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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Enciclopédia voltada às artes ganhará nova versão

Música, dança e cinema entram na base de dados da Itaú Cultural

Fonte para estudiosos, pesquisadores e trabalhadores da cultura, a enciclopédia digital do Itaú Cultural estará de cara nova a partir de janeiro. Até agora, estavam disponíveis para consulta as áreas de artes visuais, teatro, literatura e arte e tecnologia. Em 2014, começam a ser contemplados os episódios e artistas mais significativos também dos segmentos de música, dança e cinema. Outra diferença em relação à base de dados atual: toda a enciclopédia será acessada de forma unificada, e não separada por segmentos artísticos como acontecia até agora. 

"A experiência com o trabalho de catalogar e organizar acervos acabou deixando evidente que muitos artistas possuem atuação em diversas áreas", pontua Tânia Rodrigues, gerente das enciclopédias. Outro recurso disponível na enciclopédia são os vídeos, que complementam as informações dos verbetes com entrevistas dos artistas em questão, falando sobre seu trabalho e obras mais significativas. As gravações devem ter legendas em inglês, francês e espanhol. 

O que entra no ar em janeiro é uma versão beta do site, ainda passível de ajustes. Mas já será possível consultar 176 verbetes de cinema, 101 de dança e 459 de música. Somam 142 os vídeos disponíveis.Mesmo com as novidades, as áreas que já eram contempladas anteriormente devem continuar crescendo. Existem hoje para consulta na internet 5.556 verbetes de artes visuais, 914 de teatro, 655 de literatura brasileira e 109 de arte e tecnologia. 

O trabalho foi iniciado há cerca de 25 anos. À época, para chegar ao público, o banco de dados era transportado dentro de caminhões, que percorriam a cidade e recebiam visitantes. Em 2013, até novembro, o número de acessos à enciclopédia foi, segundo informações da entidade, de 12,5 milhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: (Estadão) Correio do Povo

Enciclopédia voltada às artes ganhará nova versão

Música, dança e cinema entram na base de dados da Itaú Cultural

Fonte para estudiosos, pesquisadores e trabalhadores da cultura, a enciclopédia digital do Itaú Cultural estará de cara nova a partir de janeiro. Até agora, estavam disponíveis para consulta as áreas de artes visuais, teatro, literatura e arte e tecnologia. Em 2014, começam a ser contemplados os episódios e artistas mais significativos também dos segmentos de música, dança e cinema. Outra diferença em relação à base de dados atual: toda a enciclopédia será acessada de forma unificada, e não separada por segmentos artísticos como acontecia até agora. 

"A experiência com o trabalho de catalogar e organizar acervos acabou deixando evidente que muitos artistas possuem atuação em diversas áreas", pontua Tânia Rodrigues, gerente das enciclopédias. Outro recurso disponível na enciclopédia são os vídeos, que complementam as informações dos verbetes com entrevistas dos artistas em questão, falando sobre seu trabalho e obras mais significativas. As gravações devem ter legendas em inglês, francês e espanhol. 

O que entra no ar em janeiro é uma versão beta do site, ainda passível de ajustes. Mas já será possível consultar 176 verbetes de cinema, 101 de dança e 459 de música. Somam 142 os vídeos disponíveis.Mesmo com as novidades, as áreas que já eram contempladas anteriormente devem continuar crescendo. Existem hoje para consulta na internet 5.556 verbetes de artes visuais, 914 de teatro, 655 de literatura brasileira e 109 de arte e tecnologia. 

O trabalho foi iniciado há cerca de 25 anos. À época, para chegar ao público, o banco de dados era transportado dentro de caminhões, que percorriam a cidade e recebiam visitantes. Em 2013, até novembro, o número de acessos à enciclopédia foi, segundo informações da entidade, de 12,5 milhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: (Estadão) Correio do Povo

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Outra ideia de alta cultura

MEMÓRIA

Museus situados em aglomerados urbanos da capital arquivam narrativas não encontradas em museus tradicionais

PUBLICADO EM 27/10/13 - 04h00
Um dos conceitos-chave da obra do pensador francês Michel Foucault é a noção de heterotopia, a construção de “um lugar de todos os tempos, fora do tempo”. Um espaço que encerre, em um só lugar, todas as épocas, formas e gostos possíveis, grandes arquivos, em uma totalidade “arqueológica”. Uma das ilustrações mais possíveis deste conceito, para o filósofo, é o museu. É bem possível que ele tinha em mente os históricos locais que guardavam as narrativas consagradas de nosso tempo.
E é bem possível também que ele se deliciaria com a ideia da construção de museus em favelas, onde estão histórias nem sempre vistas pela “alta cultura”. Numa inesperada inversão, falamos de uma “cultura do alto”, dos morros e aglomerados urbanos que, assim como tudo que pulsa vida, também deixa rastros, também produz memória. “A importância destas iniciativas passa por colocar em foco narrativas que não são hegemônicas na história”, destaca Cíntia Oliveira, coordenadora do programa Ponto de Memória do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus). A instituição tem como objetivo apoiar ações e iniciativas de reconhecimento e valorização da memória social. “O que fazemos é possibilitar recursos para que eles também possam compartilhar sua memória. Atualmente existem pontos de memória de diversas temáticas: afro-brasileiras, LGBTT, indígenas, ciganas. O museu é o instrumento de preservação por excelência e um espaço onde essa memória fica acessível”.

Mas a memória é apenas uma das amarrações lógicas por trás dos discursos a respeito de museus em favelas. A própria ideia de um museu “tradicional” é tensionada em falas como a de Wellington Pedro da Silva, do conselho responsável pelo Museu do Taquaril, na região leste da capital mineira. Desde o início, em 2009, a proposta do grupo era colocar a comunidade do Taquaril no protagonismo do projeto. “Um museu tradicional é tido como aquele que seu processo museal está voltado para dentro do próprio museu. Nesse sentido teremos os museus de história, de memória. São guardiões de um passado, de um modo de vida, em sua grande maioria com bens materiais”, afirma. A ideia de um museu em favela é diferente: é entender que os processos que envolvem a construção desse arquivo são também pensar em novas formas de se analisar a sociedade de modo geral.

Silva se filia a um movimento chamado Nova Museologia. “Há um pouco mais de 40 anos, museólogos se reuniram em Santiago, Chile, atendendo a uma convocação da Unesco para discutir a importância e o desenvolvimento do museu no mundo contemporâneo”, explica Silva. “Essa reunião previa a continuidade de muitos padrões da Nova Museologia na tentativa de promover a noção de um museu integral e integrado. O museu integrado é visto como um elemento integral e orgânico de uma estrutura social e cultural maior, como um elo de uma corrente e não mais como uma fortaleza ou ilha com acesso restrito”. Como sintetiza Oliveira, “o compromisso é com a construção social, e não mais com uma instituição fechada em si. A ideia é capturar os entornos também”.

Social. Estes entornos são pautados por questões que ultrapassam a fruição estética proporcionada pelo museu. Se Foucault falava em uma “imobilidade cristalizadora”, que nos deixasse longe do mundo “lá fora” quando adentrássemos um museu, o movimento nas favelas é de mobilidade. Museus como agentes de mudança e promotores do desenvolvimento, que se tornem “plataformas sólidas de gestão com vistas a ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas”, como argumenta Silva.

É difícil dissociar uma questão da outra. A gênese do Museu Muquifu, no Aglomerado Santa Lúcia, região sul de Belo Horizonte, vem de uma década atrás, no dia 10 de dezembro, quando uma bala disparada por alguém no local atingiu um policial militar. Como forma de repressão, os policiais ocuparam o local até o dia 24. Nesse período, assassinaram um morador local, que tinha o mesmo nome do suspeito de ter disparado o tiro no policial. “Um servente de pedreiro, (sem envolvimento com o tráfico) foi morto, próximo de onde hoje é o museu, na praça do Boi”, relata o Padre Mauro Luiz Silva, idealizador e curador do museu. “Essa situação de excessos da polícia gerou uma rearticulação da comunidade, com a intenção de fazer algo duradouro”. No ano seguinte nasceu a comissão Quilombo do Papagaio, que, anualmente, promove o evento Três Semanas de Paz e Cidadania, entre os dias 20 de novembro (Dia da Consciência Negra) e 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). Uma das edições tratou da questão da preservação da memória. “Já existia um vasto material produzido, escrito, fotográfico, e queríamos guardar isso em um lugar que não fosse nas gavetas. Decidimos criar um espaço, o Muquifo, onde essas coisas ficariam expostas”, lembra o pároco.

O inventário, portanto, é local e partilhável. Como aponta Oliveira, o acervo de um museu é algo próximo do que acontece com nossas famílias. “Mas nesse caso não é só para você, é para todos, para a comunidade. É a localização de repositórios de memória, do acervo que a comunidade vai decidindo”.

Visite
Museu do Taquaril
Rua Pedro de Cintra, 156. Taquaril A

Museu dos Quilombos e favelas Urbanos (Muquifu )
Beco Santa Inês, 30. Barragem Santa Lúcia

sábado, 26 de outubro de 2013

Tradições japonesas são tema de exposição em Porto Alegre

Mostra de Atsuo Nakagawa pode ser visitada até 23 de novembro

Atsuo Nakagawa exibe trabalhos na Hemb, a paritr das 16h<br /><b>Crédito: </b> Agência Lema / Divulgação / CP
Atsuo Nakagawa exibe trabalhos na Hemb, a paritr das 16h
Crédito: Agência Lema / Divulgação / CP
Entre as exposições da agenda cultural, destaca-se a mostra do artista japonês Atsuo Nakagawa em Porto Alegre, que ganha abertura neste sábado, a partir das 16h até às 20h, na Hemb (Anita Garibaldi, 600). Um recorte com mais de 20 obras realizadas em diferentes suportes produzidas em acrílica sobre tela, escultura de madeira e pelúcia e alguma gravuras pode ser conferido.

O artista faz uma união entre Oriente e Ocidente por meio de um trabalho que mostra um Japão de tradições milenares, em direta associação com o novo Oriente, mas tecnológico e globalizado. A visitação é até 23 de novembro.

Na Galeria Arte & Fato (Protásio Alves, 1893) é inaugurada, às 20h, individual de Ana Baladão, “Inhotim à Índia”, composta de pinturas recentes que retratam a natureza. A sua inspiração foram as lembranças de viagens à Índia, Inhotim e o jardim de sua casa. Nesta nova séria, a cor predominante é o verde, transmitindo a sensação de tranquilidade. Mesmo que as pinturas tivessem tido sua origem em fotos de viagens, o resultado é totalmente diverso do original. Sobre a relação entre Inhotim e Índia, a artista diz: “Sou eu. Abriram-se em Inhotim, meus olhos e meu coração. A corrente de energia vital, visual, voltou a fluir, se construindo, ou se reconstruindo. Tanto faz se a imagem inicial foi colhida em Inhotim ou às margens do Mar da Arábia, em Mumbai, ou até mesmo no meu jardim. Eu e elas somos um”.

O Estúdio Hybrido abre, às 19h, “O Som da Tinha: Arte Acessível e Sensorial”, na Sala Radamés Gnatalli da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736). Serão mostrados os resultados das oficinas de xilogravura desenvolvidas pelo Hybrido, em parceria com a Tagarelas Audiodescrições e a professora Ana Cristina Meneghetti, para pessoas com deficiências sensoriais interessadas em protagonizar processos criativos. Estarão expostas as matrizes de madeiras, as impressões em papel e os registros em vídeo, bem como som ambiental específico para a coletiva, equipada com audiodescrição e legendas, viabilizando o acesso para deficientes visuais e auditivos ou ainda sugerindo que o público feche os olhos e ouvidos e simule a mesma experiência dos artistas.

Também neste sábado, das 10h às 17h, o Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (Muhm) estará no Parque da Redenção divulgando suas exposições e ações educativas da instituição. Quem passar pelo local terá a oportunidade de ver uma mostra das peças do acervo e de conhecer melhor o trabalho voltado às escolas. A ação é comemorativa ao mês do médico e ao aniversário do museu.
Fonte: Correio do Povo

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Culturas de mulheres africanas são foco de documentário no Festival do Rio

Cristina Indio do Brasil - Agência Brasil


Rio de Janeiro - Os encontros com mulheres de diferentes culturas de países da África são o centro do documentário Tão Longe É Aqui, da diretora Eliza Capai, que será apresentado amanhã (8) na mostra Novos Rumos da Première Brasil do Festival do Rio, no cinema do Centro Cultural Justiça Federal, no centro do Rio de Janeiro.
A documentarista e jornalista disse à Agência Brasil que a motivação da viagem ao continente africano foi entender a identidade brasileira influenciada por uma bagagem cultural africana tão forte e ainda desconhecida. “A gente tem ideias genéricas de lá. A viagem parte desse genérico das africanas, escolhemos países com culturas diferentes para contradizer a unidade das africanas”, explicou.
Eliza Capai, jornalista especializada em pautas internacionais de gênero e direitos humanos, começou a viagem em janeiro de 2010 com uma câmera e uma mochila. Durante sete meses visitou Marrocos, Cabo Verde, Mali, Etiópia e África do Sul e se deparou com assuntos diversos como poligamia, o uso do véu, mutilação, aids e punições para o sexo antes do casamento. “As mulheres que eu encontrei eram absolutamente diferentes, tanto da gente, como entre elas”, disse.
A jornalista e documentarista contou que quando chegou na Etiópia e no Mali, onde foi a vilas em lugares mais isolados, notou que a busca pela identidade brasileira seria mais difícil. “O ser brasileira não significava nada, porque como não há turistas brasileiros lá e não tem energia elétrica, quando eu falava me associavam a uma europeia. E no lugar de ser de um país colonizado, eu virei a colonizadora. O fato de eu ser reconhecida como colonizadora foi uma experiência muito forte”, disse.
Para Eliza, o fato de lidar com o incompreensível o tempo todo na Etiópia, porque não ser colonizado e não ter uma língua em comum, a obrigava a simplesmente observar sem querer julgar a cultura local. “Fui para responder algumas questões e voltei com muito mais dúvidas e interrogações. Acho que essa foi a grande riqueza da viagem”, analisou.
Em Marrocos o contato com uma advogada também gerou na diretora muitas reflexões sobre o islamismo.  “Ela é islâmica, não bebe, mas não usa véu e exerce o islamismo da forma dela. Quando eu comecei a falar do feminismo, ela disse que o véu faz a mesma coisa da teoria feminista que é proteger a mulher dos olhares mais para baixo. Ela deu uma outra leitura do islamismo e fiquei muito feliz de ter um outro ponto de vista. O que mais me impactou foi repensar conceitos que eu tinha, repensar estereótipos”, disse. 
A diretora destacou que o filme, que não recebeu recursos oficiais, foi produzido com o esforço de amigos e com financiamento coletivo. O documentário foi exibido em julho no Festival Internacional de Cinema Feminino Femina, no Rio de Janeiro, e levou o Prêmio Especial do Júri.
Edição: Fábio Massalli

  • Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0
  • Fonte: EBC

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Diálogo entre arte e fotografia é objeto de exposição em São Paulo


Camila Maciel
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Um diálogo entre arte e fotografia. Essa é a proposta da exposição Fronteiras Incertas, que pode ser conferida até o 27 de julho de 2014, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Universidade de São Paulo (USP). Foram selecionadas 120 obras do acervo do museu, datadas a partir da década de 1970, que expressam um período histórico efervescente entre artistas e fotógrafos com as possibilidades de ampliação da fotografia para além do seu aspecto bidimensional. Começava-se a explorar outros suportes, como objetos, livros e instalações.
"O título da exposição aponta para o início dessa hibridação que ocorre historicamente a partir dos anos 1970, mas que hoje é bastante presente na arte contemporânea, basta ver as exposições que a gente encontra no circuito", explica Helouise Costa, curadora da mostra. Ela desenvolveu um trabalho de pesquisa que analisou a entrada da fotografia como arte nos museus. "Fiz um estudo sobre as primeiras fotografias que entraram no acervo do MAC e que mostram um caráter experimental muito acentuado naquele momento", disse.
A exposição foi organizada a partir das fotos do anos 1970, mas também mostra aquisições recentes do museu, até 2010, além de obras que pertencem à coleção do extinto Banco Santos, e que, atualmente, estão sob a guarda do MAC. Em comum, elas trazem o resultado de um diálogo entre "técnicas e saberes, como pintura, escultura, fotografia, vídeo, cinema, teatro, literatura, jornalismo, moda, design, ciência e computação, para citar apenas algumas entre múltiplas possibilidades", explica a curadora.
Embora a curadoria não destaque uma obra ou artista específico, tendo em vista que não é esse o objetivo da mostra, um conjunto de 38 fotos polonesas, que foram expostas pela primeira vez no MAC em 1974, devem chamar a atenção do público. "Desde a entrada [da obra Fotografia Experimental Polonesa] no acervo, ela nunca mais foi exposta por problemas de conservação", explica Helouise Costa. Segundo ela, naquele tempo não havia preocupação com questões de conservação e muitas delas ficaram comprometidas devido ao suporte ou por causa da utilização de colas inapropriadas.
"Fizemos um projeto de restauração e agora elas estão colocados para visitação pública pela primeira vez depois dos anos 1970. Elas trazem uma perspectiva nova para a gente pensar o que era exposto naquele momento em São Paulo e as possíveis relações e referências que esse trabalho pode nos permitir observar na produção contemporânea", disse a curadora. Também serão contemplados trabalhos de artistas como Waldemar Cordeiro, Claudia Andujar, Misha Gordin, Mario Cravo Neto e David Hockney, entre outros.
A exposição Fronteiras Incertas: Arte e Fotografia no acervo do MAC-USP pode ser visitada, gratuitamente, às terças-feiras, das 10h às 21h, e de quarta-feira a domingo, das 10h às 18h. O MAC fica na Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301.
Edição: Fernando Fraga
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil. Para reproduzir o material é necessário apenas dar crédito à Agência Brasil

domingo, 29 de setembro de 2013

Professor de arquitetura comenta o movimento pela preservação das casas da Rua Luciana de Abreu


Conjunto localizado no bairro Moinhos de Vento tiveram valor histórico negado e podem ser demolidas.


Professor de arquitetura comenta o movimento pela preservação das casas da Rua Luciana de Abreu Ricardo Duarte/Agencia RBS
Após 11 anos de disputa, decisão judicial de 16 de setembro negou o valor histórico de seis casas construídas na década de 1930 na rua Luciana de Abreu, em Porto AlegreFoto: Ricardo Duarte / Agencia RBS
Com frequência, as questões atinentes ao patrimônio arquitetônico ganham destaque e, pela sua relevância, não dizem respeito apenas àqueles envolvidos por dever de ofício. E é isso o que está ocorrendo em Porto Alegre, resultado da ameaça de demolição de um significativo conjunto de casas localizadas na Rua Luciana de Abreu, no bairro Moinhos de Vento.

Trata-se de um caso particular, mas que envolve questões que o transcendem e como tais devem ser tratadas. E é isso que me proponho fazer, sobretudo, a partir daquilo que há quase um século foi dito pelo austríaco Max Dvorák (1874 – 1921), historiador da arte da Escola de Viena, no seu livro de 1916 Catecismo da Preservação dos Monumentos, escrito “a partir do ponto de vista de quem convive com problemas relativos ao patrimônio, identificando uma grande quantidade de atitudes prejudiciais à sua preservação”. No capítulo intitulado Perigos que Ameaçam os Antigos Monumentos, ele afirmava então que eram ainda consideráveis esses riscos, cujas origens estariam: na ignorância e na negligência; na cobiça e na fraude; nas ideias equivocadas a respeito do progresso e das demandas do presente; na busca descabida de embelezamento e renovação; na falta de uma educação estética, ou numa educação estética equivocada.

Malgrado o tempo decorrido da época em que foram formuladas essas denúncias, e mesmo considerando que desde então, inclusive no Brasil, avanços significativos ocorreram no que concerne à preservação da arquitetura de interesse patrimonial, os males ali elencados, e suas origens, continuam atuais. E são elas que precisam ser combatidas, seguindo os exemplos deixados por todos aqueles que a isso dedicaram parte significativa de suas vidas. Entre eles, na França do século 19, estava o romancista Victor Hugo, que, por meio do manifesto Guerra aos Demolidores, escrito em 1825, já denunciava como vandalismo aqueles atos que atingiam, por vezes de morte, o patrimônio arquitetônico, aí incluindo os imóveis de propriedade privada. “Chegou o momento de não mais permitir a quem quer que seja que permaneça em silêncio, dizia ele ... É preciso fazer parar o martelo que mutila a face do país... Quaisquer que sejam os direitos da propriedade, a destruição de um edifício histórico e monumental não deve ser permitida... Há duas coisas em um edifício: seu uso e sua beleza. Seu uso pertence ao proprietário, sua beleza a todo mundo”. 

Voltando ao que afirmava Dvorák, recorde-se que já no início do século 20, “as enormes cidades configuravam-se cada vez mais como centros econômicos, nos quais a maior parte do que havia restado do passado foi sacrificada sem piedade, em nome das exigências econômicas: meios e vias de transporte, casas comerciais e escritórios... Essa transformação foi tão rápida que, muitas vezes, não se teve tempo ou iniciativa para conferir aquilo que era realmente urgente. Ao contrário, destruíram-se cidades cega e aleatoriamente para substituí-las por novas...” Frise-se que, para ele, opor-se a isso não significava ignorar que as cidades são entes vivos, sendo a mudança inerente à sua própria natureza. O problema não está aí, mas sim de que mudança se trata, quais são os seus motivos e quais as suas consequências. E nesse particular, dizia ele, “vale lembrar ainda que, muitas vezes a ‘modernização e embelezamento’ da cidade são apenas um pretexto, uma vez que a verdadeira motivação encontra-se nos ganhos obtidos pelos especuladores imobiliários, em prejuízo da comunidade” (os grifos são meus). 

Dvorák não pretendia, para usarmos expressão recorrente entre os defensores do falso progresso, “engessar” a cidade.  Dizia: “Seria certamente injusto e de pouca visão querer impedir que se levasse em conta as novas exigências das grandes cidades. Obviamente, na grande maioria dos casos, não se trata disso, mas de uma modificação tipicamente rotineira, através da qual... (se) destroem antigas partes da cidade sem a menor razão,  onde se poderia, com o mínimo de boa vontade, ter salvado muita coisa que foi intencionalmente destruída para sempre”.

No caso aqui em questão, destaque-se que aqueles que defendem a manutenção das referidas casas não o fazem de maneira indiscriminada. Não são contra qualquer demolição, pois se assim o fossem, ter-se-iam igualmente oposto àquelas que estão ocorrendo, por exemplo, na rua Doutor Timóteo. Os que estão em defesa da Luciana de Abreu são movidos por motivos dignos. Apenas não concordam com a absurda afirmação de que os proprietários daqueles imóveis têm o direito de usá-los como melhor lhes convier. Nem tampouco, como já foram acusados, são prisioneiros do passado, mas sim defensores de um futuro que, no caso, não ignora o valor e a singularidade do patrimônio herdado das gerações precedentes; conscientes de que não temos o direito de destruí-lo e jamais poderemos recriá-lo. 

Pergunto-me o que aconteceria se as antigas casas da Rua Padre Chagas, que individualmente não possuem grande valor histórico e artístico, fossem destruídas, em nome do “desenvolvimento” e do direito à propriedade, cedendo espaço à construção de grandes prédios. Estaríamos, é claro, irremediavelmente destruindo algo cuja importância transcende os limites do bairro em que se encontra. Lugares como esse, com a natureza e a qualidade que têm, não se criam artificialmente, são únicos e insubstituíveis, frutos tão somente das histórias singulares das cidades onde estão. 

Não se trata de tudo preservar. Seria uma atitude tão absurda e inconsequente como achar que só devem ser protegidas as obras de valor histórico e artístico excepcionais. A qualidade de vida das cidades e o significado cultural e antropológico das mesmas não se limitam a essas. Na maioria das vezes, são aqueles lugares não prestigiosos e aparentemente insignificantes os que, literalmente, mais nos tocam, pois com eles podemos estabelecer uma relação direta, próxima e sensível, sem a distância e o peso decorrentes do caráter das obras magnificentes e suntuosas. E a vida na cidade, no seu cotidiano é, ou deveria ser, constituída desses lugares que, como dizia Dvorák, “possuem uma importância incomparável e um significado que atinge a todos os homens, sejam eruditos ou não”.  É preciso pois dar eco à sua voz, fazendo-a renascer e ressoar, hoje ainda mais forte do que antes, posto que, como dizia ele, quem destrói arquitetura de valor patrimonial “é um inimigo de sua cidade e de seu país e prejudica a comunidade, pois as obras de arte públicas não foram criadas para esse ou aquele indivíduo, e aquilo que elas encarnam enquanto obras de arte... recordações ou qualquer outro sentimento, é um patrimônio... Ter consciência disso deve ser uma obrigação de toda a pessoa culta”.

É verdade que Dvorák usou, sobretudo, a expressão “monumento” associada à palavra “patrimônio”, o que é compreensível para sua época. Mas é igualmente verdade que esse último conceito foi sofrendo salutar transformação ao longo do século 20, abrangendo hoje um universo mais amplo e diversificado dos chamados bens patrimoniais. E, tudo faz crer, ele já era sensível a isso e tinha consciência de que o território do patrimônio a ser protegido não deve se constituir tão somente de obras individuais excepcionais: “A proteção de monumentos  não pode se limitar a algumas obras de artes singulares, mas deve incluir tudo o que puder ser considerado um bem artístico público no mais amplo sentido do termo. E as coisas de menor importância geralmente demandam mais atenção do que as mais significativas”.

Façamos coro com o mestre austríaco, reafirmando, em alto e bom tom, que “não se poderá mais responder às questões que a respeito se colocam argumentando com ideias de progresso e novos tempos... Os administradores da cidade têm obrigação de se esforçar para que nenhum sacrifício ou esforço seja poupado quando se trata do destino de antigas construções e áreas da cidade, visto que também lhes cabe cuidar desses assuntos”, não permitindo que bens patrimoniais sejam sacrificados sem necessidade e contra os interesses da comunidade, dando assim prova de boa condução dos negócios públicos.
CULTURA
Fonte: Zero Hora

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Guia procura aproximar cariocas de museus

Diego Mello

MAM, Museu da República e Museu de Arte do Rio (MAR). Fotos: DivulgaçãoEm agosto de 2013, o Rio de Janeiro recebia a 23ª Conferência Geral do conselho Internacional de Museus. Com o apoio da Secretaria de Estado e de Cultura, o evento reuniu mais de 2500 profissionais de museus de todo o mundo. Dentre eles, estava Mariana Varzea, Superintendente de Museus do Estado do Rio de Janeiro. Junto com a professora da UNIRIO, Regina Abreu, ela teve a ideia de fazer uma publicação que apresentasse a rede de museus da Cidade Maravilhosa. Assim, surgia o "Guia Museus RJ".
Por meio de uma parceria entre a Superintendência de Museus da Secretaria do Estado de Cultura, e a UNIRIO, através do Programa de Pós-Graduação em Memória Social, autor do portal Museus do Rio coordenado pela professora Regina, o "Museus Rj" foi dividido em quatro partes. Na primeira, as 72 instituições de maior destaque no estado são listadas. Na segunda, há sugestões de percursos em todas as regiões. Na seguinte, separadas por ordem alfabética, estão todas as instituições abertas ao público. Por fim, um mapa da cidade do Rio de Janeiro indica os museus da capital, as pequenas instituições e, também, os museus em comunidades.
Mariana Varzea. Foto: Reprodução
Inicialmente, foram distribuídos cinco mil exemplares para museus, bibliotecas e escolas. Instituições que, segundo Mariana, devem se conhecer melhor. "A intenção dessa iniciativa é justamente fazer com que estes grupos se conheçam e se reconheçam, norteados pelas informações disponíveis neste guia. Acreditamos que pode ser o primeiro passo para a apropriação dos museus pelos seus públicos", falou ao SRZD.
Além dessas instituições, quem pode fazer bom proveito do "Museus RJ" são os cariocas em geral, também um dos alvos da publicação. "A criação dessa publicação tem como objetivo aproximar os museus dos cariocas e vice-versa, mostrando que os museus representam a nossa diversidade cultural e que estão de braços abertos".
Para Mariana, a tradição do Rio de Janeiro ajuda na hora da criação de um guia como esse, já que toda forma de arte e história pode ser encontrada na cidade. "O Rio é capital Cultural do Brasil, aqui e em todas as regiões do estado encontramos lugares de memória de toda a nossa história. Os museus tratam disso de forma lúdica e variada, e nossa intenção é promover essa descoberta, de forma inclusiva e atualizada", disse.
Após o lançamento da publicação, começa um trabalho de mapeamento do público nos museus. Segundo Mariana, o número de visitantes cresce cada vez mais. "Isso com certeza tem a ver com o morador da cidade, que cada vez mais indica nossos museus", afirmou.
Nenhum museu foi deixado de fora do "Guia Museus RJ". Tudo para fazer o mercado na cidade crescer e, junto com ele, o do Estado. "É preciso pensar mais além da cidade, e sim considerar que o Estado do Rio possui uma rede forte e relevante, composta por cerca de 280 instituições e que nesse guia, pudemos reunir essa informação e torná-la acessível ao público carioca, brasileiro e estrangeiro. Um primeiro passo para que essas instituições recebam o público e a atenção que merecem", finalizou Mariana.
Para quem quiser saber mais sobre o "Guia Museus RJ", está disponível para download uma versão digital da publicação. É só acessar o site Cultura RJ: www.cultura.rj.gov.br
Fonte: SRZD

sábado, 7 de setembro de 2013

São Paulo adere ao Sistema Nacional de Cultura

Fernanda Cruz - Agência Brasil06.09.2013 - 13h55 | Atualizado em 06.09.2013 - 15h00

sistema nacional de cultura bailarina
O governo do estado formalizou hoje (6) a adesão ao Sistema Nacional de Cultura, um programa do Ministério da Cultura voltado ao estímulo e à integração de políticas públicas no setor(Agência Brasil)
São Paulo – O governo do estado formalizou hoje (6) a adesão ao Sistema Nacional de Cultura, um programa do Ministério da Cultura voltado ao estímulo e à integração de políticas públicas no setor. Em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, a ministra Marta Suplicy anunciou repasse anual de R$ 12 milhões, que serão somados à verba de R$ 6 milhões aplicada anualmente no setor pelo governo paulista. Segundo a ministra, o programa vai durar dois anos, com investimento total de R$ 36 milhões dos dois governos.
Marta disse que a iniciativa tornará a cultura mais presente nas cidades paulistas, que poderão se inscrever no programa pela internet. A ministra explicou que, para participar, a cidade deve cumprir uma série de requisitos. "Um deles é ter uma coordenadoria de cultura, se for uma cidade pequena, um fundo para serem feitos os repasses, uma comissão mista – sociedade civil e prefeitura – e um plano de cultura”, explicou.

Na capital paulista, está prevista a aplicação de R$ 6 milhões ao ano, além de R$ 3 milhões disponibilizados pela prefeitura. Com os recursos, serão criados 80 pontos de Cultura, ou seja, centros voltados ao estímulo de atividades como artes plásticas, música, dança, circo, teatro e cultura na terceira idade.
No estado, serão ampliados os 700 pontos de Cultura existentes e criados mais seis, voltados para a cultura indígena. “É um programa que vai crescer e ser levado a todo o estado, desde um município pequeno até a capital. Então, ele tem capilaridade”, ressaltou o governador Geraldo Alckmin.
Edição: Nádia Franco


  • Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0
  • Fonte: EBC

sábado, 10 de agosto de 2013

Homo lattes

Problemas em concursos para professores são reflexo da estrutura produtivista e burocrática das universidades públicas nacionais

Por Sérgio Bruno Martins

Em artigo publicado neste caderno na semana passada, o professor Angelo Segrillo toca num ponto delicado: os processos de seleção para professores em universidades públicas. Trazendo a público um “segredo de polichinelo”, ele relata que não é raro acontecerem concursos claramente “arranjados” para favorecer candidatos ligados a grupos específicos e outras artimanhas do gênero. Contra esse quadro patrimonialista, sugere Segrillo, o ideal seria aproveitar o atual clima de insatisfação “com todo tipo de corrupção no país” para se propor mecanismos mais transparentes, impessoais e padronizados; uma possibilidade aventada é a criação, pelo Ministério da Educação, de uma comissão independente para este fim.

Concordo integralmente com Segrillo a respeito da necessidade de enfrentar abertamente essa questão. No entanto, creio que o enfoque na corrupção perde de vista sua dimensão mais fundamental: a estrutura acadêmica da qual o atual modelo de concursos públicos faz parte. A ênfase na moralização dos concursos não só deixa intocada tal estrutura, como tende a reforçá-la; é como se nada em seu cerne merecesse crítica, faltando apenas azeitar melhor a máquina através de um controle mais rigoroso das pessoas que nela operam. A palavra de ordem é impessoalidade. Mas será que tudo realmente se resume ao erro humano? E será que tamanha padronização não ameaçaria a diversidade de universidades e departamentos? Não seria o caso de dar um passo atrás e recolocar o problema dos concursos num contexto mais amplo?

Em linhas gerais, o modelo de conhecimento que rege a universidade pública no Brasil hoje pode ser descrito como produtivista e objetivista. Produtivista porque enfatiza a produção constante e abundante, sobretudo na forma de artigos em revistas indexadas. Objetivista porque toda essa produção é qualificada de acordo com uma escala pré-estabelecida de categorias e assim traduzida em pontos. Eis o dogma deste modelo: todo dado qualitativo será redutível a termos quantitativos. E eis seu corolário: o valor de um pesquisador será determinado, de forma análoga, pela soma dos pontos marcados pela sua produção. Nasce assim o Homo lattes, um produtor de conhecimento determinado por toda uma estrutura que não cessa de lhe dizer: “quanto mais, melhor”.


Objetividade enganosa

Numa banca de seleção, isso leva com frequência à seguinte cena: ao invés de ler, analisar e discutir o mérito e a pertinência de um conjunto selecionado de trabalhos de um determinado candidato para a vaga que se quer preencher, o que os examinadores fazem é somar os pontos “contidos” em seu currículo completo (numa aberração adicional, o candidato é obrigado a enviar de antemão um volumoso dossiê de documentos comprovando a autenticidade de todo e qualquer item listado em seu currículo; no trato com a burocracia, o que vige é a presunção de desonestidade). Estranhamente, o que a banca lê durante o concurso não são textos produzidos no dia a dia da pesquisa, mas uma prova com ponto sorteado na véspera. Nesse insólito vestibular para professor, o que é efetivamente avaliado é o desempenho do candidato em condições extremamente tensas e adversas (o que, nos dias de hoje, inclui escrever de próprio punho), e que não se assemelham a nada com que ele vá lidar profissionalmente caso seja selecionado. Somados os pontos (sempre eles...) de todas as etapas do processo, está escolhido, de forma supostamente objetiva, o futuro professor.

O Homo lattes tirando uma pilha de fotocópias comprobatórias e o professor convidado a contar pontos em currículos inchados nada mais são do que duas imagens extremas — mas tristemente normalizadas, porque corriqueiras — do que a academia está se tornando sob os auspícios do produtivismo e do objetivismo. Que formação intelectual pode advir desse contexto? Que ética do conhecimento está implícita aí? Que espécie de saber se pode esperar desse acadêmico burocratizado? Queremos acadêmicos conformados ao que já se conhece, ou capazes de abrir perspectivas críticas e científicas?

É sobre perguntas como essas, e não apenas sobre remédios para a corrupção, que o problema dos concursos deve nos fazer pensar. E, dito isso, vale perguntar também se o patrimonialismo de que fala Segrillo é de fato um defeito pontual no sistema, ou se ele não é em certa medida um produto deste. Afinal de contas, não há álibi mais perfeito para os que conhecem bem os meandros burocráticos e os meios de manipulá-los: a escolha do professor, por mais enviesada que seja, estará sempre legitimada de antemão pela suposta objetividade do processo. Não seria mais interessante abandonar esse mito da objetividade de uma vez por todas e buscar transformar os processos de seleção numa oportunidade de cultivar discussões consequentes a respeito dos rumos de um determinado departamento ou universidade? Será que todo argumento subjetivo deve ser banido da discussão sob suspeita de ser necessariamente escuso? Não é possível imaginar que uma discussão menos mediada por rankings e pontuações possa ter o benefício justamente de trazer à luz as disputas intelectuais e políticas que acontecem e vão continuar acontecendo? Melhor que tentar debelar tais disputas é torná-las parte de uma dinâmica acadêmica mais organicamente engajada com os rumos das universidades.

Assim como o que está em jogo nas manifestações atuais não é simplesmente a corrupção, mas sobretudo uma crise na própria estrutura da democracia representativa (da qual a corrupção é provavelmente um dos sintomas), o problema das universidades também não pode ser reduzido aos desvios de conduta de grupos e indivíduos (que, quando ocorrerem, devem evidentemente ser punidos). É verdade que uma mudança estrutural desse patamar em nossa cultura acadêmica pode parecer com uma montanha a ser movida. É verdade também que isso envolve certas questões que extrapolam o âmbito da universidade (por exemplo: até que ponto é possível resguardar a singularidade profissional do professor universitário em meio às leis que regem o funcionalismo público?). Porém, e creio que aqui estou novamente de acordo com Segrillo, o silêncio certamente não serve ao interesse comum.

Sérgio Bruno Martins é doutor em história da arte pela University College London

Fonte: O Globo

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Museu Nacional de Belas Artes recebe exposição com obras-primas do Vaticano




O Museu de Belas Artes do Rio recebe uma extensa e importante exposição voltada para arte sacra, cujas peças vieram do Vaticano e foram feitas por grandes artistas italianos. A mostra  “A Herança do Sagrado: Obras-Primas do Vaticano e de Museus Italianos” é formada por  trabalhos de talentos como Leonardo da Vinci, Bernini, Correggio, Michelangelo, Ticiano, entre outros. Em todas as obras, o elo entre a arte e a fé pode ser observado. 95% das pinturas, esculturas, joias e relíquias sacras são inéditas no Brasil e a entrada para a exposição é gratuita.

A mostra, que tem curadoria de Giovanni Morello, é composta de 105 obras pertencentes ao acervo do Musei Vaticani e das principais instituições italianas como Museo del Palazzo Venezia, a Galleria Borghese, Musei Capitolini em Roma, o Museo di Capodimonte de Nápoles, Galleria Nazionale delle Marche em Urbino e a Galleria Palatina em Florença, além da Biblioteca Apostólica Vaticana e a Fabbrica di San Pietro. As peças foram escolhidas entre mais de 200 mil trabalhos que compõem o acervo desses lugares.

Os episódios da vida de Cristo, as missões e vidas dos apóstolos Pedro e Paulo, a Virgem Maria e relíquias relacionadas aos santos, são as quatro sessões que dividem a exposição, formando módulos que ocupam todo o segundo andar do museu.

Um das raridades encontradas na mostra é a primeira representação de Jesus Cristo conhecida, datada entre o século IV e VI, obra de autor desconhecido. Esta relíquia faz parte da Sacristia Secreta, sala que fica ao lado da Capela Sistina e tem o acesso restrito ao Papa. Outra peça emblemática é a “Ressureição”, de Ticiano. Em homenagem à cidade, o público poderá ver de perto o relicário que abriga os restos mortais do crânio de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro.

SERVIÇO

A Herança do Sagrado: Obras-Primas do Vaticano e de Museus Italiano

Museu Nacional de Belas Artes - Av. Rio Branco, 199 - Centro (Cinelândia) | Tel. 2219-8474 

Terça a domingo, 9h as 21h – Até 13 de outubro

Entrada Gratuita