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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013


Caminante no hay camino... 

Antonio Machado

(Proverbios y Cantares)

 Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino:
se hace camino al andar.


Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.


Caminante, no hay camino,

sino estelas en la mar.

Comentario del poema

Son sin duda las exclamaciones líricas  masfamosas, conocidas y cantadas de Antonio Machado. Forma parte del "Proverbios y Cantares" del libro Campos de Castilla y refleja una reflexión filosófica de la vida.
Cuando dice "Caminante, son tus huellas el camino, y nada más ..." es probablemente una convicción de que solo importa lo que se vive, y se vive si de decide a andar el camino; lo imaginado o deseado poco importa.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Canadense Alice Munro conquista o Nobel de Literatura

Júri considerou escritora "mestra da narrativa breve contemporânea"

Canadense Alice Munro conquista o Nobel de Literatura<br /><b>Crédito: </b> Peter Muhly / AFP / CP
Canadense Alice Munro conquista o Nobel de Literatura 
Crédito: Peter Muhly / AFP / CP
A canadense Alice Munro é a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura por seus contos centrados nas fraquezas da condição humana. A premiação, no valor de 8 milhões de coroas suecas (925 mil euros), foi anunciada nesta quinta-feira pela Academia de Ciências Sueca. A cerimônia de entrega acontecerá em Estocolmo em 10 de dezembro, aniversário da morte do fundador do prêmio, Alfred Nobel.

O júri considerou Munro uma "mestra da narrativa breve contemporânea" e elogiou "sua sutil narrativa, que se caracteriza pela clareza e o realismo psicológico". Alice Munro, que estava na lista de favoritos, é a primeira pessoa de nacionalidade canadense e a 13ª mulher a receber o Prêmio Nobel de Literatura desde 1901. Esta é primeira vez, em 112 anos, que a academia sueca premia um autor que escreve apenas contos.

Alguns críticos chamam Alice Munro de "Chekhov canadense", em referência ao escritor russo Anton Chekhov.
"Suas histórias se desenvolvem geralmente em cidades pequenas, onde a luta por uma existência decente gera muitas vezes relações tensas e conflitos morais, ancorados nas diferenças geracionais ou de projetos de vida contraditórios", destacou a Academia.

Vencer Nobel era "sonho impossível", conta Alice

A escritora canadense disse estar "incrivelmente surpresa", mas também muito feliz, por ter vencido o Prêmio Nobel de Literatura. "Eu sabia que estava na disputa, sim, mas nunca pensei que venceria", disse Munro à agência The Canadian Press em Victoria. Ela chamou o prêmio de "maravilhoso", segundo o jornal Toronto Star.

Alice Munbro foi acordada pela filha, que deu a notícia sobre o prêmio concedido pelo Comitê do Nobel na Suécia, contou a escritora ao canal CBC. A escritora disse que sempre considerou a possibilidade de vencer o Nobel como "um sonho impossível, algo que poderia acontecer, mas que provavelmente não ocorreria". "Estamos no meio da noite aqui e havia esquecido totalmente," contou.

Últimos 15 vencedores:

2013: Alice Munro (Canadá)

2012: Mo Yan (China)

2011: Tomas Transtr¶mer (Suécia)

2010: Mario Vargas Llosa (Peru)

2009: Herta Mueller (Alemanha)

2008: Jean-Marie Gustave Le Clezio (França)

2007: Doris Lessing (Grã-Bretanha)

2006: Orhan Pamuk (Turquia)

2005: Harold Pinter (Grã-Bretanha)

2004: Elfriede Jelinek (Áustria)

2003: J.M. Coetzee (África do Sul)

2002: Imre Kertesz (Hungria)

2001: V.S. Naipaul (Grã-Bretanha)

2000: Gao Xingjian (França)

1999: Gunter Grass (Alemanha) 
Correio do Povo/Fonte: AFP

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Lenda

Abel e Caim encontraram-se depois da morte de Abel. Caminhavam pelo
deserto e reconheceram-se de longe, porque os dois eram muito altos. Os
irmãos sentaram-se na terra, acenderam um fogo e comeram. Guardavam
silêncio, à maneira das pessoas cansadas quando declina o dia. No céu
assomava uma estrela que ainda não tinha recebido seu nome. À luz das
chamas, Caim percebeu na testa de Abel a marca da pedra e deixou cair o pão
que estava prestes a levar à boca e pediu que lhe fosse perdoado seu crime.
– Tu me mataste ou eu te matei? – Abel respondeu. – Já não me lembro;
aqui estamos juntos como antes.
– Agora sei que me perdoaste de verdade – disse Caim –, porque esquecer
é perdoar. Procurarei também esquecer.
– É assim mesmo – Abel falou devagar. – Enquanto dura o remorso, dura
a culpa.

BORGES, Jorge Luis. Obras Completas, vol II. Porto Alegre: Ed. Globo, 1999.

domingo, 12 de maio de 2013

Elevador

 Acordei instável! Vesti-me de mulher, ou seja, coloquei uma sai justa, curta, uma blusinha de seda, calcei meu lindo salto alto, fiz um coque no meu cabelo longo e fui à luta, era um dia que prometia muito trabalho. Antes de chegar à empresa, passei no shopping. Entrei no elevador completamente descontraída. Como fui uma das primeiras, fiquei bem no fundo, estava lotado.
Foi ai que senti um braço forte me enlaçar na altura da cintura. Uma mão firme apertou meu quadril puxando-me em direção a um corpo quente, rijo, um pouco atrás de mim. Um frio correu do início da espinha terminando no cóccix, desceu perna abaixo e fiquei bamba. Ele me segurava firmemente. Eu sentia um hálito quente na nuca, mais precisamente atrás da orelha. Aquela sensação de frio e calor ao mesmo tempo percorria todo o meu corpo.

Senti os lábios másculos mordiscarem, levemente minha orelha. Meus seios enrijeceram. Fiquei estática, sentindo, cada vez mais, que aumentava meu prazer e que em breve eu explodiria num orgasmo delicioso, rápido e intenso.

Olhei para frente, via vultos, todos concentrados na marcação dos andares. Não pensei em mais nada, me entreguei àquela sensação que há muito havia esquecido e que naquele dia, ao acordar, veio à tona: ser mulher em todo o sentido da palavra.

Meu corpo pedia mais e ele, sem qualquer pudor, ali, no meio de toda aquela gente, estava me dando prazer, muito prazer, digamos de passagem!

Senti quando a mão dele desceu mais um pouco, sempre muito firme, acariciou minhas nádegas. Um arrepio enlouquecedor fazia com que todos os pelos e poros do meu corpo ouriçassem. Naquele momento eu trancava a respiração para que ela não me denunciasse. Tive medo de gemer, de gritar. Imaginei todos se virando para mim e eu daquele jeito, suada, com o rosto pegando fogo. Não, não era só o rosto que pegava fogo naquele momento!

O tempo parece que deixara de passar, simplesmente parou. Na verdade, eu não queria que aquele elevador chegasse ao subsolo onde eu deveria descer para pegar meu carro.

Enquanto isso ele estava colado em mim, éramos um só corpo, um só frêmito de prazer. Quando eu já estava quase chegando lá, no ponto máximo do prazer, ouvi um “plim” de porta abrindo, tive um sobressalto, sai junto com as demais pessoas, sem olhar para trás.

Simplesmente sai, mal segurava as pernas em cima do salto alto. “toc”, “toc”, lá ia eu quase correndo em direção ao carro. Olhei para os lados e nada, ninguém por perto.  Coloquei a chave na porta e entrei rapidamente. Olhei no espelho e me enxerguei louca, feliz, olhos brilhando, rosto corado, cara de quem acabara de fazer uma grande arte.

Liguei o carro e sai, no caminho fui recobrando os sentidos e até hoje me pergunto se foi um sonho, uma alucinação ou se àquele homem existiu e esteve ali vivendo aqueles momentos comigo. Se ele fazia isso sempre, com outras mulheres? Quem sabe era um tarado e mesmo assim eu me entreguei? Talvez, assim como eu,  fora acometido de uma louca tesão?  Algo que surge do nada e, da mesma forma, some sem deixar pistas?

Sei lá!



Vice-Presidente do IPMF

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Obsessão


Chovia uma chuva fina, ela andava calmamente, a roupa colava ao corpo. A chuva disfarçava as lágrimas. Sim, ela chorava, as lágrimas molhavam mais o seu rosto do que a chuva, Ela pensava insistentemente em como ele poderia tê-la trocado assim, simplesmente, por uma mulher tão tudo aquilo que ele dizia não gostar. Era chata, pegava no pé, ligava o tempo todo e ele estava louco por ela.

Chegou em casa pensando que precisava lavar o corpo, a alma, colocar a os sapatos para secar e seu coração precisava bater menos por ele.

Debaixo do chuveiro as lágrimas não paravam, secava o corpo e o rosto encharcado, inchado, triste olhando sem olhar, só enxergava lá dentro e lá estava uma bagunça. Era ele ali, impregnado da cor do seu cabelo, dos olhos, do cheiro da pele, do sexo, todo ele estava lá.

Exausta ela adormeceu, acordou de madrugada, na verdade o sol nem havia despontado no horizonte. Levantou doída, por dentro e por fora, dormira mal acomodada, mal amada, não querida, só.

Olhou-se no espelho e pensou: preciso dar um jeito nessa cara, Arrumou-se com cuidado, maquiagem, cabelo, escolheu a melhor roupa, saltos, enfim, aguardou o tempo passar. Sabia exatamente a hora em que ele estaria lá, naquele lugar,

Olhou-se mais uma vez no espelho, passou perfume e saiu. O coração acelerou, mas os passos levavam um corpo que parecia esguio, forte, inabalável. Passou por ele e fez que não viu, não sentiu. Ergueu a cabeça, seguiu em frente e foi desmoronar na outra esquina.

Assim passaram-se os dias, meses, anos. Tudo igual. Ele com a outra ela e ela ali passando firme e forte para à noite, no silêncio do seu quarto, deixar as lágrimas de saudades e de baixo amor escorrer, molhar o travesseiro.

Eles nem mais se reconheciam, ele havia firmado laços em outros braços. Ela ali, indiferente ao tempo que ia passando, às oportunidades de um novo amor, tudo passava liso, só não acabava aquele sentimento de perda que era tudo o que ela tinha para viver, Bem vestida, às vezes até sorrindo, passava com o coração na mão.

 Talvez todos percebessem, ou quem sabe ela escondesse tão bem aquele sentimento que ninguém nem ela mais tinha conhecimento ou domínio sobre ele. Já era uma obsessão.



Vice-Presidente do IPMF

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Noite de Natal



- Pô! É Natal!!! Como ela pode fazer isso comigo???????? José, com um olhar no infinito, uma dor transparente na alma, pega uma garrafa de cachaça e bebe direto no gargalo ....a garganta arde ....  escorre uma lágrima.
- Trabalhei o dia todo, faz três dias que trabalho direto, com essa roupa quente, nesse calor infernal!!!!! Que merda!!!!!! Beijando criancinha!......tudo pra quê??????? Por ela.... pelas crianças...... Pelo nosso Natal....
.... eu sou um burro mesmo!!!!!! Tenho que me ferrar! ... sempre tive uma vida boa... Amigos, bar, mil namoradas...... nunca precisei me esforçar tanto pra ganhar alguma grana......!!!!!!
Ela era a mulher da minha vida..... logo no início  era perfeita, linda, gostosa, fazia tudo o que eu pedia..... Saia comigo..... até bebia uma cervejinha no bar, bem feliz da vida!!!!!
Se não fosse aquele pai e aquela mãe dela ia dar tudo certo, mas aquela velha vive metendo o bedelho, me chamando de vagabundo....O que eu posso fazer! Nunca tive sorte nos empregos. Era só começar a trabalhar e aparecia alguém pra implicar comigo. Minha mãe é que tinha razão, ela dizia que era inveja, que eu sempre fui perseguido por isso.
Mas ela!!! O que ela fez comigo hoje foi a gota d’água. Nunca mais!!!!!! O que é isso???? Em plena noite de Natal eu aqui sozinho!!! Depois de trabalhar feito um cão!!!!! Ainda arranjei tempo pra comprar presentinhos para os meninos. Comprei até um batom pra ela! Que ingrata!!!!!!
Não foi capaz de deixar um bilhete!!! Deve estar lá na casa da mamãe!!! Um longo suspiro, outro gole de cachaça, mais uma fungada....
Maria... não acredito que ela fez isso comigo!!!! Poxa vida levou as crianças, tudo...., não deixou nem uma jantinha pra mim!!!!! Vadia!!!!!
Meu filhos pô!!!! Ela sabe que eu adoro as crianças!!! Se eu pudesse dava tudo pra eles!!! Ela não notou que eu estava me esforçando nesse Natal?!?!?!?!? Quis fazer uma surpresa e trabalhei três dias no shopping, como Papai Noel, sem contar para ela. Achei que ia ficar feliz!!!!!!!
Sinto falta dela e das crianças!!!!!!! Lágrimas – outro gole, baixa a cabeça e a coloca entre as pernas.
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Sinto falta dele!!!!!!!! Nem acredito que tive coragem de largar tudo e vir pra cá. Dessa vez fui obrigada a ouvir os conselhos de minha mãe. Não dava mais mesmo!!!!!!!   Suspiro, um olhar perdido no nada.
Que bela Noite de Natal!!!!! Pelo menos as crianças estão felizes.... Minha mãe fez uma jantinha especial.... Eu não tinha nada pra preparar em casa..... Íamos passar mais uma noite como as outras..... as crianças indo pra cama cedo e eu sozinha, olhando para a porta, esperando ele entrar, bêbado pra variar.....
Sempre a bebida, os amigos, as amigas, tudo em primeiro lugar..... Eu a chata, a incompreensível.... A louca! Assim que ele me chama para os amigos....... – se a louca chegar, diz que não tô aqui.... se a louca ligar, diz que já fui e esqueci o celular......  Ele pensa que eu não sei!!!!!!
No início José era tão apaixonado, me dizia coisas lindas, me chamava de lindona, de coração! Ele tinha um abraço tão gostoso! Hoje mal me olha, virei “a louca” porque reclamo desse desamor. Suspiro....
Quantas vezes tive de buscá-lo no bar, até na calçada porque ele não conseguia subir as escadas lá de casa! Alugamos aquela casinha com a ajuda de meu pai e de minha mãe. Eles é que pagam o aluguel pra mim, me ajudam com o rancho para os meninos, colégio.
Ultimamente nem sexo tem rolado, sinto falta dele, do abraço..... mas não tem mais nada pra fazer... acabou... chega!!!!!!. Ele sempre diz: tu é a número um, as outras são as outras, não significam nada pra mim.... Isso não resolve, não apaga a dor que eu sinto a cada traição...
Porque a falta dele me aperta o peito? Não consigo nem chorar de tanta mágoa! Hoje é Natal e nem sei onde ele está, onde se meteu nos últimos dias!
Ela baixa cabeça, coloca as mãos entre as pernas e fica pensativa.

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Ainda vestido de Papai Noel, sentado na mesa de um bar com um copo de cachaça na mão, José fala sozinho: Se ela quer assim, assim será, vou encher a cara! ..... Ela que se dane! ....... Vou pegar a primeira desgarrada que aparecer por aqui....... Não tô nem ai!!!!! Se ela pensa que vou sofrer, está muito enganada..... vou mais é festejar!
Ele da uma risada alta, forçada, falsa, seguida de um suspiro profundo. Outro gole, ele levanta, vai até o banheiro, tira máscara, olha-se no espelho e deixa outra lágrima escorrer, não segurando mais a emoção, chora compulsivamente – enquanto, do bar, ouve-se a música Noite Feliz, cantada pelos companheiros de bar.
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Maria olha mais uma vez, numa vaga esperança de que aquele vulto, tão conhecido, apontasse no início da rua – entra em casa procurando disfarçar os olhos vermelhos – da um sorriso triste e senta-se à mesa ao lado dos meninos – todos cantam Noite Feliz.
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Ainda no banheiro do bar, José lava o rosto e fica olhando aquela imagem, olhos vermelhos, cabelo despenteado. Coloca o gorro e a máscara e sai apressadamente do bar.
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Maria está inquieta, o jantar acabou e as crianças estão abrindo os pacotes de presente. O sino da igreja toca meia-noite. Alguém bate na porta...... todos olham. Um dos meninos corre para abrir e grita: é o Papai Noel!!!!!!!
José tira a máscara e diz: Feliz Natal!  Larga o saco de Papai Noel no chão e  abraça Maria!
Vice-Presidente do IPMF