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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Exposição no Margs inaugura neste sábado em Porto Alegre

O quadro O Gato Preto, de Ado Malagoli, integra a exposição | Foto: Ado Malagoli / Divulgação / CP
 Estreia neste sábado no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Pç. Da Alfândega, s/nº), em Porto Alegre, a exposição “Recortes do Acervo – Pintura”. A mostra inaugura às 10h e ficará instalada na Pinacoteca e na sala Aldo Locateli até o dia 29 de março, com visitação de terças a domingos, das 10h às 19h. A entrada é gratuita.
Com curadoria coletiva da própria equipe do MARGS, a exposição reúne o trabalho de 95 artistas, nacionais e estrangeiros, integrantes do acervo do museu. Dentre as obras, que vão desde o final do século XIX até o período contemporâneo, destacam-se as telas acadêmicas “A Emigrante”, do italiano Napoleone Grady e “A Dama de Branco”, do brasileiro Arthur Timótheo da Costa. Ainda serão apresentadas quatro pinturas originais dos artistas Danúbio Gonçalves, Carlos Scliar, Glênio Bianchetti e Glauco Rodrigues, denominados “Os Quatro de Bagé”.

Fonte: Correio do Povo

segunda-feira, 24 de março de 2014

O Cânone Pobre: uma Arqueologia da Precariedade da Arte

Nova exposição inaugura quinta no Margs

Obra de Iberê Camargo integra mostra do Margs<br /><b>Crédito: </b> Fundação Iberê Camargo / Divulgação / CP
Obra de Iberê Camargo integra mostra do Margs 
Crédito: Fundação Iberê Camargo / Divulgação / CP
A curadora-chefe do Museu de Arte do Rio Grande do Sul/Margs (Praça da Alfândega, s/n), Ana Zavadil, assina “O Cânone Pobre: uma Arqueologia da Precariedade da Arte”, que abre nesta quinta, 19h. Participam 101 artistas, com 130 obras que usam materiais pobres, precários, instáveis e frágeis. A visitação segue até 4 de maio, sempre de terças a domingos, das 10h às 19h.

As obras canônicas privilegiam, historicamente, materiais nobres e duráveis, mas aqui há um deslocamento deste conceito, através da precariedade, seja material, metafórica ou simbólica. Desafia, assim, o aparato museológico e princípios convencionais, focando o acervo da instituição, com peças entre meados do século XIX e a contemporaneidade, e incluindo itens de coleções de artistas.

Na Fundação Iberê Camargo (Padre Cacique, 2000), neste sábado, das 11h às 13h, tem vernissagem de “Iberê Camargo: as Horas (o tempo como motivo)”. Lorenzo Mammi selecionou 22 pinturas e 26 desenhos, produzidos na década de 1980 pelo artista, em seu centenário, na exposição que prevê a exibição do filme “Iberê Camargo: Pintura Pintura” (1981), de Mario Carneiro e a reprodução do conto “O Relógio”, do artista. Segundo a curadora, ela se concentra no momento da “virada” mais importante na arte e fortuna crítica de Iberê e segue até 9 de novembro.

Também neste sábado, 11h, a Galeria Gestual (Lucas de Oliveira, 21) abre “Pretérito Mais-que-Perfeito”, de Romy Pocztaruk. Ela traz uma série fotográfica sobre as transformações de Sarajevo, 20 anos após a guerra da Bósnia, e um vídeo, “Traumberg”, onde a dimensão ficcional da realidade é ativada via registros realizados em ruínas urbanas, na cidade de Berlim. Finalmente dia 4 de abril, a Fundação Vera Chaves Barcellos, em Viamão, abre “Fotografia Transversa”, com curadoria de Adolfo Montejo Navas. A transversalidade da linguagem fotográfica é o mote da coletiva, que reúne um total de 48 obras das coleções que são da instituição, do curador, e também algumas delas emprestadas pelos participantes.

Fonte: Correio do Povo

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Arte e Feminismo no MARGS

Natural de Cachoeira do Sul, Ana Norogrando viveu 30 anos em Santa Maria, onde desenvolveu sua trajetória artística e acadêmica. Seu currículo impressiona pela solidez e aplicação dos conhecimentos adquiridos em várias áreas: desenho, pintura, tecelagem, litografia, xilogravura, escultura, fotografia, vídeo, design, pesquisas com luz e movimento.
E embora seu trabalho não deixe de denotar engajamento político e social, o feminismo de Ana não vem propriamente de uma militância que, se há, está nas suas obras. Estas a designam como uma artista contemporânea sem, contudo, perder o vínculo com a tradição, sobretudo aquela ligada ao trabalho e a cultura italiana que herdou de seus pais, agricultores.
Nesta exposição retrospectiva – que como tal impõe uma cronologia do seu percurso enquanto artista – consta inclusive o quadro “Modelo negra”, óleo sobre tela, feito em 1968, quando, ainda em Cachoeira do Sul, frequentava o curso intensivo de Pintura II, ministrado por Ado Malagoli. Ela aproveitaria a década de 1970 para aprimorar seus estudos e viajar pela Europa para conhecer museus e coleções de arte.
Sua grande guinada profissional foi nos anos 1980, quando começou a trabalhar com fibra metálica. Há nisso uma alusão a persona, ao temperamento feminino: “esse material, aparentemente, quando submetido, de longe, ao olhar, é suave. No entanto, é forte, rígido, resistente, adjetivos que também definem as qualidades da mulher”, salientou Ana Norogrando.
É desse período varias obras desta exposição, como, por exemplo: “Tramas e tensões”, de 1986, e “Peneiras”, de 1987. Esses trabalhos, cuja inspiração é o artesanato milenar com fins utilitários, ganham através de sua intervenção e do material empregado (tela metálica galvanizada, fios de cobre, barra de ferro), um diálogo com o mundo industrial.
Mas foi através de “Vul-crário”, de 1993 – uma escultura cuja forma lembra uma vagina – que Ana Norogrando produziu o seu trabalho mais polêmico, cuja visualização provoca no público um voyeurismo sensual. Contudo, esta obra – constituída de fibra metálica galvanizada, barra de ferro, massa plástica e tinta acrílica, e que faz parte do acervo do MARGS – é puro onirismo, flerte com o surrealismo. E mesmo nestes rincões passa longe do conceito baudelairiano de “épater le bourgeois” (chocar, escandalizar o burguês). Há outras peças cujas formas lembram a genitália feminina e pelos pubianos e que, dependendo da imaginação, assumem ares de portal rumo ao prazer ou nascimento. Ou seja, convidativas e sem dentes que ameacem o falo imaginário de algum machista imprudente. Ana, uma mulher alta e elegante, não é uma feminista “enragée”.
Gaudêncio Fidélis, num dos textos que escreveu no livro homônimo ao da exposição, faz uma analogia entre “Vul-crário” e alguns trabalhos da americana Georgia O’Keeffe (1887-1986): “uma das precursoras de uma abordagem feminista nas artes visuais no contexto americano, tendo realizado pinturas biomórficas abstratas em que a forma do órgão sexual feminino ‘aflora’ literalmente através de imagens de flores voluptuosamente pintadas em grandes formatos”.
As referências não param por aí. Se “Vul-crário” remete as flores de O’Keeffe, e suas vulvas, a instalação “Terra” lembra o trabalho de outro artista norte-americano, Robert Smithson (1938-1973), um dos expoentes da Land Art, famoso por seu “Broken circle”, espiral de terra localizada em Emmen, Holanda, realizada em 1971. Ana, em sua instalação, coletou 33 tipos de terra entre Porto Alegre e Santa Maria, inserindo discos de arados danificados encontrados no interior do estado. Trata-se de uma clara homenagem ao árduo e sofrido (33, idade de Cristo) labor dos camponeses gaúchos e sua religiosa fé na redenção pelo trabalho.
Também é interessante a escultura “Klein, Desomenagem”, de 2013, construída a partir de um manequim, água, anilina e tecido artesanal de seda e algodão. Nela há uma forte alusão ao monocromatismo do artista plástico francês Yves Klein (1928-1962), e sua obsessão pelo azul, levando-o a criar o YKB (Yves Klein Blue). Esse trabalho não deixa de ser um convite ao público a checar, na Fundação Iberê Camargo, algumas obras de Klein que integram a Exposição Zero.
Já a videoinstalação “Interlúdio”, gravada em 2012, mostra imagens dos pores do sol a partir da Ilha dos Marinheiros, Porto Alegre, casa-atelier de Ana Norogrando. Essa incursão de Ana no audiovisual não se circunscreve somente a vídeo-arte. Ela realizou trabalhos que se inserem no gênero documentário, mostrando a natureza e a pobreza das populações ribeirinhas, assim como a necessidade de preservação ambiental do Delta do Jacuí. Isso a levou fazer um trabalho socioeducativo, incluindo oficinas, junto a estas pessoas que são, também, seus vizinhos.
Em seu conjunto, percebe-se que a obra de Ana Norogrando está bem sintonizada com a arte contemporânea. Suas influências têm um toque brasileiro, antropofágico, tão bem representado pela sua escultura “O canibal”, de 2000, que simboliza nossa forma de apreensão e recriação das coisas. Tudo isso torna a visita ao MARGS um ótimo programa para quem estiver ou passar pela capital gaúcha durante este verão.
Francisco Ribeiro
Ana Norogrando: obras 1968-2013
MARGS (Praça da Alfândega)
De terça a domingo, das 10h às 19h.
Até 23 de março
FONTE: JORNAL JÁ

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Margs recebe exposição com obras de Ana Norogrando

Mostra apresenta uma retrospectiva da artista gaúcha

Margs promove a primeira retrospectiva da artísta plástica<br /><b>Crédito: </b> Margs / Divulgação / CP
Margs promove a primeira retrospectiva da artísta plástica 
Crédito: Margs / Divulgação / CP
Uma leitura original da obra de Ana Norogrando, enfatizando o seu perfil ativista, é a proposta da exposição que abre nesta quinta-feira, às 19h, no Margs (Praça da Alfândega, s/n), em Porto Alegre. A primeira retrospectiva da artista, intitulada “Ana Norogrando: Obras de 1968-2013”, dá ênfase ao caráter feminista da sua trajetória, resgatando seus mais diversos aspectos. Também será lançado um livro com textos e fotos de trabalhos deste período.

A mostra aponta a relevância de Ana para o contexto da escultura no Estado e determina ainda um espaço no âmbito da arte brasileira que se pode considerar indispensável para entender o significado da produção de artistas mulheres. “Foi dada grande ênfase ao caráter feminista da sua obra, resgatando seus mais diversos aspectos. Estabelece ainda um espaço no âmbito da arte brasileira que podemos considerar como sendo indispensável para entendermos o significado da produção de artistas mulheres”, diz o diretor do museu, Gaudêncio Fidelis.

A exposição acentua sua inclinação para a arte têxtil e culmina em obras mais recentes de uma trajetória consolidada em Santa Maria, onde trabalhou na universidade federal. A carreira evoluiu com inquietação social com um viés feminista. Suas obras, inicialmente sobre o plano, emergiram depois para a tridimensionalidade e para uma conquista do espaço expositivo.

Fonte: Correio do Povo

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Lançado pregão para reforma no ar-condicionado do Margs

Museu está sem climatização desde dezembro, o que gera risco para conservação das obras

Lançado pregão para reforma no ar-condicionado do Margs<br /><b>Crédito: </b> Luis Gonçalves / CP Memória
Lançado pregão para reforma no ar-condicionado do Margs 
Crédito: Luis Gonçalves / CP Memória
A Secretaria Estadual da Cultura confirmou que a reforma no sistema de ar-condicionado do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs), em Porto Alegre, está encaminhada. Conforme uma nota encaminhada pela assessoria de imprensa, o processo de compra e substituição das peças do equipamento, de mais de 15 anos de uso, demanda a abertura de pregão eletrônico. 

O processo já está na Central de Licitações e o custo estimado é de R$ 100 mil. Os interessados devem encaminhar propostas em até sete dias. Caso ninguém demonstre interesse, um segundo pregão deve ser aberto. 

A presidente da Associação de Amigos do Margs, Beatriz Fleck, disse esperar que a solução para o problema da climatização ocorra o mais breve possível. Conforme ela, desde dezembro o museu está sem ar-condicionado, o que pode danificar as obras expostas no local. 

Além disso, segundo a presidente da associação, quando ocorrem temporais na Capital o subsolo do Margs inunda, o que já provoca a deterioração no piso. Ela garante que mantém contato com a prefeitura e que já houve vistorias, mas até o momento não foram providenciados os reparos necessários. 

Fundado em 1954, o Margs é o principal museu de arte do Estado e um dos mais importantes do Brasil, com acervo que reúne mais de 2,8 mil obras de artistas nacionais e internacionais.

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Fonte: Camila Kila / Rádio Guaíba