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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

"Patas Arriba" é destaque na programação do Multipalco do Theatro São Pedro

Com coreografia de Rui Moreira, espetáculo inicia temporada na Concha Acústica do Multipalco | Foto: Andrea Ludwig Cocolichio / Divulgação / CP

Livremente inspirada na obra “Patas Arriba — La Escuela del Mundo al Revés”, de Galeano, o espetáculo “Patas Arriba”, de Rui Moreira, será exibido a partir desta segunda, às 19h30min, na Concha Acústica do Multipalco do Theatro São Pedro. A entrada é franca; haverá reapresentações amanhã, quarta e quinta-feira; e nos dias 26, 27, 28 e 29, além de 3 e 4 de fevereiro, mesmo horário e local.
Se Alice, do “País das Maravilhas”, renascesse nos nossos dias, não necessitaria de um espelho para descobrir o mundo ao revés. Para explorar o mundo, ao contrário, bastaria que a personagem de Lewis Carroll olhasse através de uma janela. É o que medita Eduardo Galeano na sua obra “Patas Arriba”. O diretor e coreógrafo Rui Moreira partiu dessa ideia para a obra de dança, engajada no questionamento de uma sociedade controversa e na poética da simplicidade dos meios de vida. Em “Patas Arriba”, é desenvolvido um minucioso trabalho de pesquisa e uma longa jornada de ensaios e experimentações, para expressar um mundo de “pernas pro ar”. Contemplado com o Prêmio Klauss Vianna, o espetáculo tem elenco gaúcho formado por bailarinos contemporâneos e dançarinos de danças urbanas. “Protagonistas centrais do processo, eles se entregaram à provocações nos encontros de trabalho e confrontaram suas heterogêneas realidades cidadãs. Foi lindo mediar esse encontro”, revelou Rui Moreira.

Fonte: Correio do Povo

domingo, 20 de janeiro de 2013

O rock morreu

Postado por Juremir Machado da Silva em 20 de janeiro de 2013 - Sociedade do Espetáculo
Escrevi que o rock começou a morrer com a morte de Janis Joplin,  a cantora emblemática de um espírito, de uma atmosfera, de uma revolução.
Alguns leitores ficaram indignados e dispararam os clichês corretivos.
Garantiram que o rock está vivo e que tem muita banda boa por aí, dando Porto Alegre como exemplo dessa imortalidade roqueira.
O rock morreu é uma fórmula que exige análise de discurso.
A morte sempre deixa seus fantasmas, sombras que andam muito tempo depois da extinção do corpo com relativa autonomia e alguma criatividade.
O rock foi uma revolução.
Um imaginário.
Nenhuma das bandinhas que andam por aí, mesmo quando são boas, inventará um imaginário capaz de igualar Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison. Daria para citar Bob Dilan e mais alguns mitos.
Essa revolução já se completou.
Ela ajudou a mudar a mundo.
Mas, como tudo, foi engolida pela voragem do tempo, pela ideologia da novidade e por uma superação do seu objeto: a rebeldia.
O rock, no fundo, foi sempre contracultura, mesmo antes de ser conceitualmente, utopia e sociedade, como dizia o outro, o maluco, alternativa. Estamos noutra era, uma era na qual o rock é apenas música, nostalgia ou divergência para poucos, muito poucos, sempre menos, vestígio.
O rock, como revolução e imaginário, teve uma dinâmica viral.
Espalhava-se na velocidade da explosão mental.
A contracultura morreu.
O rock não poderia sobreviver a ela.
Não há mais resistência aos padrões do chamado “sistema”?
Claro que há. Mas o rock não é mais a sua expressão principal.
De certa maneira, claro, o rock viverá para sempre: como um espectro.
Encontrei meu colega Carlos Gerbase, roqueiro, nos bons tempos, de “Os Replicantes”, e comentei sobre a morte do rock. Ele respondeu com a rapidez no gatilho de Django (estávamos lá para ver o filme de Tarantino):
– O rock morreu faz tempo!
Comentei o mesmo com Eduardo Bueno, o Peninha, que também estava lá para ver Tarantino (tudo mundo estava lá, o Sérgio Ludke e a Cacá, o Gerbase e a Luciana, o Peninha e a Paula, o Fernando Malheiros e a família, eu e a Cláudia, a Rose, a Lívia, o Sérgio Teixeira e mais uma sala cheia).
O rock é como Django: uma lenda viva.
Cada um pode reinventá-la.
O original, porém, aquele que dá aura ao fenômeno, ficou nos anos 60.
Dizer que o rock morreu não representa necessariamente ficar parado no tempo louvando uma época de ouro da cultura ou da contracultura.
Não admitir a morte do rock, como potência comportamental revolucionária, é que significa essa parada no passado, esse apego ao que radicalmente se foi.
O resto é mimimi.
Está faltando um Tarantino do novo rock.