sábado, 11 de abril de 2015

Notas do IPMS

Ontem, dia 10, na sede do Zequinha, presença do IPMS para tratar de assuntos referentes ao lançamento do livro de memórias da entidade. Na foto, da esquerda para direita, Arlete Maria Tapia Teixeira e o Prof. Hirã Justo, respectivamente, vice e presidente do IPMS, Milton Luiz dos Santos Vaz, presidente do Esporte Clube São José, e Lilian Kerber, membro do IPMS e responsável pelo acervo de memória do clube.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Exposição destaca Iberê Camargo como um operário da arte


Com inauguração nesta sexta-feira (3/4), na Fundação Iberê Camargo, mostra reúne mais de cem obras
por Francisco Dalcol


Iberê Camargo (1914 – 1994) era um obstinado, um artista que se dedicou a uma busca obsessiva pela perfeição da forma, pelo gesto máximo da expressão. O fazer artístico, para ele, envolvia dedicação exaustiva, entrega total.

Com tal postura, encarava a arte não como o momento iluminado de um gênio, mas como um desvelamento resultante de um custoso labor. Mais do que um criador inspirado, o Iberê que se consagrou entre os mestres da arte moderna no país era um trabalhador incansável.

"A pintura é uma colocação existencial. Eu sempre pintei com minhas vísceras e sempre com muita paixão", disse nos anos 1980 em entrevista ao pintor Jorge Guinle (1947 – 1987).

Essa dimensão do artista como um operário é o mote da exposição Iberê e seu Ateliê: as Coisas, as Pessoas e os Lugares, que será aberta nesta sexta-feira (3/4), na Fundação Iberê Camargo (FIC). Com mais de cem obras reunidas em um dos andares do prédio, a mostra destaca a busca permanente do artista.

– A ideia é apresentar este artista que batalhou pela mais perfeita forma, pela mais precisa adequação entre seus desejos e os meios disponíveis em busca dos resultados almejados. A mostra destaca o aspecto do operário das artes, o artista trabalhador, que, antes de ter certezas, tem problemas, daí a rotina de exercícios, estudos, tentativas, buscas e da prática exaustiva – diz o curador Paulo Gomes.


Professor do Instituto de Artes (IA) da UFRGS, Gomes busca evidenciar o percurso trilhado por Iberê ao longo dos seus 50 anos de produção. Para isso, organizou a exposição em torno de três temáticas: as figuras, as paisagens e as naturezas-mortas:

– Considero serem os três temas centrais da sua poética. É uma exposição simples na sua proposta curatorial, visando a uma fruição direta e objetiva da obra de Iberê Camargo.


Se na mostra anterior, Iberê Camargo: Século 21, o centenário do artista foi celebrado com suas obras em diálogos com as de artistas contemporâneos, agora será a oportunidade de se vislumbrar uma panorâmica que situa o modo como Iberê encaminhou as diferentes fases e momentos de sua obra.

– A proposta é uma visão cronológica do desenvolvimento dos temas em desenhos, pinturas e gravuras, possibilitando um olhar abrangente da sua trajetória em temas e formas e de como ela se desenvolveu ao longo de sua carreira. A ideia de desenvolvimento deve ser compreendida não somente como evolução, mas como uma busca, com avanços e recuos, na procura das melhores soluções formais para os problemas que foram se apresentando na sua trajetória. Daí o retorno e/ou a permanência de temas que percebo em sua obra – comenta Gomes.


Na seleção da mostra, constam desde preciosidades como os primeiros trabalhos de Iberê produzidos na adolescência, até obras fundamentais que o tornaram nome referencial da pintura brasileira.

– Há obras pouco conhecidas, mas todas muito importantes para o que pretendo mostrar. Indicaria principalmente aquelas que são da ordem dos exercícios, dos ensaios, da prática sem o fim deliberado de serem "obras" – comenta o curador.

Iberê e seu Ateliê: as Coisas, as Pessoas e os Lugares
- Abertura sexta-feira (3/4), a partir das 12h. Visitação de terça a domingo (inclusive feriados), das 12h às 19h (último acesso às 18h30min), exceto às quintas, quando o museu fica aberto das 12h às 21h (último acesso às 20h30min). Até 27 de março de 2016. Entrada grátis.
- Fundação Iberê Camargo (Av. Padre Cacique, 2.000), em Porto Alegre, fone (51) 3247-8000. Estacionamento pago: pago, no subsolo da Fundação, com entrada pela Av. Padre Cacique, no sentido Zona Sul, pelo lado direito da pista.

PROGRAMAÇÃO

Marino Marini
No próximo dia 11, a Fundação Iberê Camargo (FIC) apresenta a exposição internacional Marino Marini: do Arcaísmo ao Fim da Forma, considerada a primeira individual no Brasil do artista italiano morto em 1980 e reconhecido mundialmente por suas esculturas em bronze.

Iberê na Itália
Anunciadas como parte da programação em homenagem ao centenário de nascimento de Iberê Camargo, as três mostras do artista que seriam apresentadas neste ano na Itália foram canceladas. O motivo, segundo a Fundação Iberê Camargo, é a situação do cenário econômico.
Fonte: ZH

domingo, 22 de março de 2015

Porto Alegre em exposição na Galeria de Arte do TJ

Está em exposição, no 14º andar do TJRS, a mostra Porto Alegre, um grande amor. O trabalho dos fotógrafos Diego Leite, Denis Pesenti e Cristian Mariani, traz fotografias de pontos tradicionais da Capital. Juntos, os três formam a Photo ao Cubo.

Exposição tem entrada franca e homenageia
os 243 anos da Capital gaúcha 
(Fotos: Cássio Ayres Bodnar)
Quem quiser conferir as belas imagens captadas pelas lentes do trio tem até o dia 27/3. A exposição, que homenageia os 243 anos da Capital gaúcha, já passou também pelo Espaço Cultural da PUCRS.
A mostra pode ser conferida de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, no 14º andar do Tribunal de Justiça (Av. Borges de Medeiros, 1.565, em Porto Alegre).

Galeria
A Galeria de Arte do Tribunal de Justiça é um espaço aberto ao público disponível gratuitamente para exposições em geral. Informações podem ser obtidas pelo e-mail rp@tj.rs.gov.br.

EXPEDIENTETexto: Sergio Trentini
Assessora-Coordenadora de Imprensa: Adriana Arend
imprensa@tj.rs.gov.br
 
Fonte: TJRS

Publicação em 19/03/2015 17:29

domingo, 15 de março de 2015

11 museus imperdíveis em Paris

Por Juliana Bianchi
 Falar em visitar Paris e não incluir no roteiro alguns museus é quase como ir a Roma e pular o Vaticano. Diz a lenda que a cidade conta com praticamente um museu para cada dia do ano, indo do grandioso Louvre (com mais de 35 mil obras) aos pequeninos e não menos curiosos museus da Boneca, da Mágica e das Artes Lúdicas (com foco em animações e videogame). Daí ser praticamente um sacrilégio limitar as opções ao mais cheio deles.
Para ajudar na seleção, pedimos ajuda à brasileira Mariana Berutto, filha da criadora dosite Conexão Paris, Lina Hauteville, que desde 1984 mora na Cidade Luz ao lado de um autêntico francês. “Nossa proposta é desmistificar a cidade para os brasileiros, que muitas vezes chegam com uma visão deslumbrada”, afirma ela, que listou abaixo seus museus preferidos.
1 - Museu d’Orsay
Localizado na margem esquerda do rio Sena, o d’Orsay está instalado em uma antiga estação ferroviária de Paris, datada de 1900 (o relógio original ainda está lá).
Seu principal cartão-postal é a galeria principal, com abóboda decorada e grande entrada de luz natural, de onde se pode começar o passeio entre pinturas, esculturas e fotografias assinadas por grandes mestres como Van Gogh, Rodin, Cezanne, Courbet, Degas, Manet, Monet, Renoir, Klint, Munch. Além de oferecer uma bela vista do canal, o museu ainda abriga um simpático café projetado pelos irmãos Campana.
2 - Museu Picasso
Após ficar três anos fechado para reforma do prédio datado de 1659, o museu reabriu no segundo semestre de 2014 inteiramente dedicado a recontar a história de Pablo Picasso de forma cronológica. Aproveite para conhecê-lo durante um passeio pelo Marais. Por ser pequeno, não comprometerá-muito tempo do seu dia.
3 - Museu Rodin
Com esculturas posicionadas pelo jardim, no prédio principal e no espaço antes ocupado pelo ateliê do artista, o Museu Rodin, inaugurado em 1919, é um dos mais charmosos de Paris.
Principalmente em dias ensolarados. Ao todo são mais de 300 obras, incluindo peças de Camille Claudel. Vá sem pressa para aproveitar cada ângulo.
4 - Centre Georges Pompidou 
Mais conhecido pelos parisienses apenas como Beaubourg (referência à área onde se encontra), o espaço já valeria uma visita pela arquitetura industrial com grandes tubulações aparentes  projetada por Renzo Piano.
Mas ainda abriga teatros, restaurante, biblioteca e o Museu Nacional de Arte Moderna, com mais de 60 mil obras, entre pinturas, fotografias, instalações e vídeo-arte.
Como se não bastasse, as exposições temporárias apresentadas ali estão sempre na lista das mais interessantes em qualquer época do ano. 
5 - Grand Palais 
Construído em 1900 para abrigar a Exposição Universal, o Grand Palais chama atenção na paisagem próxima à avenida Champs Elysées por sua grandiosidade e cúpula envidraçada.
Mas é o grande acervo e a variedade de exposições que abriga – indo de festivais de dança a feiras de joias e carros antigos – que o torna passagem obrigatória em Paris.
6 - Palais de Tokyo
Localizado ao lado do rio Sena e com vista privilegiada para a Torre Eiffel, o Palais de Tokyo é endereço certo para quem gosta arte moderna e contemporânea.
Assim como o Grand Palais, mantêm boa agenda de exposições temporárias que serve de ponto de encontro para jovens e parisienses descolados. O espaço abriga também livraria especializada em arte e design, e restaurantes.
7 - Fundação Louis Vuitton
Inaugurado em Paris em 2014 este museu-escultura, projetado no Bois de Boulogne pelo arquiteto Frank Gehry (que também assina o Guggenheim de Bilbao), já é uma atração em si pela novidade.
Construído para abrigar parte da coleção particular Bernard Arnault, dono do conglomerado de luxo LVMH, recebe ainda mostras de artistas contemporâneos. Aproveite o restaurante interno para fazer uma pausa e observar um pouco mais a arquitetura.
8 - Palais Galliera:  Museu da Moda
Capital da moda, Paris não poderia ficar sem um museu totalmente dedicado ao tema. Com um rico acervo de roupas e acessórios que contam a história do mundo fashion desde o século 18, é parada obrigatória para quem gosta do assunto.
Como as coleções permanentes não ficam expostas o tempo todo dada a fragilidade do material, é preciso aproveitar as mostras temporárias para deslumbrar-se.  Cheque a programação no site.
9 - Carnavalet
Dedicado a história de Paris, o museu permite voltar no tempo por meio de quadros, objetos, fotos, móveis e reproduções de ambientes inteiros que marcaram a vida na Cidade Luz ao longo dos séculos.
Pouco explorado pelos visitantes, é gratuito e uma agradabilíssima surpresa no centro do Marais. Se for no verão ou primavera, não deixe de reparar na beleza do jardim interno.
10 - Musée des Arts et des Métiers 
Outra grata surpresa na região é este museu, que conta a história das profissões ao longo do desenvolvimento tecnológico. A influência das técnicas de construção, da mecânica, da produção de energia, dos transporte e da própria ciência na vida das pessoas é retratada a partir de um grande acervo de objetos, ferramentas e materiais. Há ainda uma significativa coleção de autômatos (robôs no melhor estilo “Hugo Cabret”).  
11 - Belleville
Pouco explorado pelos brasileiros, o bairro de Belleville, em Paris, é um museu a céu aberto para quem gosta de street art. Nos muros da região onde viveu a cantora Edith Piaf (incluindo os do bar Aux Folies, onde ela cantava) pode-se ver o trabalho efêmero de diferentes artistas, que valem-se de diferentes técnicas e dos mais mínimos espaços disponíveis para se expressar.  
A visita ao bairro fica ainda mais interessante ao lado da brasileira Fernanda Hinke, que faz tour guiado promovido pelo Conexão Paris, para contar cada detalhe do que está exposto nos muros (muitos deles cedidos pela prefeitura para esse fim).

Alguns museus da Europa já proibiram os selfie sticks



Os selfie sticks passaram das mãos dos turistas para as bocas do mundo. A moda, vinda do oriente, foi muito bem recebida pelos viajantes, mas parece que os museus não gostaram da ideia. Depois deste utensílio ter sido proibido em espaços dos Estados Unidos da América (EUA), foi a vez de alguns museus na Europa começarem a fazê-lo também. Esta semana foi a vez do Palácio de Versailles, em França, e da National Gallery, em Londres, proibirem a extensão para o smartphone ou para a máquina fotográfica. Os críticos afirmam que tal "aparelho" é "desagradável e potencialmente perigoso". 
No Palácio de Versailles, os selfie sticks estão proibidos desde quarta-feira, 11 de março. Mas apenas no interior. Os visitantes vão poder continuar a tirar as suasselfies, com esta extensão, nos jardins e parques do palácio. Este foi o primeiro espaço cultural francês a proibi-los mas, segundo a Agence France-Presse (AFP), oMuseu do Louvre e o Centro Pompidou já estão a ponderar seguir o mesmo caminho. No mesmo dia, e continuando na Europa, foi a vez da The Nacional Gallery, em Londres, proibir os selfie sticks. Um porta-voz do museu revelou à AFP que "devido à recente popularização dos selfie sticks, a The Nacional Gallery preferiu tomar medidas de precaução". A administração justificou esta medida ao dizer que a extensão é, praticamente, um tripé, o que vai contra uma das suas regras: "flashes e tripés não são permitidos". Ao que a AFP conseguiu apurar, as medidas não vão ficar apenas por este espaço. O British Museum deverá ser o próximo museu a adotar esta regra. Estas não foram as primeiras administrações a proibir o selfie stick na Europa. Há poucas semanas, foi o Coliseu de Roma a proibi-los. Na altura, a administração afirmou que "o rodopiar de centenas de sticks tornou-se involuntariamente perigoso".
Nos últimos meses, um sem número de museus adotou esta nova medida, que começou a ganhar força nos EUA. O Smithsonian e a National Gallery, em Washington, capital dos EUA, o Museum of Modern Art, em Nova Iorque, o Getty Center, em Los Angeles, ou o Museum of Contemporary Art, em Chicago, fazem parte desta lista que tende a aumentar nos próximos tempos.
Fonte: Sociedade

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Skank faz show gratuito em Torres neste sábado

 O Skank é uma das atrações que integram a final estadual do Circuito Verão Sesc de Esportes 2015, programado para acontecer no próximo final de semana em Torres. A banda mineira sobre ao palco montado na Praça SAPT (Av. Beira Mar, s/n com Rua Egídio Michaelsen, s/n) a partir das 21h deste sábado, com entrada franca.
Comemorando seus 24 anos de estrada em 2015, o grupo lança no litoral gaúcho o seu mais recente trabalho, “Velocia”, o primeiro de inéditas em seis anos. O disco resume um pouco da trajetória do Skank, com elementos de todas as fases da carreira. Para o show, além das canções novas eles prometem hits como “Vou Deixar”, “Jackie Tequila” e “Garota Nacional”.
Fonte: Correio do Povo

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ciclo Sérgio Leone reabre a Sala P.F. Gastal nesta terça

Claudia Cardinale, em Era uma Vez no Oeste, filme da mostra | Foto: Sala P.F. Gastal / Divulgação / CP
A Sala P. F. Gastal, na Usina do Gasômetro (avenida João Goulart, 551), promove um ciclo em homenagem ao cineasta Sergio Leone, mestre do faroeste moderno. “Viva Leone!” exibirá, entre hoje e 8 de março, todos os filmes do diretor, produzidos entre as décadas de 60 e 80. Entre os destaques estão três filmes da célebre trilogia dos dólares “Por um Punhado de Dólares”, “Por uns Dólares a Mais” e “Três Homens em Conflito”.

A programação abre hoje, 16h, com “O Colosso de Rodes”, seguindo com “Por um Punhado de Dólares” (19h). Amanhã tem “Por uns Dólares a Mais” (16h) e “Três Homens em Conflito” (19h); quinta, “O Colosso de Rodes” (16h) e “Era uma Vez no Oeste” (19h); e sexta, “Três Homens em Conflito” (16h) e “Quando Explode a Vingança” (19h). No final de semana a programação tem, às 15h de sábado, “O Colosso de Rodes”, e às 18h, na Sessão Aurora, “O Nascimento de uma Nação”, de D. W. Griffith. E domingo é a vez de conferir “Por um Punhado de Dólares” (15h), “Por uns Dólares a Mais” (17h) e “Três Homens em Conflito”, às 19h15min. 

Entre o período pós-guerra e o início da década de 60, Leone trabalhou como diretor assistente em uma série de produções importantes, que vão desde o clássico neorrealista “Ladrões de Bicicletas”, de Vittoria de Sica, e dramas de Luigi Comencini, como “Mercado de Mulheres”, a grandes épicos hollywoodianos como “Helena de Troia”, de Robert Wise, e “Ben-Hur”, clássico bíblico dirigido por William Wyler.

Fonte: Correio do Povo

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Por dentro do “universo tarantinesco”

Que o Tarantino é um daqueles cineastas que você ou ama ou odeia todo mundo sabe. Mas que tal entrar de cabeça na obra do cara pra entender todo esse furor dentro da sua trajetória meteórica? É exatamente isso que propõe o curso inédito O Cinema Hiperlink de Quentin Tarantino, que vai rolar mês que vem em Porto Alegre e promete desvendar a fórmula “tarantinesca” de fazer filmes.
O curso vai partir dos primórdios da filmografia de Tarantino, mais precisamente da sua malsucedida tentativa de fazer cinema pela primeira vez, com o inédito e nunca finalizado “My Best Friend’s Birthday”, de 1987, até seu trabalho mais recente, o oscarizado “Django Livre”, de 2012. A ideia é abordar cada obra detalhadamente, com exibição de cenas das obras e de suas inspirações, como uma forma de criar links entre os trabalhos do cineasta. Isso sem esquecer das participações do cara como ator em filmes de outros diretores, uma faceta menos conhecida e celebrada do ídolo pop.
Quem comanda a função é o jornalista e cineasta independente Felipe M. Guerra, e o único pré-requisito pra quem quiser participar é a paixão pelo cinema. 
As aulas vão rolar nos dias 14 e 15 de março, das 14h às 16h30 no Santander Cultural (Sete de Setembro, 1028), na Capital. As inscrições podem ser feitas pelo fone (51) 9320-2714 ou pelo email cineum@cineum.com.br, e o investimento é R$ 70. Todas as infos do curso estão aqui.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Escritor brasileiro Moniz Bandeira é indicado ao Nobel de Literatura

A convite da Real Academia Sueca, a União Brasileira de Escritores (UBE) indicou o nome do historiador e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira para o Prêmio Nobel de Literatura de 2015.

Atualmente radicado na cidade alemã de Heidelberg, onde é cônsul honorário do Brasil, Moniz Bandeira é autor de mais de 20 obras, notadamente ensaios políticos, e de livros de poesias, como "Verticais" (1956), "Retrato e Tempo" (1960) e "Poética" (2009).

Em um comunicado, o presidente da UBE, Joaquim Maria Botelho, justificou a indicação. "Moniz Bandeira é um intelectual que vem repensando o Brasil há mais de 50 anos. Com fundamentação absolutamente consistente, suas narrativas são exercícios da literatura aplicada ao conhecimento dos meandros da política exterior, não só do Brasil mas de outros países cujas decisões afetam, para o mal ou para o bem, a vida, a nacionalidade e a própria identidade brasileira", disse Botelho.

A nota ainda informa que vários de seus livros são adotados pelo Itamaraty no curso de formação de diplomatas. Entre eles Formação do Império Americano - Da Guerra contra a Espanha à Guerra no Iraque.

Mais de oito anos atrás, o brasileiro denuncia nesse trabalho a espionagem praticada pelas agências de segurança norte-americanas em diversos países. O livro foi traduzido e publicado na China e na Argentina.

Seu livro mais recente, publicado em 2013, é A Segunda Guerra Fria, que trata da geopolítica e da dimensão estratégica dos Estados Unidos nas rebeliões da Eurásia e nos movimentos da África do Norte e Oriente Médio. Escrita entre março e novembro de 2012, a narrativa de Moniz Bandeira "praticamente acompanha em tempo real os acontecimentos recentes mais significativos", de acordo com o comunicado divulgado pela UBE.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

CUTUCANDO A ONÇA: REPENSANDO A LEI ROUANET


MARCELO GRUMAN
(originalmente publicado na Carta Maior)
 

Símbolo do chamado “Estado Mínimo”, o conjunto de leis de incentivo fiscal para a área da cultura, popularmente conhecido como Lei Rouanet, vem sendo repensado pelo Ministério da Cultura há vários anos. Numa série de encontros intitulada Diálogos Culturais, em 2008, o então Ministro Juca Ferreira apresentou à sociedade civil a proposta de reformulação da lei, apontando as distorções do modelo de financiamento atual. Alguns exemplos: de cada dez reais captados, nove são de recursos públicos de incentivo fiscal; 3% dos proponentes captam cerca de 50% dos recursos; a região norte capta menos de 1% dos recursos; a região sudeste capta 80% dos recursos e, destes, apenas 1% é captado pelo estado do Espírito Santo. O modelo atual, ainda de acordo com o diagnóstico do MinC, exclui a inovação, a gratuidade e os projetos sem retorno de marketing; não fortalecem a sustentabilidade do mercado cultural; inibe a percepção de que os recursos são públicos; não promove a democratização do acesso aos bens culturais.

A proposta de reformulação da Lei Rouanet previa novos critérios para a renúncia fiscal, dentre eles:


1. Critérios específicos para incentivar a criação, a democratização do acesso e a economia da cultura;

2. Quanto mais orientado às políticas públicas, maior a renúncia fiscal;
3. Quanto mais orientado à democratização do acesso, maior a renúncia fiscal;
4. Todos os segmentos culturais com alta pontuação podem receber 100% de renúncia;
5. Empresas que realizam editais serão beneficiadas com mais renúncia fiscal;
6. Criação de um sistema nacional de informações de incentivos;
7. Aumento do percentual de renúncia fiscal para pessoa física (10%)
8. Pelo menos 20% para produção independente, no caso de institutos ligados a patrocinadores.

E, também, novos atrativos para os patrocinadores:


1. Ranking das empresas que mais investem;

2. Maior visibilidade para maior participação privada;
3. Selo de responsabilidade cultural;
4. Quanto maior a participação privada, maior a participação nos produtos.

As distorções já viraram motivo de chacota. É comum o colunista Ancelmo Góis, do jornal O Globo, informar ao público que tal ou qual produtora teve projeto aceito para captação de recursos públicos via renúncia fiscal, dinheiro “meu, seu, nosso”, nos dizeres do próprio jornalista. Na maior parte das vezes, o objetivo da nota publicada é denunciar a farra com o dinheiro público, espetáculos de gosto duvidoso ou de artistas que não precisam de ajuda do Estado porque já estabelecidos no mercado (o Cirque Du Soleil, por exemplo). Há, ainda, casos de espetáculos financiados por empresas que, claramente, têm condições de bancá-los sem a bengala do poder público, como é o caso da Árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, patrocinada pelo Bradesco.


Novamente à frente do Ministério da Cultura, Juca Ferreira volta a cutucar a onça com vara curta. O projeto de reforma da Lei Rouanet, conhecido como Procultura, aguarda análise do Sendo Federal, e sua versão inicial foi modificada. O ministro usa dados do IBGE e do IPEA para justificar a necessidade de ajustes:
1. Apesar dos milhares de projetos analisados pelos técnicos do MinC, apenas 20% conseguem captar de recursos;
2. 80% estão concentrados em dois estados, Rio de Janeiro e São Paulo;
3. Dentro destes dois estados, 60% ficam nas respectivas capitais;
4. Os proponentes que captam são, geralmente, os mesmos, aqueles que dão retorno à imagem da empresa que patrocina.
Juca Ferreira é direto ao afirmar que o mecanismo, da forma como é utilizado hoje, nada mais é do que a privatização de recursos públicos para construir imagens de empresas, algumas delas altamente lucrativas (como o caso citado acima, da Árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas). Ele não é contrário à renúncia fiscal, mas defende que 20% dos atuais 100% sejam destinados ao Fundo Nacional de Cultura, que deve atender a programas e projetos definidos a partir de políticas públicas. Em entrevista concedida ao O Globo, Juca se defende de possíveis acusações de “dirigismo cultural” ao assegurar recursos para o Estado, e não concedidos de mão beijada ao mercado. 
"Dirigismo cultural é feito também pelo mercado. Temos uma hipersensibilidade para o dirigismo público e nenhuma sensibilidade para o dirigismo de mercado. É preciso ter essa sensibilidade para ambos os lados, porque os dois são perversos. E a possibilidade de corrigir um dirigismo público é repetir o que é feito na Ancine, no Fundo Setorial do Audiovisual. Com a participação da sociedade, com transparência, com lisura política, não dentro do balcão de uma repartição. Não rejeito a parceria público-privada. Basta olhar meu trabalho recente (como secretário municipal de Cultura) em São Paulo. Trabalho com instituições privadas. Agora, colocar tudo para o outro decidir, não existe. É uma distorção do governo Collor. (O Globo, 06 de fevereiro de 2015)"

O repórter de O Globo se utiliza, então, de um argumento bastante comum nas discussões sobre a reforma da Lei Rouanet, o de que, ao propor um diálogo com o mercado e não mais um “passe livre” para a apropriação de recursos públicos, o Estado brasileiro seja abandonado pela iniciativa privada, uma vez que a mudança vai, nas palavras do repórter, “desequilibrar o mercado”. Como o “mercado” já está desequilibrado, isto não será um problema. Ademais, este tipo de chantagem pode sair pela culatra, conforme o ministro.

"Vamos supor que isso seja verdade e que, temporariamente, aconteça. Na transição, o dinheiro que se tinha continuará se tendo. Essa é a questão. Mesmo que um ministro malvado inviabilize a parceria público-privada, 100% (dos impostos) estarão com o poder público de toda forma e serão destinados à cultura. Não vamos perder nada. Se houver represália por parte de quem se associa ou por parte de quem usa a lei, eles perdem, deixando de se associar a um grande ativo."

Para além do fantasma do dirigismo estatal, que em nada contribui para o florescimento da diversidade cultural brasileira, e do culto ao mercado, cuja “mão invisível” tem a pretensão de harmonizar relações intrinsecamente conflituosas, devemos esperar que a reformulação da lei de incentivo à cultura beneficie, sobretudo, quem está numa das pontas do processo, artistas e consumidores. Afinal de contas, a razão de ser da lei é a democratização da produção, do acesso e da fruição dos bens culturais, e não o lucro financeiro dos investidores, apenas uma de suas conseqüências.


Submissão ao mercado, não. Diálogo, sim. A sociedade tem de cobrar.


Coragem, ministro.
Fonte:  247