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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Patrimônio: Igreja Católica assina protocolo com Fundação Gulbenkian para inventariação de bens culturais

Secretariado Nacional aposta na formação em Conservação Preventiva

bensculturais.pt
Lisboa, 15 abr 2013 (Ecclesia) – A Igreja Católica vai iniciar uma “nova dinâmica na área do inventário” do seu património, “fruto de um apoio importante da Fundação Calouste Gulbenkian”, disse hoje à Agência ECCLESIA a diretora do Secretariado Nacional para os Bens Culturais.
O património da Igreja “só está inventariado na ordem dos 20%”, o que é “dramático” dado que uma peça não catalogada “é como se não existisse”, sublinhou Sandra Costa Saldanha.
“O inventário é um passo fundamental para todas as questões que tenham a ver com os bens culturais da Igreja, não só por uma questão de segurança mas também de auscultação dos problemas, já que ao inventariar se percebe o estado da peça, possibilitando a realização de uma espécie de ‘carta de risco’ do património”, explicou.
Depois de salientar que o protocolo vai permitir que as dioceses tenham acesso a “sistemas de gestão profissionais”, a diretora manifestou a esperança de que seja possível desenvolver um trabalho “empenhado e concertado” entre as comissões diocesanas responsáveis pela arte sacra.
“Se queremos chegar ao grande objetivo do património, que é colocá-lo ao serviço da missão da Igreja, temos de o conhecer. E sem estes passos prévios nunca poderemos usufruir nem beneficiar eficazmente dele”, acentuou.
Sandra Costa Saldanha também sublinhou a importância de legar “com muita responsabilidade às próximas gerações” a “grande herança” artística e cultural da Igreja.
As declarações foram proferidas à margem da Ação de Formação em Conservação Preventiva que o Secretariado para os Bens Culturais da Igreja organiza hoje em Lisboa.
O objetivo do encontro é responder à “incapacidade e desconhecimento das pessoas que normalmente asseguram o tratamento e o património e dos vários bens existentes nas igrejas em assegurarem a sua manutenção de forma correta”, referiu.
A iniciativa, afirmou, “não pretende ser uma formação de restauro mas de conservação preventiva, de modo que as pessoas saibam o que têm ao seu alcance para, adequadamente, poderem tratar quer das estruturas da igreja quer de ações simples de rotina”.
O procedimento e os produtos para limpar pinturas, talhas, mobiliário, azulejaria, escultura, paramentos e ourivesaria, a proteção de telhados e a conservação dos altares estão entre as “instruções básicas ao alcance de qualquer pessoa” incluídas nesta formação, que não exige “mais investimento financeiro” da parte das paróquias para além do já existente.
“Há uma atitude muito autodidata e autónoma na maior parte dos casos”, assumida “na maior parte dos casos com a melhor das boas vontades mas, que frequentemente, não se faz de forma correta”, assinalou Sandra Costa Saldanha.
A responsável faz um balanço “extremamente positivo” das ações formativas promovidas pelo Secretariado.
Sandra Costa Saldanha nota o crescimento da consciência de que “quando as peças chegam a determinado ponto de degradação é necessário chamar-se um técnico qualificado”, sensibilização essencial para evitar “maus restauros”, que estão entre “os crimes mais graves” cometidos contra o património.
A sessão, que conta com a participação de 80 pessoas, começou com a identificação dos fatores de risco e prosseguiu com a formação no âmbito da manutenção e conservação do património móvel e imóvel.
RJM
   Fonte: Agência Ecclesia
Nacional | Agência Ecclesia | 2013-04-15 | 16:00:51 | 3282 Caracteres | Património

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Igreja/Cultura: Reitores de santuários católicos reúnem-se em Fátima para prevenir «aberrações» no restauro do património

Programa inclui intervenções sobre legislação e programas de financiamento

Fátima, Santarém, 14 jan 2013 (Ecclesia) – A Associação de Reitores dos Santuários de Portugal promove hoje e amanhã o encontro ‘Património da Igreja: Critérios e Práticas de Conservação’, que visa erradicar más práticas neste setor.
“É um tema muito atual porque os santuários são detentores de um grande espólio cultural e é preciso que saibam cuidar dele”, declarou hoje à Agência ECCLESIA o presidente da associação, padre Sezinando Alberto, acrescentando que no encontro de reitores realizado em 2012 foram colocadas várias questões relativas a este âmbito.
 O responsável sublinhou que têm existido “algumas aberrações a nível de restauro”: “Por vezes os membros de confrarias, irmandades e comissões de santuários, que têm pouca formação nesta área, optam por materiais mais baratos ou duvidosos e não ligam à arte em si”.
Além de intervenções de domínio técnico, o 7.º encontro de reitores inclui uma vertente teórica que incide na legislação relativa à recuperação e preservação do património, bem como sobre programas de financiamento à disposição.
A iniciativa, que conta com a colaboração do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja (SNBCI), tem 60 inscritos, entre reitores e colaboradores.
As jornadas abriram esta manhã com a apresentação de parcerias nas áreas do inventário de património arquitetónico, roteiros de turismo religioso e projetos multimédia, refere o site do SNBCI.
Os trabalhos são retomados às 15h00 com intervenções do padre Sezinando e de Sandra Costa Saldanha, diretora do Secretariado para os Bens Culturais da Igreja, seguindo-se a conferência ‘Conservação do Património da Igreja: legislação e enquadramento’, por Filipe Mascarenhas Serra, da Direção Geral do Património Cultural.
Pelas 17h30 Nuno de Faria, do Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais, apresenta os ‘Programas de apoio e mecanismos de financiamento’, e à noite reúne-se a assembleia-geral da Associação de Reitores dos Santuários de Portugal.
Os trabalhos de terça-feira começam com uma mesa redonda sobre ‘Diagnóstico e prevenção de riscos: cuidados básicos’, em que intervêm Maria de Fátima Eusébio, do Departamento de Bens Culturais da Diocese de Viseu, Vanessa Antunes e Joaquim Inácio Caetano, conservadores e restauradores.
Após o almoço decorrem encontros práticos sobre têxteis e paramentaria, com a museóloga Manuela Pinto da Costa, e metais e ourivesaria, por Eduarda Vieira, da Escola de Artes da Universidade Católica Portuguesa, indica o SNBCI.
RJM
Nacional | Agência Ecclesia | 2013-01-14 | 13:10:12 | 2495 Caracteres | Património, Santuários
Fonte: ECCLESIA

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A crise e o futuro: Editorial Europeu (de Salvatore Sabatino)




A Europa olha para o novo ano com uma carga de problemas de não fácil solução. A pobreza, em primeiro lugar, que só no Velho Continente afeta quase 120 milhões de pessoas – um em cada quatro cidadãos, para os quais a vida quotidiana é feita de dificuldades e renúncias. O desemprego, em segundo lugar, com todas as suas consequências sociais devastadoras: desde 2008 perderam-se mais de 26 milhões de empregos, e nalguns países mais de 50% dos jovens não têm emprego. Entretanto, aumenta o número dos desalojados que, de fenómeno de marginalização extrema, se está a tornar cada vez mais frequente e possível, até porque a capacidade da família – verdadeiro porto seguro onde atracar em caso de necessidade - é cada vez mais posta em dura dificuldade Mas um novo modelo económico e social é possível, como observa, no editorial europeu desta semana, o colega italiano, Salvatore Sabatino.

"Eu sou Europa, nós somos Europa". Mais do que um slogan, uma ideia de convivência, solidariedade e partilha, susceptível de ser posta em discussão pela vaga crescente da crise que arrastou consigo os princípios europeus dos Pais Fundadores. O que dita a agenda hoje não é o sentido da união, mas a crise, que se tornou a palavra mais frequente, não só entre as pessoas, mas sobretudo entre as Instituições. Porque a crise não é um conceito, mas uma realidade que tem impacto sobre a vida diária de mais de 500 milhões de cidadãos europeus. 
Mesmo assim, a Europa reagiu, embora lentamente, colocando no campo as suas melhores forças e construindo uma barreira de intervenções, embora porventura demasiadamente centrada numa arrojada visão "puramente" económica. Tudo isto à custa dos cidadãos, sobre os quais a crise se repercute como um terramoto, criando gravíssimas consequências sociais. Isto transforma-se em falta de equidade, e numa crise que, mais do que económica, se torna crise de confiança, com o risco de uma progressiva separação entre Instituições e cidadãos. E o maior perigo é que o próprio sistema social europeu, verdadeiro modelo para o mundo inteiro, corre o risco de morrer. Onde estão os direitos básicos? Onde foi parar o sentido de solidariedade? O que será feito da Europa? 
Os analistas estão quase todos concentrados nos dados económicos. 2013 constituirá o ano da mudança; só a partir de 2014 se começará a crescer novamente. Por outro lado, crescem os projectos de "micro-crédito", para financiar iniciativas de pequena escala capazes de relançar a base. Aposta-se no intercâmbio de bens para permutar géneros de primeira necessidade. Acontece sobretudo na Grécia, mas também noutros países, como a Espanha, Eslováquia, Itália, e mesmo, recentemente, na França.
Métodos de intervenção em linha com o que se disse também na COMECE - as Conferências Episcopais da Europa, que propõe como receita para a crise um "modelo europeu de economia social de mercado", para oferecer uma protecção eficaz aos mais vulneráveis. E isto porque a crise é também ético - cultural, e portanto antropológica. Quem o diz é o Conselho das Conferências Episcopais da Europa, segundo o qual não se pode pensar em dialogar com o mundo apenas abordando os problemas; há que enfrentar também os pressupostos culturais dos mesmos problemas. Estas intervenções indicam as necessárias raízes de solidariedade; raízes que estão interligadas com outras raízes, as raízes cristãs, que uma Europa distraída deixou sem água e agora correm o risco de morrer. Ah, se os europeus tivessem assumido como própria a mensagem emersa da Encíclica "Caritas in Veritate"! Nela, Bento XVI lançou uma luz muito além do limite do horizonte, sublinhando com forte ênfase que há que procurar a verdade e exprimi-la na "economia" da caridade, mas esta por sua vez deve ser compreendida, valorizada e praticada à luz da verdade. A Europa pode recomeçar a partir deste conceito. E todos nós poderíamos dizer com orgulho: "Eu sou Europa, nós somos Europa."
Salvatore Sabatino

Fonte: Rádio Vaticano