segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Notas do IPMS

Edições IPMS acaba de publicar mais dois livros já disponíveis em nosso site na sessão dedicada à literatura.
Porto Alegre Imaginada. Cidade, Cartas de Amor e Poesia é uma coletânea iconográfica que aborda a cidade a partir do imaginário de um apaixonado. Baseada em referências contidas em cartas de amor, documentos autênticos pertencentes a um arquivo pessoal, em mapas, em fotografias e em pinturas que têm por tema a cidade, a autora construiu imagens, recriando-as a partir dessas referências. O Diário de Francisco e outros Contos e Crônicas é uma coletânea literária que reúne textos já publicados ao longo de 2012 na Revista Vida Brasil. Agora reunidos, foram transformados em um livro virtual editado pelo IPMS - Instituto de Pesquisa em Memória Social.
Os livros estão disponíves em Literatura e aqui mesmo no blog.

 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A pintura com estilo renascentista de Kinuko Y. Craft

Fonte: Catraca Livre
Kinuko Y. Craft é uma das artistas de fantasia mais respeitada e conhecida nos Estados Unidos hoje. Ela se considera uma contadora de histórias. Seus últimos trabalhos incluíram pinturas para o livro que aborda  muitos autores conhecidos, cartazes de ópera , livros de contos de fadas e capas para diversas revistas nacionais.
Durante a sua carreira tem sido caracterizada pela atenção meticulosa aos detalhes, um amor apaixonado pelas artes e um profundo conhecimento da história da arte. Seus livros de contos de fadas são distribuído atualmente nos EUA, outros países de língua Inglês, bem como a Europa, Grécia, China e Coréia.
Craft  é pós-graduada com um BFA em 1962, Faculdade de Belas Artes e Industrial (conhecido no Japão como Kanazawa Bidai). Ela nasceu no Japão e veio para os Estados Unidos no início dos anos sessenta, onde continuou seus estudos em design e ilustração na Escola do Instituto de Arte de Chicago por um ano e meio. Em seguida, trabalhou por vários anos nos estúdios de arte conhecidas em Chicago. No final da década o seu trabalho  teve alta demanda e começou sua longa e bem sucedida carreira como ilustradora freelancer.
Confira os trabalhos da artista na galeria abaixo: 

A fotografia revela o que os urbanistas latinos oculta

"Urbes Mutantes", em Nova York, mostra as transformações e os problemas das cidades por fotógrafos de rua, artistas e fotojornalistas
por Francisco Quinteiro PIres — publicado 31/08/2014 09:40, última modificação 31/08/2014 10:39
Alberto Korda
Alberto Korda
"O Quixote do poste de iluminação", de Alberto Korda
Quinze minutos após iniciar um passeio pela Urbes Mutantes: Latin American Photography 1944-2013, o curador Alexis Fabry parou diante de duas fotografias de Miguel Rio Branco. Ele queria que os visitantes prestassem atenção ao conteúdo chocante das imagens do brasileiro. Colocadas lado a lado e com o título Mad Dog, Maciel (1980), elas exibem dois seres sujos e deitados no chão. “Esse díptico”, escreve o crítico David Levi Strauss, “relaciona um homem morto ou dormindo num pavimento com um cachorro, ambos na mesma posição e condição, a formar uma equação abjeta”. De acordo com Fabry, a representação fotográfica que equipara um ser humano a um animal revela a rua como um espaço onde a miséria não se disfarça.
Urbes Mutantes, em cartaz até setembro no International Center of Photography (ICP) de Nova York, mostra as transformações e os problemas das cidades latino-americanas em cerca de 200 imagens tiradas por fotógrafos de rua, artistas e fotojornalistas. Para Fabry e María Wills, responsáveis pela montagem a partir da coleção particular de Leticia e Stanislas Poniatowski, “cada imagem tem uma ideo-
logia” e, quando adicionada ao conjunto, é capaz de exibir a diversidade urbana do continente americano. As imagens selecionadas mostrariam as diferenças entre oito países da América Latina, apesar do passado colonial comum e da desigualdade econômica onipresente.
Os espaços urbanos de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, México, Peru e Venezuela foram, entre os anos 1940 e 2000, uma plataforma para protestos sociais contra governos autoritários, um palco para a cultura popular e a face pública da pobreza. As fotos preservam a memória fugidia desses lugares fadados à reconstrução inacabada ou à ruína cíclica, em contraste com “o moderno espírito público direcionado à criação de cidades como símbolos do progresso e do triunfo do capitalismo”, segundo Fabry e Wills.
O ensaísta uruguaio Ángel Rama (1926-1983) entendeu a urbanização latino-americana como um projeto de dominação justificado por ideologias que uma minoria de intelectuais formulou nos últimos cinco séculos. “Desde a remodelação de Tenochtitlán após a sua destruição por Hernán Cortés em 1521 até a inauguração em 1960 do sonho de urbe de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, a cidade latino-americana tem sido um parto da inteligência”, escreveu Rama no livro La Ciudad Letrada (1984). “Ela esteve inscrita num ideal da cultura universal como a representante de uma ordem social e encontrou no novo continente o único lugar propício para se tornar realidade.”
Rama relata em La Ciudad Letrada que o plano oficial era substituir “as cidades orgânicas” da Península Ibérica medieval pelas “cidades organizadas” no Novo Mundo, onde a razão pautaria a distribuição do espaço e um estilo de vida. Uma paisagem urbana repetitiva e planificada demandaria de seus habitantes o cumprimento desse desejo de ordem. O projeto de colonização, sugere Rama, desrespeitou singularidades. A abstração, a racionalização e a sistematização defendidas pelas Coroas espanhola e portuguesa se oporiam à expressão criativa das culturas locais. Essa sociedade hierarquizada promoveu uma realidade à parte nas Américas. Desse esforço do Estado resultou a exclusão em termos de classe e de raça.
Fabry e Wills dedicaram The Forgotten Ones, uma das nove seções de Urbes Mutantes, aos excluídos das cidades latino-americanas. Fotógrafos como Héctor García (mexicano), Adriana Lestido (argentina), Sergio Larraín (chileno), Roberto Fontana (venezuelano) e Miguel Rio Branco representam o engajamento social iniciado por William Henry Fox Talbot (1800-1877), autor de retratos de trabalhadores e marginalizados. “A qualidade transparente do recurso fotográfico, desenvolvido no século XIX como uma ferramenta para a documentação objetiva, desafiou a hipótese de que a representação deveria estar vinculada a ideais clássicos de beleza materializados nas vidas das classes mais ricas”, dizem os curadores.
Os fotógrafos selecionados registraram os esquecidos. Essa atitude gerou discussões sobre a espetacularização da miséria, lembra Wills. “Na América Latina, vários colóquios abordaram essa questão e um dos pontos de vista mais fortes percebeu os fotógrafos que não eram ativistas ou participantes de movimentos sociais como exploradores dos oprimidos”, diz a curadora aCartaCapital.
Urbes Mutantes ignora os mais abastados. Os visitantes da exposição do ICP aprendem pouco sobre os hábitos e as fisionomias das elites latino-americanas. A mexicana Yvonne Venegas representa uma das exceções. Entre 2004 e 2010, Venegas acompanhou o dia a dia de María Elvira de Hank, filantropa e esposa do milionário Jorge Hank Rhon, para entender como os ricos aproveitam seus privilégios. “Por que não há mais imagens reveladoras das elites? Os fotógrafos dos anos 1960 e 1970, décadas às quais pertence a maioria das imagens, não estavam interessados em retratar os mais ricos. Por vezes, eles nutriam repulsa a essa possibilidade”, Wills explica. “As elites aparecem em Urbes Mutantes de maneira indireta quando Pedro Meyer (mexicano) fotografa as sobras de uma refeição feita por políticos num restaurante ou Pablo López Luz (mexicano) retrata as fachadas das casas dos bairros mais ricos. Incluímos uma visão mais representativa das raças e classes sociais nas Américas. Evitamos antagonizá-las.”
A primeira seção de Urbes Mutantes chama-se Living Walls (Paredes Vivas). “Aqui a câmera preserva momentos importantes da vida urbana, como protestos contra desmandos políticos, projetos urbanos inacabados e marcos arquitetônicos”, afirma Wills. Ao fotografar grafites, cartazes e placas, Fernell Franco (colombiano), Yolanda Andrade (mexicana), Sameer Makarius (argentino), María Cecilia Piazza (peruana) e outros transformaram esses escritos públicos em metáforas dos sentimentos dos moradores urbanos, como o cinismo, a frustração, a raiva e o humor. Rama associou a comunicação verbal do povo nas paredes citadinas a um desafio à autoridade das elites intelectuais como as únicas intérpretes da realidade.
Urban Geometries (Geometrias Urbanas) trata da organização espacial e estruturas físicas das cidades. Fabry e Wills escolheram trabalhos que exploraram luzes, sombras e reflexos para abordar de modo abstrato a expansão das metrópoles dos anos 1940 em diante. Segundo a curadoria, as imagens de Paolo Gasparini (foto ao lado) (venezuelano), Lázaro Blanco (mexicano), Armando Salas Portugal (mexicano) e Rosario López (colombiana) comprovam o ecletismo arquitetônico da América Latina, entre construções planejadas e desordenadas. Urban Geometries concentra o maior número de fotógrafos brasileiros: José Yalenti, German Lorca, Thomaz Farkas e Geraldo de Barros, todos pertencentes ao Foto Cine Clube Bandeirante.
“Na América Latina, a urbanização deu-se com muita rapidez, o que gerou as paisagens mais intrigantes. O Foto Cine Clube Bandeirante é um dos primeiros no continente a oferecer uma visão menos conservadora e mais autoral da fotografia”, diz Wills. Criado em 1939, o fotoclube paulistano percebeu a imagem como uma obra de expressão artística. “Urbes Mutantes não é uma exposição sobre fotógrafos de rua latino-americanos. Ela trata antes de tudo do impacto das diferentes culturas urbanas sobre o imaginário desses profissionais.” Novos ângulos e formas surgiram para capturar cidades cujas aparências mudavam, enquanto seus problemas essenciais se perpetuavam.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Projeto "Inspira" propõe olhar diferenciado sobre cidades

Iniciativa ocorre no StudioClio a partir das 19h30min

Nova edição do projeto Inspira reunirá publicitários Marcelo Pimentel e Marina Bortoluzzi<br /><b>Crédito: </b> Divulgação / CP
Nova edição do projeto Inspira reunirá publicitários Marcelo Pimentel e Marina Bortoluzzi 
Crédito: Divulgação / CP
O Inspira, projeto concebido pela UP Design e produzido pelo StudioClio, chega ao seu segundo ano propondo um olhar diferenciado sobre as cidades, a identidade urbana, a mobilidade, a arquitetura e os movimentos artísticos. Depois de ter a moda como mote em 2013, o Inspira traz o "Novos Olhares com a Street Art". Na edição de agosto, o projeto recebe como convidados os publicitários Marcelo Pimentel e Marina Bortoluzzi, criadores da maior galeria colaborativa de arte de rua de mundo, o Instragrafite, com mais de um milhão de seguidores. O StudioClio (rua José do Patrocínio, 698) recebe a iniciativa nesta quinta-feira, a partir das 19h30min, em Porto Alegre.  

O Instagrafite, que se iniciou em 2011 como um profile no Instagram, hoje é uma das grandes marcas no universo da street art, participando como curador de festivais e projetos, e propulsor de um intercâmbio multicultural entre artistas. Além disso, tem como estímulo se auto-desafiar constantemente, criando e colocando em prática inovação sob o contexto da arte urbana.

Marcelo e Marina tem mais de 10 anos de experiência no mercado da propaganda. Marcelo, gaúcho de São Leopoldo, é diretor de arte e já trabalhou por diversas agências de publicidade em Porto Alegre, em Buenos Aires e em São Paulo, para clientes como Lojas Colombo, Warner, Discovery, Grendene, Bis e Petrobrás. Marina, de Florianópolis, é planejadora, consultora e pesquisadora de tendências, já morou em Florença, Itália, e depois em Porto Alegre por três anos. Já trabalhou para marcas como Grendene, Grupo Jereissati, Multishow, C&A, Banco Itaú, Google e Coca-Cola. O casal mora em São Paulo há mais de quarto anos e tem o Instagrafite como startup própria fazem quase três anos.

O casal dará destaque para os caminhos que tornam a arte de rua uma ferramenta de inovação, sob uma ótica singular, graças aos projetos do Instragrafite pelo mundo. Os ingressos podem ser adquiridos na página do stúdio pelos valores de R$ 30 para o público em geral, e R$ 20 para professores, estudantes e seniores.

Fonte: Correio do Povo

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Teatro de bonecos é tema de exposição fotográfica em Porto Alegre

História da Cia. Caixa de Elefante será contada em painéis no Café do Teatro do Sesc

Teatro de bonecos é tema de exposição fotográfica em Porto Alegre <br /><b>Crédito: </b> Cleiton Thiele / Divulgação / CP
Teatro de bonecos é tema de exposição fotográfica em Porto Alegre 
Crédito: Cleiton Thiele / Divulgação / CP
A Cia. Caixa de Elefante terá sua história contada em exposição fotográfica. A mostra que será aberta nesta terça-feira e vai até o dia 30 de setembro está disponível para visitação no  Café do Teatro do Sesc (Alberto Bins, 665). São mais de 50 painéis registrando os processos de produção de espetáculos do grupo.

Desde 1991, a companhia frequenta festivais e mostras pelo mundo inteiro e é, hoje, um dos grupos de teatro de bonecos de maior destaque no cenário nacional.




Fonte: Correio do Povo

sábado, 2 de agosto de 2014

Exposição "A Paisagem como Vestígio" chega a Porto Alegre

Mostra começa neste sábado, a partir das 20h, com curadoria de Ana Zavadil, na Arte&Fato

Um dos acrílicos sobre tela de Bianca Santini<br /><b>Crédito: </b> Letícia Lau / Divulgação / CP
Um dos acrílicos sobre tela de Bianca Santini 
Crédito: Letícia Lau / Divulgação / CP
Pinturas em grandes dimensões é o que Bianca Santini mostra, a partir deste sábado, na Arte&Fato galeria, com a exposição “A Paisagem como Vestígio” (avenida Protásio Alves, 1893, bairro Petrópolis). O conjunto da produção poética de Bianca Santini é formado por uma série de trabalhos que envolvem a relação entre percepção e imaginação a partir da representação fragmentada da paisagem. O processo criativo acontece por dois caminhos: o primeiro por meio de fotografias de árvores que compõem a paisagem; o segundo é o registro das árvores sobre a tela a partir da sua memória.

O começo do trabalho é feito com a tela no chão, em que os gestos são soltos e fluem por meio da tinta. Em sua obra estão mescladas experiências reais e fictícias como marco inicial do trabalho, porque o pretexto para a sua criação parte de um objeto real. Segundo Ana Zavadil, “o equilíbrio se dá entre a pintura como vestígio do gesto e a imagem representada, em que as duas passam a ter a mesma potência estética”. 

E a curadora aponta ainda que, nesta série de trabalhos, as diferenças e multiplicidades do espaço e do tempo se tornam substância de sua pintura, “onde o tempo se fragmenta em outros tempos: o da imaginação, o do conhecimento técnico, o da verdade da obra e o da percepção. As camadas de tinta acrílica se acumulam criando um corpo consistente gerado do ato de fazer e refazer e onde a imagem principal pode até desaparecer para reaparecer em outro tempo pictórico”. Existe, também, um contraste por meio do preto e do branco que “transborda e verte nos espaços pictóricos trazendo uma sensação de busca inquietante”. Para Bianca Santini as suas pinturas são como janelas “por onde se pode ver através”.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Exposição fotográfica revela novas facetas da fotografia paulistana

 Por Patricia Visconti

Mostra fotográfica em parceria com projeto de incentivo apresenta uma nova forma de olhar para São Paulo.

Em sua quarta edição, a exposição que revela as novas faces da fotografia paulistana estreia com única exibição da “Fotoart – os olhos de quem vê“, no dia 26 de julho, no Hostel Alice, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.
Divulgação
Divulgação
Parte do grupo que integra o “Orfanato da Fotografia” em uma saída fotográfica no parque Vila Lobos em SP
Nesta da montagem assim como nas anteriores visa propagar e promover as novas facetas da arte de clicar na cidade de São Paulo, com seus jeitos e trejeitos, foco e estilo, mas com um Q a mais, pois desta vez a Infinity Eventos – produtora que organiza a exposição – conta com a colaboração do Orfanato da Fotografia, idealizado e coordenado pela fotógrafa Marina Quezada.
A ideia do Orfanato de Fotografia foi pensando naqueles que estão em inicio de carreira, quando os fotógrafos novatos mais precisam de auxílio.
Como nas três anteriores, o propósito da exposição de ser uma vitrine dos novos talentos desta arte visual, mostrando quão rico há neste trabalho, um pouco tenso em algumas horas, mas bastante prazeroso quando realizado com amor.
E por falar em amor, haverá um bate papo com o fotógrafo Rubens Vieira, que falará com os integrantes do Orfanato sobre o Specialkids, projeto do qual ele é representante na América Latina.
O SpecialKids é um projeto que representar as famílias e crianças com necessidades especiais junto à comunidade fotográfica com o objetivo de expandir as oportunidades de acesso dessas crianças à Fotografia Profissional em nível nacional.
Fonte: Catraca Livre

terça-feira, 15 de julho de 2014

Notas do IPMS



Integra-se à equipe técnica do IPMS o professor, diretor teatral, pesquisador e artífice cultural Leonardo Bizarro. Formado pelo departamento de artes dramáticas da UFRGS, em 2006, vem desde 1993 sendo protagonista de ações culturais ligadas ao teatro e à cultura no RS. Seu ingresso é uma importante contribuição ao IPMS para realização de pesquisas e práticas ligadas a esse campo da cultura e do conhecimento.
BEM VINDO LEONARDO BIZARRO.
Hirã S Justo
Presidente do IPMS.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

UM TEXTO PARA REFLETIR... QUER MESMO SER CIENTISTA?



Vamos fazer as devidas ressalvas primeiro, antes que a polícia de plantão venha me dizer que estou fazendo um desserviço à ciência brasileira. É claro que gostaria de ver mais jovens se tornarem cientistas, e quero contribuir para isso. Mas decidi que faz parte do meu trabalho de divulgação científica tornar público e notório como é se tornar cientista no Brasil.


Meus objetivos aqui são promover a conscientização das pessoas sobre a realidade da carreira de um cientista e, quem sabe, gerar com isso um certo espanto e revolta; e contribuir para que a escolha dos jovens por uma carreira em pesquisa seja consciente, apesar de tudo o que vem a seguir. Mas, sobretudo, o que eu gostaria é de gerar indignação suficiente para fazer a carreira de cientista (1) passar a existir de fato, e (2) ser valorizada.


Feitas as ressalvas, vamos então à minha campanha de anti-propaganda sobre a ciência no Brasil!


Você que é jovem e está considerando se tornar pesquisador: você sabia que…


- durante a faculdade, seus estágios de iniciação científica serão remunerados em apenas 400 reais – isso mesmo, menos do que um salário mínimo? Este é o valor atual definido pelo CNPq. E isso é SE você conseguir bolsa de iniciação científica, porque a Faperj, por exemplo, atualmente limita a sua concessão a UMA bolsa por pesquisador, e o CNPq-PIBIC a duas bolsas. Em um laboratório de tamanho médio, isso já não será suficiente para garantir bolsas a todos os estagiários – o que significa que é vexaminosamente comum termos estagiários trabalhando de graça;


- quando terminar a faculdade, a não ser que consiga emprego na indústria ou em empresas privadas, para fazer pesquisa você precisará concorrer a bolsas de R$ 1.350 para fazer mestrado? Enquanto isso, seus colegas formados em administração, engenharia, advocacia já estarão entrando para o mercado de trabalho, ganhando salários iniciais (com todos os direitos trabalhistas) de 3 a 7 mil reais reais ou mais. Ah, eu mencionei que, embora se espere que você trabalhe 40 horas por semana em dedicação exclusiva durante o mestrado, você não terá qualquer direito trabalhista? Isto porque o seu trabalho ainda não é considerado, ahn, trabalho…


- …é mais fácil conseguir bolsa do Ciência Sem Fronteiras para fazer GRADUAÇÃO no estrangeiro do que conseguir uma bolsa de pós-graduação no país? É isso mesmo: exportamos nossos alunos de graduação, mas não temos bolsas suficientes para mantê-los na pós-graduação no país.


- quando você terminar o mestrado, a não ser que consiga emprego como pesquisador em empresas privadas (que são pouquíssimos), você terá necessariamente que fazer um doutorado? A razão é que o cargo de “pesquisador” em nosso país é quase inexistente; somente institutos de pesquisa como o INCA ou a Fiocruz oferecem emprego (através de concurso público) para pesquisadores (e muitas vezes exigem doutorado). Todas as demais possibilidades de emprego para um pesquisador são como “professor universitário” – e este cargo, também somente acessível por concurso público, é hoje essencialmente restrito a quem já tem título de Doutor.


- então, com 3 anos de formado, você terá que concorrer a bolsas de R$ 2.000 mensais para fazer doutorado? Isso, vou repetir: seus colegas já estarão no mercado de trabalho, ganhando salários reais, tendo seu trabalho chamado de “trabalho”, com direito a férias e 13o salário – e, com sorte, você terá assinado um papel aceitando receber DOIS mil reais por mês pelos próximos 4 anos. E fique muito contente de ter uma bolsa: como dizem nossos detratores, você deveria ficar “muito feliz de estar sendo pago para estudar”. Exceto que você não estará “estudando”; você estará trabalhando, gerando conhecimento, e contribuindo para as universidades publicarem os artigos científicos que lhes servem como base de avaliação no cenário mundial.


- que, durante todos esses anos de pós-graduação, para receber uma bolsa você NÃO poderá ter qualquer outra fonte de renda? Sim, você pode ter outro emprego e fazer pós-graduação sem receber bolsa – mas é pouco provável que consiga terminar a pós-graduação assim. Para receber uma bolsa, você será obrigado a assinar uma declaração humilhante de que não tem qualquer outra fonte de renda. Bom, mais ou menos; a Capes há um ano decidiu aceitar acúmulo de bolsa com “emprego de verdade” SE for na mesma área da sua pós-graduação. Adivinha qual é a chance de você ter esse “emprego de verdade”? Pois é.


- agora, com o diploma de Doutor em mãos, você terá ganhado o direito de competir por vagas para… Professor. Isso mesmo: não de “pesquisador”, mas de “professor”. Isso porque as universidades públicas, onde a boa ciência é feita no país, somente contratam “professores”. Ou seja: com MUITA sorte, você será contratado, no mínimo SETE anos após a graduação, para fazer algo que você NUNCA fez: dar aulas. Seu salário inicial líquido (seu primeiro salário de verdade!) será algo em torno de 5 mil reais – mas não se engane, seu “vencimento básico”, aquele que o governo usará para talvez um dia pagar sua aposentadoria, será de não muito mais do que 2 mil reais…


- é mais provável, no entanto, que você NÃO consiga emprego imediatamente, uma vez doutor, e tenha que ingressar no limbo dos pós-doutorandos? Um “pós-doutor” é exatamente isso que o nome indica: alguém que já é doutor, mas ainda não tem emprego. É um limbo criado pelo sistema para manter interessados os cada vez mais numerosos recém-doutores que não encontram emprego nem como pesquisadores, nem como professores. Pela mesma tabela do CNPq, um recém-doutor recebe uma bolsa de R$ 3.700 mensais, livres de impostos. Ou seja: lembra daquele salário inicial dos seus colegas recém-formados? Um aspirante a cientista finalmente conquista o direito a um valor semelhante… SETE anos após a graduação. Ah, claro: ainda sem qualquer direito trabalhista, pois você “não trabalha”. Permita-me fazer as contas para você: a esta altura, você esta perto de completar 30 anos de idade, e oficialmente… “nunca trabalhou”;


- A esta altura, você já será para todos os fins práticos um Cientista – mas ainda não terá direito de pedir auxílio às agências de fomento para fazer pesquisa? Para gerenciar um auxílio-pesquisa é preciso ter vínculo empregatício com uma instituição de pesquisa – e isso, tirando os pouquíssimos cargos de Pesquisador de fato na Fiocruz, INCA, IMPA etc, você só consegue se virar… professor universitário;


- SE você conseguir ser aprovado em concurso para professor universitário E for fazer pesquisa de fato, você não inicialmente ganhará NEM UM CENTAVO A MAIS por isso? Você terá a mesma carga horária de aulas a cumprir, aulas por preparar e atualizar todos os semestres, mas o trabalho de pesquisa, com o qual você tanto sonhou, é… por sua conta. Se você resolver não fazer pesquisa e apenas der aulas, como você foi oficialmente contratado para fazer, está tudo bem. Talvez seus colegas torçam o nariz para você, porque esqueceram que também o emprego deles é apenas como professores, e não pesquisadores, mas você estará rigorosamente correto se só fizer seu trabalho de professor.


- Apesar disso tudo, sua progressão na carreira universitária será dependente do seu trabalho de pesquisa? Você leu corretamente: você foi contratado como PROFESSOR, mas sua avaliação funcional será feita de acordo com as suas atividades como PESQUISADOR…


- SE você tiver produtividade suficiente, em alguns anos você poderá concorrer a uma bolsa de Pesquisador do CNPq, que complementa seu salário em R$ 1.000 por mês. E isso é todo o incentivo financeiro que você receberá para fazer pesquisa.


Já desistiu? Pelo bem da ciência brasileira, espero que… sim. Esta é minha campanha de anti-propaganda em prol da melhoria da ciência no meu querido país: torço para que você tenha ficado indignado a ponto de considerar fazer outra coisa da sua vida. Precisamos de uma crise, e um desinteresse súbito da parte de nossos jovens seria muito, muito, muito eloquente.


FONTE:


Suzana Herculano-Houzel


http://posgraduando.com/blog/voce-quer-mesmo-ser-cientista

sábado, 12 de julho de 2014

Notas do IPMS


Lançado o primeiro livro da editora do IPMS, em formato ibook, diretamente na App Store - a loja da APPLE. Acesse a loja virtual da ibook e baixe gratuitamente o livro " A camponeza" com uma interessante pesquisa sobre colecionismo no Brasil, com o fac-símile completo, do álbum de figurinhas esportivas das balas "A camponesa" de 1946, com a escalação e fotos dos 7 times portalegrenses da época.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Museus de Florença, na Itália, ficarão abertos até a noite no verão

02/07/2014 | 08h01
Museus de Florença, na Itália, ficarão abertos até a noite no verão  Chris Wee/Wikimedia
Galeria degli Uffizi é um dos museus que ficarão abertos até tardeFoto: Chris Wee / Wikimedia
A Galeria degli Uffizi e a Galeria da Academia, dois museus na cidade italiana de Florença, ficarão abertos todas as terças-feiras durante a noite até 30 de setembro.
As duas galerias de arte, que abrigam muitas obras famosas e são considerados dois dos mais importantes museus do mundo, terão seu horário prorrogado todas as terças-feiras de julho a setembro e ficarão abertas aos visitantes das 19h às 22h.
A prorrogação do horário já é rotina desde 2006, e se baseia em um acordo entre a entidade responsável pelos museus de Florença e a prefeitura da cidade italiana.
Nas edições anteriores a iniciativa obteve um grande sucesso de público, explica um comunicado.
Durante os três meses das aberturas extraordinárias, a Galeria degli Uffizi oferece a mostra Puro, Simples e Natural até 2 de novembro, e na Galeria da Academia é possível ver a exposição A Sorte dos Primitivos.
O ministério italiano dos Bens Culturais e das atividades Culturais e do Turismo decidiu que, a partir de 4 de julho, toda a sexta-feira o horário de abertura dos museus italianos será prorrogado por duas horas – ficarão abertos até as 21h.
A Galeria degli Uffizi é dividida em cerca de 50 salas com obras dos artistas renascentistas mais importantes da história da arte Leonardo da Vinci, salas com obras da Roma Antiga, os quadros Primavera e O Nascimento de Vênus, de Botticelli, além de obras de Michelangelo, Rubens, Tiziano e muitos outros.
Já a Galeria da Academia mantém um acervo de obras de arte do período gótico até o final do século 19, uma de suas obras expostas mais importantes é a escultura David de Michelangelo.
A iniciativa se deve ao início do verão europeu na qual os dias ficam mais longos e demora mais para escurecer, nesta época do ano vários eventos culturais são promovidos em diversos países da Europa.
Fonte: Zero Hora