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domingo, 25 de janeiro de 2015

Museu de Arte Contemporânea expõe acervo da USP e tem mostra de Samson Flexor


Por Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil Fonte:Agência Brasil

O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) começa o fim de semana com duas novas exposições. Como parte das comemorações dos 80 anos de criação da universidade, foi aberta uma exposição conjunta que usa o acervo dos quatro museus da instituição. Também está aberta uma mostra com 35 obras, entre desenhos e pinturas, de Samson Flexor.

Olhares cruzados nos Museus da USP – Identidades Diversas tem 227 itens entre obras, objetos e espécimes. A mostra reúne peças do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), do MAC, do Museu Paulista e do Museu de Zoologia. A exposição busca fazer uma conexão entre os acervos, mostrando a proximidade apesar das áreas do conhecimento e da cultura tão diferentes em que atuam.

Traçados e Abstrações apresenta a trajetória de Flexor a partir de 1948, quando veio morar em São Paulo. Natural da região que atualmente faz parte da Moldávia (Europa Oriental), o artista, nascido em 1907, estudou na Bélgica e em Paris. Quando esteve na França, chegou a fazer parte da resistência contra o nazismo.

Os desenhos foram agrupados de maneira a mostrar como o pensamento artístico de Flexor se constrói. “Os desenhos indicam relações evidenciadas no próprio percurso de Flexor. O título da mostra nasceu da observação desse segmento que, por meio de muitas aparências do seu pensamento, multiplicaram formas, planos e espaços”, explica a curadora Carmen Aranha.

Os trabalhos elaborados com lápis grafite e tinta nanquim ajudam a compreender o processo de produção do artista à época em que conduziu o Ateliê Abstração. O espaço, que funcionava na própria casa de Flexor, era um laboratório de pesquisas dedicadas a forma e a cor. “Ao observá-los, somos levados a perceber que a arte é resultado de trabalho meticuloso, dedicação ao exercício do fazer e, especialmente, uma busca constante por uma linguagem que se desenvolve ao longo do tempo”, ressalta a curadora sobre os desenhos.

Editor Lílian Beraldo

FONTE: EBC

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Exposição no Margs inaugura neste sábado em Porto Alegre

O quadro O Gato Preto, de Ado Malagoli, integra a exposição | Foto: Ado Malagoli / Divulgação / CP
 Estreia neste sábado no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Pç. Da Alfândega, s/nº), em Porto Alegre, a exposição “Recortes do Acervo – Pintura”. A mostra inaugura às 10h e ficará instalada na Pinacoteca e na sala Aldo Locateli até o dia 29 de março, com visitação de terças a domingos, das 10h às 19h. A entrada é gratuita.
Com curadoria coletiva da própria equipe do MARGS, a exposição reúne o trabalho de 95 artistas, nacionais e estrangeiros, integrantes do acervo do museu. Dentre as obras, que vão desde o final do século XIX até o período contemporâneo, destacam-se as telas acadêmicas “A Emigrante”, do italiano Napoleone Grady e “A Dama de Branco”, do brasileiro Arthur Timótheo da Costa. Ainda serão apresentadas quatro pinturas originais dos artistas Danúbio Gonçalves, Carlos Scliar, Glênio Bianchetti e Glauco Rodrigues, denominados “Os Quatro de Bagé”.

Fonte: Correio do Povo

domingo, 11 de janeiro de 2015

Pedreiro do DF faz arte com entulho e recebe convite para expor na Europa


Willam Pereira mostra mosaico feito com restos de cerâmica tiradas de lixão (Foto: Isabella Formiga/G1)
Isabella FormigaDo G1 DFMorador de São Sebastião, no Distrito Federal, o pedreiro Willam Pereira, de 32 anos, encontrou em restos de material de construção o meio para produzir arte, na forma de mosaicos. Fã de Athos Bulcão, ele passa até dois dias trancado em seu ateliê trabalhando e diz já ter recebido convites para expor na Inglaterra. Pereira não tem curso na área e conta que aprendeu a fazer mosaicos "por acaso", enquanto trabalhava com cerâmicas em uma obra, há seis anos.
“Estava fazendo assentamento de cerâmica quando uma peça caiu e se partiu em mil pedaços”, diz. “Fiquei observando na hora e me veio a ideia. Pensei: ‘Que bacana, vou tentar’, e fui fazendo. Abandonei tudo que estava fazendo e caí de cabeça nesse trabalho. Vinha na mente imagens, desenhos, e fui testando assim. Meu primeiro desenho foi uma coruja.”
Símbolo do Vasco feito em mosaico por pedreiro (Foto: Willam Pereira/Reprodução)Símbolo do Vasco feito em mosaico por pedreiro
(Foto: Willam Pereira/Reprodução)
Pereira, que é pedreiro desde os 13 anos e não concluiu o ensino médio, diz que aprendeu tudo o que sabe experimentando e por meio da internet. “Fui pesquisar mais sobre essa arte e descobri que tinha nome: mosaico. É uma das artes mais conceituadas do mundo.”
Para buscar cores diferentes e incomuns para compor as imagens, Pereira diz que vai a um lixão perto dos Jardins Mangueiral. “Quando faltam pedaços coloridos para fazer uma imagem, busco lá o vermelho, amarelo, que é mais difícil de achar”, diz. “Se vou no lixo e vejo algo que pode ser reaproveitado, vou lá e faço. Tudo é um quebra-cabeça. Não tem limite de tamanho, faço mesa, quadro, até mural para parede.”
Para poder trabalhar, o pedreiro aluga uma quitinete por R$ 400 mensais que usa como ateliê. Ele conta que passa dias imerso no trabalho, ouvindo música e se dedicando a projetos. “Tem vezes que viro a noite e vou trabalhar igual um zumbi, sem dormir, porque isso exige muita paciência, técnica e concentração para sair perfeito”, diz. “Às vezes, saio do trabalho e venho direto para cá. Fico até 2h, 3h da manhã fazendo.”
Willam Pereira trabalhando em mosaico de coruja ao lado de seu ateliê (Foto: Willam Pereira/Reprodução)Willam Pereira trabalhando em mosaico de coruja ao lado
de seu ateliê (Foto: Willam Pereira/Reprodução)
“Já fiquei dois dias trancado no quarto. Estava parado, desempregado, as contas chegando, quando, graças a Deus, saiu uma encomenda: uma mesa enorme para a Escola de Música de Brasília. Recebi R$ 1,2 mil", conta. Apesar disso, a maior parte das obras que ele faz é vendida por valores bem abaixo do preço de mercado.
Pereira conta que fez amizades com artistas de todo o mundo pela internet e que não conseguiu expor seu trabalho na Inglaterra porque não tinha recursos. “Não tive como ir, não tinha como. Não tinha dinheiro e nem passaporte”, diz. “Mas é bacana saber que seu trabalho é reconhecido por pessoas do primeiro mundo, que valorizam a arte”.
Sonho
Além de sonhar viver da arte, o pedreiro diz que deseja fazer grandes obras em lugares públicos, como estações de metrô, a exemplo do que viu em fotos tiradas em países europeus. “Quantos mosaicos eu não poderia fazer, de personalidades, imagens de presidentes, pessoas ilustres, que fizeram história na política? Poderia usar esse talento levando arte para os lugares”, diz. “Não tem nenhum custo, gastei R$ 2 com cimento para fazer uma peça, o resto acho no lixo.”
Obras de pedreiro expostas em restaurante no DF (Foto: Willam Pereira/Reprodução)Obras de pedreiro expostas em restaurante no DF
(Foto: Willam Pereira/Reprodução)
Para conseguir reconhecimento do governo local como artista, no entanto, Pereira precisou insistir muito com a Secretaria de Cultura. “Demorou três meses, insisti muito, cheguei a chorar. Fui todos os dias até eles enjoarem da minha cara e me darem o documento”, diz. “É muito sacrifício para o artista provar que faz arte. Com o documento você tem mais oportunidades, pode participar de exposições, fazer murais.”
“Quero muito mostrar o meu trabalho. Entro na internet e vejo pessoas do Brasil mesmo, ou até fora do país, com trabalhos bem simples, de iniciantes, ganhando prêmios. Eles são reconhecidos, mas eu fico para trás”, diz. “Quero justiça para os artistas brasileiros. O artista é muito excluído no Brasil.”
Desestimulado com a falta de oportunidades, ele diz que já pensou em abrir mão do talento. “Já tentei desistir, disse que não ia trabalhar mais com isso. Existe também muito preconceito por conta do meu estilo, do meu jeito de ser, por não participar de exposições com pessoas que tem diplomas na Grécia, em Roma”, diz. “Mas é uma arte milenar, uma das artes mais ricas do mundo. Guardar esse dom e não utilizar, é desperdício.”
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Pedreiro mostra cerâmicas levadas de obra para seu ateliê (Foto: Isabella Formiga/G1)Pedreiro mostra cerâmicas levadas de obra para seu ateliê (Foto: Isabella Formiga/G1)
Apesar de sonhar com o reconhecimento, Pereira diz que gosta muito do trabalho, e que tem outros dois talentos: também trabalha como pintor e serralheiro. “Muitos na obra dizem: ‘Você é um artista, sai daqui’. Mas eu gosto de trabalhar, gosto do trabalho manual, de estar me movimentando. Quanto mais difícil, mais gosto.”
O pedreiro diz que, para conceder a entrevista ao G1, foi dispensado pelo chefe durante o dia na obra em que trabalha. “Ele me incentivou, disse que o mundo precisa ver o que faço”, diz.
FONTE: G1

sábado, 2 de agosto de 2014

Exposição "A Paisagem como Vestígio" chega a Porto Alegre

Mostra começa neste sábado, a partir das 20h, com curadoria de Ana Zavadil, na Arte&Fato

Um dos acrílicos sobre tela de Bianca Santini<br /><b>Crédito: </b> Letícia Lau / Divulgação / CP
Um dos acrílicos sobre tela de Bianca Santini 
Crédito: Letícia Lau / Divulgação / CP
Pinturas em grandes dimensões é o que Bianca Santini mostra, a partir deste sábado, na Arte&Fato galeria, com a exposição “A Paisagem como Vestígio” (avenida Protásio Alves, 1893, bairro Petrópolis). O conjunto da produção poética de Bianca Santini é formado por uma série de trabalhos que envolvem a relação entre percepção e imaginação a partir da representação fragmentada da paisagem. O processo criativo acontece por dois caminhos: o primeiro por meio de fotografias de árvores que compõem a paisagem; o segundo é o registro das árvores sobre a tela a partir da sua memória.

O começo do trabalho é feito com a tela no chão, em que os gestos são soltos e fluem por meio da tinta. Em sua obra estão mescladas experiências reais e fictícias como marco inicial do trabalho, porque o pretexto para a sua criação parte de um objeto real. Segundo Ana Zavadil, “o equilíbrio se dá entre a pintura como vestígio do gesto e a imagem representada, em que as duas passam a ter a mesma potência estética”. 

E a curadora aponta ainda que, nesta série de trabalhos, as diferenças e multiplicidades do espaço e do tempo se tornam substância de sua pintura, “onde o tempo se fragmenta em outros tempos: o da imaginação, o do conhecimento técnico, o da verdade da obra e o da percepção. As camadas de tinta acrílica se acumulam criando um corpo consistente gerado do ato de fazer e refazer e onde a imagem principal pode até desaparecer para reaparecer em outro tempo pictórico”. Existe, também, um contraste por meio do preto e do branco que “transborda e verte nos espaços pictóricos trazendo uma sensação de busca inquietante”. Para Bianca Santini as suas pinturas são como janelas “por onde se pode ver através”.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Centro de Museus será construído perto do Kremlin

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Na foto: prédio central do Museu de Belas Artes (foto de arquivo)

No âmbito do projecto Muzeiny Gorodok (Vila de Museus) se iniciaram obras de reabilitação de três edifícios integrados no complexo do Museu Nacional de Belas Artes Pushkin, informam fontes municipais.

Segundo a directora do museu Pushkin, Marina Loshak, o primeiro na lista é o Instituto de Filosofia, em que será exibida colecção de pinturas de impressionistas, seguido da quinta Viazemsky-Dolgorukov, a acolher a Galeria de Mestres Antigos, e a Casa Stulov.
O concurso arquitectónico visando a construção de um novo complexo em pleno centro da capital russa, ao lado do Kremlin e do Templo de Cristo Salvador, foi ganho pelo bureau Meganom. De acordo com Loshak, deste modo, será criado um “espaço exposicional único com contornos artísticos espectaculares”.
As obras de reconstrução deverão ser concluídas até 2018.
Fonte: Voz da Rússia

terça-feira, 15 de abril de 2014

Banksy pode estar por trás de arte de rua provocadora na Inglaterra

Da  BBC

Grafite misterioso já atraiu centenas de visitantes à cidade de Cheltenham (Foto: BBC/Getty)Grafite misterioso já atraiu centenas de visitantes à cidade de Cheltenham (Foto: BBC/Getty)
O "artista guerrilheiro" Banksy é apontado como o responsável por uma obra de arte de rua que retrata três espiões, pintada a apenas três quilômetros da agência de escutas do governo inglês (GCHQ).
A obra de arte, que apareceu em Cheltenham (Inglaterra) no domingo, retrata três homens usando óculos escuros e equipamentos de escuta para 'bisbilhotar' em um telefone público. A peça já atraiu centenas de visitantes.
Banksy até o momento não assumiu a autoria do trabalho, que leva suas características, segundo especialistas.
O artista misterioso, que começou a fazer os desenhos em muro de Bristol, ganhou notoriedade internacional, tanto por sua arte como pelo fato de nunca revelar sua identidade. O artista já deixou suas marcas em locais como o muro que divide Israel dos Territórios Palestinos ocupados.
A arte de Banksy é geralmente satírica e tem grande cunho crítico político, o que fez com que ele fosse chamado de "artista guerrilheiro".
Quase certeza
Vince John, da galeria 1loveart, que vende arte urbana e de rua em Bristol, disse que tinha "70% a 80%" de certeza de que a instalação pertencia ao famoso artista: "Pelo que eu posso ver, isso certamente parece a um Banksy. É certamente seu estilo e tem o elenco de personagens que você esperaria (ver) em uma de suas peças".
O artista de rua Dice67, de Cheltenham, disse ter sido avisado que a instalação, que apareceu na manhã de domingo, é realmente de Banksy.
"Está em todos os fóruns de arte. Ele avisou algumas pessoas para virem ver - um rapaz veio da França ontem e tirou algumas fotos", disse.
"Ouvi rumores de que ele estava morando bem perto dali na semana passada verificando tudo e preparando o espaço. Eu tenho quase certeza que é um (Banksy)".
Um porta-voz governo local disse que "esta é a primeira vez que fomos questionados para comentar sobre arte".
"Apesar de não sermos críticos qualificados, estamos tão intrigados como o restante dos moradores de Cheltenham sobre a aparição da obra de arte misteriosa".
Os últimos trabalhos conhecidos de Banksy foram criados em Nova York em outubro, durante um mês.
Fonte:  G1 Globo

segunda-feira, 31 de março de 2014

2014 é o ano mais estrangeiro da SP-Arte

É o ano mais estrangeiro da SP-Arte - Feira Internacional de Arte de São Paulo, que será inaugurada na quarta-feira, 2, no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera.
Das 136 galerias presentes na edição, que comemora 10 anos de evento, 40% vêm do exterior e 60%, de brasileiros. Esse quadro traz uma competitividade maior, diz Fernanda Feitosa, diretora e criadora da SP-Arte. Indica aposta no Brasil, mas, até dez dias atrás, como ela mesma conta, o clima ainda era de apreensão por parte dos participantes. "A situação do País é menos otimista do que nos anos anteriores", afirma a advogada. "Mas o mercado se molda".

Entre os motivos de preocupação, enumera, estão as últimas manifestações populares e o polêmico decreto 8.124/13 do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que coloca a possibilidade de obras de acervos privados serem declaradas de interesse público. "Ano passado, os técnicos do Ibram estiveram na feira e, neste ano, comunicaram-se conosco. Em colaboração, enviamos um comunicado às galerias lembrando que as que negociam obras produzidas até 1970 precisam se cadastrar no Instituto Brasileiro de Museus", conta Fernanda Feitosa. 

A medida, na verdade, pode afetar mais as galerias de obras modernas e os escritórios do mercado secundário - 25 participantes desta edição da feira, que vai até domingo. "Não há pânico, devemos dizer".

Realizada desde 2005 no Pavilhão da Bienal, a SP-Arte só cresceu a cada edição. Com orçamento de "mais de R$ 6 milhões", como conta Fernanda Feitosa - do montante, R$ 1,94 milhão foi captado via Lei Rouanet -, a feira ocupará, desta vez, 21 mil m² do edifício desenhado por Oscar Niemeyer, ou seja, o piso térreo e 1.º e 2.º andares do prédio (e o contrato de aluguel do local já está firmado para até 2018). Para se ter ideia, o evento estreou em 2005 com a participação de 41 galerias (brasileiras e 1 do Uruguai). Hoje, são 136 participantes, entre eles 78 galerias nacionais e 58 estrangeiras, de 17 países. O evento ainda conta programação de debates, premiações e exposição de seu laboratório curatorial.

Fernanda Feitosa comemora a presença de representantes poderosos do circuito internacional, como os estandes da Gagosian (que, em 2013, apresentou uma escultura do britânico Henry Moore avaliada em US$ 2 milhões), Marion Goodman, Pace (que exibirá fotografias de Hiroshi Sugimoto por US$ 200 mil), White Cube, Lisson, Yvon Lambert, Thaddaeus Ropac e Van de Weghe (que trará pela primeira vez trabalho do norte-americano Jean-Michel Basquiat). 

Outro destaque é a exibição de obras do pintor alemão Gerhard Richter - em 2012, sua tela Abstraktes Bild, de 1994, que pertencia ao músico Eric Clapton, foi vendida em leilão por US$ 34,2 milhões, um recorde.

Mas há quem pondere sobre esse atual quadro da SP-Arte. "Tenho dúvidas se essa presença de estrangeiros no Brasil se sustentará", diz o galerista André Millan, de São Paulo, que colocará à venda peças de Mira Schendel (1919-1988), artista celebrada internacionalmente - situação coroada, recentemente, com exposição da suíço-brasileira na Tate de Londres. "Francamente, não sou fã dessas galerias estrangeiras mais agressivas. Acho seu trabalho estritamente comercial, não pensado a longo prazo. Elas vão apenas onde o dinheiro está", completa Millan.

Mais uma vez, para estimular as vendas, as obras comercializadas até domingo na SP-Arte 2014 terão isenção de 18% de ICMS, imposto estadual recolhido na comercialização de mercadorias, para galerias estabelecidas em São Paulo e compradores residentes no Estado (neste caso, atrativo também para os estrangeiros). É o terceiro ano consecutivo que vigora essa medida, feita a partir de decreto assinado com a Secretaria da Fazenda do governo do Estado - e ocorrerá também em 2015. Segundo Fernanda Feitosa, o governo estadual divulgou que a isenção do ICMS durante a feira gerou R$ 50 milhões em negócios em 2012 e R$ 100 milhões em 2013.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Bem Paraná

Arte em revista: exposição reavalia teoria sobre suicídio de Van Gogh

Uma exposição no Museu D'Orsay em Paris destaca obras do pintor holandês Vincent Van Gogh, em uma tentativa de reavaliar a teoria de que o artista teria cometido suicídio em 1890 por causa das pressões sociais que enfrentou na época.
A exposição, que reúne 55 pinturas, desenhos e cartas do mestre, é um dos temas do boletim semanal Arte em Revista, da BBC Brasil.
Confira também os penteados da Nigéria que são verdadeiras obras de arte.
Ao longo de quatro décadas, o fotógrafo nigeriano JD Okhai Ojeikere documentou uma das tradições culturais mais vibrantes de seu país.
Seus retratos, fotografados em Lagos, estão em exposição no Southbank Centre, em Londres.
Na Itália, a mostra Origens of a Legend ("Origens de uma Lenda", em tradução livre), reúne algumas das obras-primas mais conhecidas de Gustav Klimt.
A exposição, que acontece no Palácio Real de Milão, traça a evolução do pintor austríaco desde sua formação na escola de artes até seus últimos anos.
E, no Rio de Janeiro, as esculturas incrivelmente reais do australiano Ron Mueck estão em exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Arte contemporânea é farsa

A mexicana e crítica de arte Avelina Lésper causa furor por onde passa por falar o que muita gente pensa mas não tem coragem de dizer 


Avelina Lésper, em conferência sobre artes na Cidade do México, não poupou nem os grandes consagrados como Gabriel Orozco e Damien Hirst
Da Redação

Com a finalidade de dar a conhecer seus argumentos sobre os porquês da arte contemporânea ser uma “arte falsa“, a crítica de arte Avelina Lésper apresentou a conferência “El Arte Contemporâneo –– El dogma incuestionable” na Escuela Nacional de Artes Plásticas (ENAP), na Cidade do México, sendo ovacionada pelos estudantes na ocasião. 

A arte falsa e o vazio criativo 

“A carência de rigor (nas obras) permitiu que o vazio de criação, o acaso e a falta de inteligência passassem a ser os valores desta arte falsa, entrando qualquer coisa para ser exposta nos museus”. 

A crítica explica que os objetos e valores estéticos que se apresentam como arte são aceitos em completa submissão aos princípios de uma autoridade impositiva. Isto faz com que, a cada dia, formem-se sociedades menos inteligentes e aproximando-nos da barbárie. 

O ready made 


Lésper aborda também o tema do ready made, expressando perante esta corrente “artística” uma regressão ao mais elementar e irracional do pensamento humano, um retorno ao pensamento mágico que nega a realidade. A arte foi reduzida a uma crença fantasiosa e sua presença em um mero significado. “Necessitamos de arte e não de crenças”.

Gênio artístico 

Da mesma maneira, a crítica afirma que a figura do “gênio”, artista com obras insubstituíveis, já não tem possibilidade de manifestar-se na atualidade. “Hoje em dia, com a superpopulação de artistas, estes deixam de ser imprescindíveis e qualquer obra substitui-se por outra qualquer, uma vez que cada uma delas carece de singularidade”.

O status de artista 

A substituição constante de artistas dá-se pela fraca qualidade de seus trabalhos, “tudo aquilo que o artista realiza está predestinado a ser arte, excremento, objetos e fotografias pessoais, imitações, mensagens de internet, brinquedos etc. Atualmente, fazer arte é um exercício ególatra. As performances, os vídeos, as instalações estão feitas de maneira tão óbvia que subjuga a simplicidade criativa, além de serem peças que, em sua grande maioria, apelam ao mínimo esforço e cuja acessibilidade criativa revela tratar-se de uma realidade que poderia ter sido alcançada por qualquer um”.

Neste sentido, Lésper afirma que, ao conceder o status de artista a qualquer um, todo o mérito é-lhe dissolvido e ocorre uma banalização. “Cada vez que alguém sem qualquer mérito e sem trabalho realmente excepcional expõe, a arte deprecia-se em sua presença e concepção. Quanto mais artistas existirem, piores são as obras. A quantidade não reflete a qualidade”.

Que cada trabalho fale pelo artista 

“O artista do ready made atinge a todas as dimensões, mas as atinge com pouco profissionalismo. Se faz vídeo, não alcança os padrões requeridos pelo cinema ou pela publicidade. Se faz obras eletrônicas, manda-as fazer, sem ser capaz de alcançar os padrões de um técnico mediano. Se envolve-se com sons, não chega à experiência proporcionada por um DJ. Assume que, por tratar-se de uma obra de arte contemporânea, não tem porquê alcançar um mínimo rigor de qualidade em sua realização”.

Lésper define o ready made como uma regressão ao mais elementar e irracional do pensamento humano. “Os artistas fazem coisas extraordinárias e demonstram em cada trabalho sua condição de criadores. Nem Damien Hirst, nem Gabriel Orozco, nem Teresa Margolles, nem a já imensa e crescente lista de artistas o são de fato. E isto não o digo eu, dizem suas obras por eles”.

Para os estudantes 

Como conselho aos estudantes, Avelina diz que deixem que suas obras falem por eles, não um curador, um sistema ou um dogma. “Sua obra dirá se são ou não artistas e, se produzem esta falsa arte, repito, não são artistas”.

O público ignorante 

Lésper assegura que, nos dias que correm, a arte deixou de ser inclusiva, pelo que voltou-se contra seus próprios princípios dogmáticos e, caso não agrade ao espectador, acusa-o de “ignorante, estúpido e diz-lhe com grande arrogância que, se não agrada é por que não a percebe”.

“O espectador, para evitar ser chamado ignorante, não pode dizer aquilo que pensa, uma vez que, para esta arte, todo público que não submete-se a ela é imbecil, ignorante e nunca estará à altura da peça exposta ou do artista por trás dela. Desta maneira, o espectador deixa de presenciar obras que demonstrem inteligência”.

Finalizando 

Finalmente, Lésper sinaliza que a arte contemporânea é endogâmica, elitista, com vocação segregacionista, e é realizada para sua própria estrutura burocrática, favorecendo apenas às instituições e seus patrocinadores.

“A obsessão pedagógica, a necessidade de explicar cada obra, cada exposição gera a sobreprodução de textos que nada mais é do que uma encenação implícita de critérios, uma negação à experiência estética livre, uma sobreintelectualização da obra para sobrevalorizá-la e impedir que a sua percepção seja exercida com naturalidade”.

A criação é livre, no entanto a contemplação não é. “Estamos diante da ditadura do mais medíocre”. (Dica de Tyrannusmelancholicus.com.br)


Texto reproduzido dos sites Vanguardia (bit.ly/1fkC6HB) e Incubadora de artistas (bit.ly/1k2wi6H). 


Fonte: Diário de Cuiabá

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Arte e Feminismo no MARGS

Natural de Cachoeira do Sul, Ana Norogrando viveu 30 anos em Santa Maria, onde desenvolveu sua trajetória artística e acadêmica. Seu currículo impressiona pela solidez e aplicação dos conhecimentos adquiridos em várias áreas: desenho, pintura, tecelagem, litografia, xilogravura, escultura, fotografia, vídeo, design, pesquisas com luz e movimento.
E embora seu trabalho não deixe de denotar engajamento político e social, o feminismo de Ana não vem propriamente de uma militância que, se há, está nas suas obras. Estas a designam como uma artista contemporânea sem, contudo, perder o vínculo com a tradição, sobretudo aquela ligada ao trabalho e a cultura italiana que herdou de seus pais, agricultores.
Nesta exposição retrospectiva – que como tal impõe uma cronologia do seu percurso enquanto artista – consta inclusive o quadro “Modelo negra”, óleo sobre tela, feito em 1968, quando, ainda em Cachoeira do Sul, frequentava o curso intensivo de Pintura II, ministrado por Ado Malagoli. Ela aproveitaria a década de 1970 para aprimorar seus estudos e viajar pela Europa para conhecer museus e coleções de arte.
Sua grande guinada profissional foi nos anos 1980, quando começou a trabalhar com fibra metálica. Há nisso uma alusão a persona, ao temperamento feminino: “esse material, aparentemente, quando submetido, de longe, ao olhar, é suave. No entanto, é forte, rígido, resistente, adjetivos que também definem as qualidades da mulher”, salientou Ana Norogrando.
É desse período varias obras desta exposição, como, por exemplo: “Tramas e tensões”, de 1986, e “Peneiras”, de 1987. Esses trabalhos, cuja inspiração é o artesanato milenar com fins utilitários, ganham através de sua intervenção e do material empregado (tela metálica galvanizada, fios de cobre, barra de ferro), um diálogo com o mundo industrial.
Mas foi através de “Vul-crário”, de 1993 – uma escultura cuja forma lembra uma vagina – que Ana Norogrando produziu o seu trabalho mais polêmico, cuja visualização provoca no público um voyeurismo sensual. Contudo, esta obra – constituída de fibra metálica galvanizada, barra de ferro, massa plástica e tinta acrílica, e que faz parte do acervo do MARGS – é puro onirismo, flerte com o surrealismo. E mesmo nestes rincões passa longe do conceito baudelairiano de “épater le bourgeois” (chocar, escandalizar o burguês). Há outras peças cujas formas lembram a genitália feminina e pelos pubianos e que, dependendo da imaginação, assumem ares de portal rumo ao prazer ou nascimento. Ou seja, convidativas e sem dentes que ameacem o falo imaginário de algum machista imprudente. Ana, uma mulher alta e elegante, não é uma feminista “enragée”.
Gaudêncio Fidélis, num dos textos que escreveu no livro homônimo ao da exposição, faz uma analogia entre “Vul-crário” e alguns trabalhos da americana Georgia O’Keeffe (1887-1986): “uma das precursoras de uma abordagem feminista nas artes visuais no contexto americano, tendo realizado pinturas biomórficas abstratas em que a forma do órgão sexual feminino ‘aflora’ literalmente através de imagens de flores voluptuosamente pintadas em grandes formatos”.
As referências não param por aí. Se “Vul-crário” remete as flores de O’Keeffe, e suas vulvas, a instalação “Terra” lembra o trabalho de outro artista norte-americano, Robert Smithson (1938-1973), um dos expoentes da Land Art, famoso por seu “Broken circle”, espiral de terra localizada em Emmen, Holanda, realizada em 1971. Ana, em sua instalação, coletou 33 tipos de terra entre Porto Alegre e Santa Maria, inserindo discos de arados danificados encontrados no interior do estado. Trata-se de uma clara homenagem ao árduo e sofrido (33, idade de Cristo) labor dos camponeses gaúchos e sua religiosa fé na redenção pelo trabalho.
Também é interessante a escultura “Klein, Desomenagem”, de 2013, construída a partir de um manequim, água, anilina e tecido artesanal de seda e algodão. Nela há uma forte alusão ao monocromatismo do artista plástico francês Yves Klein (1928-1962), e sua obsessão pelo azul, levando-o a criar o YKB (Yves Klein Blue). Esse trabalho não deixa de ser um convite ao público a checar, na Fundação Iberê Camargo, algumas obras de Klein que integram a Exposição Zero.
Já a videoinstalação “Interlúdio”, gravada em 2012, mostra imagens dos pores do sol a partir da Ilha dos Marinheiros, Porto Alegre, casa-atelier de Ana Norogrando. Essa incursão de Ana no audiovisual não se circunscreve somente a vídeo-arte. Ela realizou trabalhos que se inserem no gênero documentário, mostrando a natureza e a pobreza das populações ribeirinhas, assim como a necessidade de preservação ambiental do Delta do Jacuí. Isso a levou fazer um trabalho socioeducativo, incluindo oficinas, junto a estas pessoas que são, também, seus vizinhos.
Em seu conjunto, percebe-se que a obra de Ana Norogrando está bem sintonizada com a arte contemporânea. Suas influências têm um toque brasileiro, antropofágico, tão bem representado pela sua escultura “O canibal”, de 2000, que simboliza nossa forma de apreensão e recriação das coisas. Tudo isso torna a visita ao MARGS um ótimo programa para quem estiver ou passar pela capital gaúcha durante este verão.
Francisco Ribeiro
Ana Norogrando: obras 1968-2013
MARGS (Praça da Alfândega)
De terça a domingo, das 10h às 19h.
Até 23 de março
FONTE: JORNAL JÁ