a morte da galerista. Grande parte do acervo foi vendida para particulares em leilão ocorridos em outubro passado, o que faz da exposição a última oportunidade para apreciar a trajetória visual de Anna Maria.
“Todos cabiam no universo dela”, disse Lauro Cavalcanti sobre a pluralidade de linguagens que caracteriza a coleção da filha de Oscar Niemeyer. “O olhar de Anna Maria passou do universo da arte aplicada à arquitetura, quando abriu a galeria, para o território da contemporaneidade”.
Entre os artistas com obras na exposição estão Beatriz Milhazes, Carlos Scliar, Farnese de Andrade, Iole de Freitas, Jorge Guinle, Luiz Ernesto, Luiz Zerbini, Manfredo de Souzanetto, Mario Cravo, Mauricio Bentes, Monica Barki. Nelson Leirner, Quirino Campofiorito e Victor Arruda, além de Oscar Niemeyer.
Anna Maria Niemeyer, Um Caminho, com entrada franca, poderá ser visitada até 17 de fevereiro de 2013, de terça-feira a domingo, das 12h às 18h. O Paço Imperial, centro cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fica na Praça XV, 48, no centro do Rio.

Edição: Aécio Amado
  • Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0
  • Fonte: http://www.ebc.com.br/2012/12/exposicao-do-acervo-da-filha-anna-maria-destaca-obras-do-artista-plastico-oscar-niemeyer

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Corpo de Niemeyer é embalsamado no Rio de Janeiro

Velório de arquiteto ocorrerá no Palácio do Planalto

Velório de arquiteto ocorrerá no Palácio do Planalto<br /><b>Crédito: </b> Antonio Scorza / AFP / CP
Velório de arquiteto ocorrerá no Palácio do Planalto 
Crédito: Antonio Scorza / AFP / CP
O corpo do arquiteto Oscar Niemeyer, 104 anos, foi embalsamado no laboratório da Santa Casa de Misericórdia, no bairro de Inhaúma, na zona Norte do Rio, durante a madrugada. No início da manhã, foi levado em cortejo de volta ao Hospital Samaritano, em Botafogo, zona Sul da capital, ondemorreu na noite dessa quarta-feira. Ele estava internado desde o dia 2 de novembro, vítima de complicações renais e desidratação.

• Obra jamais será repetida, diz arquiteto

• Niemeyer estava acompanhado da família no momento da morte
• Clique aqui e confira a lista de obras, organizada de forma cronológica
Por volta das 10h, o corpo será levado, também em cortejo, para o Aeroporto do Galeão, de onde seguirá para Brasília. O velório será no Palácio do Planalto. Depois, o corpo volta para o Rio, onde será velado no Palácio da Cidade. O enterro do arquiteto está previsto para esta sexta-feira no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Dono de um traço único


Símbolo da vanguarda e da crítica ao conservadorismo de ideias e projetos, o carioca Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho é apontado como um dos mais influentes na arquitetura moderna mundial. Os traços livres e rápidos criaram um novo movimento na arquitetura. A capital Brasília é apenas uma das suas inúmeras obras espalhadas pelo Brasil e pelo mundo.

Em 1934, Niemeyer se formou na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. De princípios marxistas, ele resistia ao que chamava de arquitetura comercial. Até 2009, ele costumava ir todos os dias ao escritório, em Copacabana, no Rio de Janeiro. A frequência caiu depois de duas cirurgias – uma para a retirada de um tumor no cólon e outra na vesícula. Em 2010, foi internado devido a um quadro de infecção urinária.

Ao longo da sua vida, Niemeyer associou seu trabalho à ideologia. Amigo de Luís Carlos Prestes, ele se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e emprestou o escritório para organizar o comitê da legenda. Durante a ditadura (1964-985), autoexilou-se na França. Nesse período visitou a então União Soviética.

Em 2007, Niemeyer presenteou Fidel Castro, ex-presidente de Cuba, com uma escultura na qual há uma imagem monstruosa que ameaça um homem que se defende com a bandeira de Cuba. No mesmo ano, foi alvo de críticas pelo preço cobrado, no valor de R$ 7 milhões, pelo projeto de construção da sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.

Independentemente das polêmicas, Niemeyer se transformou em sinônimo de ousadia com a construção de Brasília. Os cartões-postais da cidade foram feitos por ele, como a Igrejinha da 307/308 Sul, construída no formato de um chapéu de freira cuja obra durou apenas 100 dias.

O Palácio da Alvorada, a residência oficial da Presidência da República, foi o primeiro edifício público inaugurado na capital, em junho de 1958. Na obra, Niemeyer colocou os pilares na fachada do prédio para simbolizar o emblema de Brasília.

A sede do governo federal, o Palácio do Planalto, compõe o conjunto de edifícios da Praça dos Três Poderes onde estão os prédios do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional – formado por duas semiesferas simbolizando a Câmara dos Deputados (voltada para cima) e o Senado (voltada para baixo). Porém, um dos símbolos mais visitados da capital é a Catedral Metropolitana. Construída como uma nave, o acesso ao prédio é possível por meio de uma passagem subterrânea. No teto da igreja, há anjos dependurados.

Em janeiro deste ano, Niemeyer enterrou a filha Anna Maria, de 82 anos, que morreu em consequência de um enfisema pulmonar, no Rio. Desde então, segundo amigos, o arquiteto passou a sair menos de casa e ficou mais fechado.
Fonte: http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=478929 acesso em 06/12/12