quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Especialistas recuperam pintura que quase se perdeu com inundação nos anos 60

Randy Kennedy - The New York Times
Mais que a maioria dos artistas da Renascença, Giorgio Vasari conhecia os perigos que cercavam a existência das criações humanas. Em As Vidas dos Artistas, a crônica dos grandes pintores e escultores do século 15 pela qual é mais conhecido, ele descreve como um banco de pedra, atirado de um parapeito por uma turba anti-Médici em Florença, em 1527, “caiu, por obra da Fortuna” sobre o Davi de Michelangelo, quebrando um de seus braços em três pedaços.
A obra de Giorgio Vasari - The New York Times
The New York Times
A obra de Giorgio Vasari
Em 1966, também por obra da Fortuna, uma das obras mais majestosas de Vasari teve um destino ainda pior. O Arno transbordou, inundou e quase destruiu Florença e sua A Última Ceia, então exposta no museu da Igreja de Santa Cruz, a alguns quarteirões do rio. Esta cena panorâmica, com quase 6 metros de comprimento e 2,40 metros de altura, permaneceu submersa na água lamacenta e oleosa por ao menos 12 horas, e quando foi finalmente resgatada, seus painéis de choupo-branco estavam encharcados como esponjas, e a tinta que os cobria, descascando.
Durante mais de quatro décadas, a pintura ficou fora de circulação e quase impossível de ser vista, coberta pelo que parecia uma crosta de torta de papel para proteger sua superfície frágil. Alguns consideraram a pintura, concluída em 1546, impossível de ser salva. Mas num laboratório de conservação a poucos quarteirões de distância de onde foi danificada, a obra está lentamente voltando à vida. Como parte de uma iniciativa do Opificio delle Pietre Dure, um dos mais famosos laboratórios de restauração da Itália, e do Museu J. Paul Getty em Los Angeles, cuja fundação investiu mais de US$ 2 milhões para ajudar a treinar substitutos para uma geração de conservadores de pintura em painéis que está envelhecendo, os cinco painéis do quadro foram recentemente rejuntados pela primeira vez desde a cheia.
Os danos na obra foram graves. “Um de meus colegas os chamou de desesperadores, e acho que estava certo”, diz Deborah Marrow, a diretora da Getty Foundation. “Era assustador só de olhar.” Mas o quadro revelou, após quatro anos de trabalho duro, que está notavelmente intato em muitos lugares. Cecilia Frosinini, uma restauradora envolvida no projeto, disse numa entrevista recente que a perda de tinta é estimada em 20% a 30%.
Ao mostrar a um repórter fotos de perto da superfície do quadro usando o Face Time de seu iPhone, Cecilia Frosinini sinaliza muitas das passagens mais dramáticas da obra – as faces de Jesus e de São João, e a figura de Judas assomando grande e dramática no fundo numa espécie de gibão cor de rosa, que sobreviveram muito bem ao desastre e aos anos posteriores. “Ficamos realmente admirados porque esperávamos algo muito pior”, diz a restauradora.
Milagre. A parte de trás dos painéis, apesar de perfurada por minúsculos buracos de vermes e modernos remendos de madeira em alguns lugares, continua em grande parte original, com um dos mais inovadores suportes cruzados que Vasari projetou ainda no lugar.
Se o esforço para restaurar este quadro tivesse sido feito anos atrás, afirmou Cecilia Frosinini, a tinta teria se separado da madeira, que provavelmente não teria sobrevivido. Com os avanços tecnológicos para reparar a madeira, porém, “agora podemos fazer uma espécie de milagre”, acrescentou.
Do século 12 até a tela se tornar o suporte mais comum em fins do século 15, o painel de madeira foi usado por muitos artistas para pinturas portáteis. A Mona Lisa é sobre painéis, por exemplo, mas a madeira pode ser um pesadelo dos conservadores, altamente suscetível que é à umidade e a mudanças de temperatura.
No Vasari, os restauradores usaram cola animal, como artistas da Renascença faziam em reparos, e suportes de madeira para permitir que a pintura continuasse se movendo com a umidade e a temperatura. “A madeira nunca morre de fato”, define a restauradora. “Ela continua a se mover.” Vasari pintou a peça em seu estúdio em painéis rejuntáveis e transportáveis porque suas clientes, as freiras do convento florentino de Le Murate, não queriam um artista homem e seus assistentes trabalhando em seu claustro por até dois anos.
Nas últimas semanas, quando os restauradores se preparavam para enfrentar a superfície de A Última Ceia, eles receberam uma pintura em painel ainda mais conhecida para trabalhar, A Adoração dos Reis Magos, de Leonardo, da galeria Uffizi – ele será submetido a tratamento no próximo ano por problemas menores em comparação com os do Vasari. Levando seu telefone rapidamente para trás do Leonardo, Cecilia Frosinini mostra outra pintura que estava no local para limpeza, Alquimia, de Jackson Pollock, de 1947, da Peggy Guggenheim Collection em Veneza.
Por enquanto, porém, a questão é terminar o Vasari. Dois antigos especialistas italianos em pintura em painéis, Ciro Castelli e Mauro Parri, saíram da aposentadoria para ajudar no projeto e treinar restauradores mais jovens. A carreira de Castelli como restaurador começou em Florença meses após a enchente de 1966, e ele ajudou no trabalho em muitas peças danificadas pela água na época.
“Poucas estavam tão ruins como o Vasari”, afirmou Castelli. Uma descoberta que os conservadores fizeram na superfície da pintura é uma inscrição previamente desconhecida perto da base dizendo que a peça foi restaurada muito antes, em 1549, 20 anos apenas após a morte de Vasari. Também há evidências na pintura de danos de duas enchentes anteriores, o que torna sua sobrevivência ainda mais notável.
Uma verba de mais de US$ 400 mil da Getty Foundation em 2010 para restaurar a pintura está terminando, e os conservadores estão à procura de outro patrocinador para terminar o trabalho. Frosinini disse que o objetivo era completar o renascimento do quadro em 2016. “Será o 50º aniversário da enchente. O rio tentou ganhar este quadro, e seria ótimo dizer, 50 anos depois, que ele não conseguiu.”
TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
Fonte: Estadão

Fotografia

mtomasini

Museu de Belas Artes do Rio receberá doação de 205 obras de Portinari


Retrato de José Mariano Filho (Óleo sobre tela) (Foto: Divulgação / Joaquim Soares)Retrato de José Mariano Filho (Óleo sobre tela) (Foto: Divulgação / Joaquim Soares
Na próxima segunda-feira (13), 205 obras do pintor Cândido Portinari serão doadas pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA). A cerimônia acontecerá no salão nobre do museu, às 11h. São pinturas a óleo em tela, desenhos em grafite, nanquim bico-de-pena, caneta tinteiro, gravura a água-forte e água-tinta em papel, dentre outros.

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, o presidente da Finep, Glauco Arbix, o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Ângelo Oswaldo Santos, a diretora do MNBA, Mônica Xexeo e o filho de Portinari, João Cândido, estarão presentes na cerimônia.

Com a doação, o Museu de Belas Artes passa agora a ter o maior acervo público do artista, com 243 trabalhos - depois da instituição, segundo João Candido, figuram o Masp, em São Paulo, que detém a importante série “Retirantes”, e os museus da Chácara do Céu e do Açude, que são, juntos, donos de mais de cem obras do pintor.
Fonte: G1
Esboço não utilizado para a pintura mural 'São Francisco se Despojando das Vestes' (Grafite sobre papel) (Foto: Divulgação / Joaquim Soares)
Esboço não utilizado para a pintura mural 'São Francisco se Despojando das Vestes' (Grafite sobre papel) (Foto: Divulgação / Joaquim Soares)
Cana-de-Açucar (Óleo sobre tela)  (Foto: Divulgação / Joaquim Soares)
Cana-de-Açucar (Óleo sobre tela) (Foto: Divulgação / Joaquim Soares)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Fotografia

mtomasini

Apple compra empresa de fotografia instantânea SnappyLabs

Serviço permite captura de imagens ainda mais rapidamente que a própria câmera do iPhone

Repetindo a estratégia de 2013, a Apple continua a movimentar o carrinho de compras neste novo ano. De acordo com o site Recode, que recebeu uma confirmação da empresa, a mais nova aquisição da gigante é a startup SnappyLabs.
O nome pode não ser famoso, mas o serviço criado pela empresa ganhou notoriedade: trata-se do app SnappyCam, que permite à câmera do iPhone tirar fotografias em alta resolução ainda mais rapidamente que o normal. A startup foi fundada (e tinha como único funcionário) John Papandriopoulos. Ele agora deve responder como funcionário da Apple e trabalhar com o próprio serviço que criou ou na área de fotografia em geral.
Detalhes sobre as negociações não foram fornecidos pelas duas partes envolvidas e a Apple limitou-se ao discurso pronto de que adquire empresas pequenas constantemente. Nos últimos dias, o SnappyCam desapareceu da App Store e o site da empresa também parou de funcionar, o que levantou algumas suspeitas.

Fonte: Tecmundo

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Mostra "Novos Olhares" abre o ano da Arte Plural Galeria

Exposição é composta por 20 imagens produzidas por formandos do curso de Fotografia da Unicap

Publicação: 06/01/2014 18:30 Atualização: 06/01/2014 18:16

 
Uma das imagens que integra a exposição. Foto: Marina Feldhues
Uma das imagens que integra a exposição. Foto: Marina Feldhues

A mostra de fotografias Novos olhares será a primeira atração do ano da Arte Plural Galeria. A exposição, que abre hoje, reúne 20 imagens produzidas pelos formandos do curso de Fotografia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). As obras podem ser conferidas pelo público até o dia 26 de janeiro. A entrada é gratuita.

As fotos foram feitas em datas e locais diversos. Cada aluno teve a oportunidade de escolher sua favorita para integrar a exposição.  As professoras e fotógrafas Germana Soares e Renata Victor são responsavéis pela curadoria da mostra.
   
 (Foto: Patrícia Oliveira)
Na exposição, estão imagens coloridas e em preto e branco. Fotos de paisagens, pessoas, animais e objetos diversos, acompanhadas de relatos dos próprios autores, fazem parte do cenário da Novos Olhares. Os trabalhos foram produzidos em câmeras digitais e impressos em Fineart no Atelier de Impressão que funciona nas dependências da Arte Plural

Segundo Germana Soares, a exposição é fruto de dois anos de convivência em busca de qualificação do repertório imagético de cada um dos concluintes. Para a conclusão da mostra, foi levado em consideração a organização curricular, linguagens e técnicas diversificadas e estímulo à produção fotográfica.  


FOTÓGRAFOS

- Cristiane Silva
- Edla Mendes
- Edson Bezerra da Silva Júnior
- Ernesto Rodrigues
- Gilberto Vieira
- Jackson Amil
- Kari Galvão
- Letícia Lisboa
- Lila Rios
- Luana Alencar
- Lucas Melo
- Luci Matias
- Mariana Gallindo
- Mariana Machado
- Marina Feldhues
- Mirandolina de Araújo Mouthuy
- Patrícia Oliveira
- Roberto Amado
- Vanessa Dias
- Vanessa Melo

 
Serviço:
Exposição Novos Olhares
Abertura: 07 de janeiro (Apenas para convidados)
Período de visitação ao público: de 08 a 26 de janeiro - terça a sexta, das 13h às 19h; sábados e domingos, das 16h às 20h;
Onde: Arte Plural Galeria (Rua da Moeda, nº 140, Bairro do Recife)
Entrada: Gratuita
Informações: (81) 3424.4431.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Porto Alegre celebra centenário de Lupicínio Rodrigues

Programação batizada de "Lupi 100 anos de Amor e Dor" relembra legado do músico

Programação batizada de ´Lupi 100 anos de Amor e Dor´ relembra o legado do músico<br /><b>Crédito: </b> CP Memória
Programação batizada de ´Lupi 100 anos de Amor e Dor´ relembra o legado do músico 
Crédito: CP Memória
O centenário de Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974) será celebrado este ano com uma intensa programação batizada de “Lupi 100 Anos de Amor e Dor”, promovida pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre. A proposta é relembrar o legado deixado pelo músico, conhecido por eternizar a dor de cotovelo em clássicos como “Nervos de Aço”, “Loucura”, “Ela disse-me Assim” e “Nunca”.

Na agenda estão a entrega da Taça Lupicínio Rodrigues ao time vencedor do Gauchão 2014, e troféus com o mesmo nome aos melhores do campeonato na festa de encerramento do evento. Uma escultura do artista em tamanho natural, sentado a uma mesa de bar e batucando uma caixa de fósforos, será instalada diante do Centro Municipal de Cultura. Durante a semana de aniversário de Porto Alegre, em março, serão realizados shows com músicas de Lupicínio. O tradicional Baile da Cidade contemplará suas canções.

No teatro deve estrear “Lupi - O Musical”, com direção de Zé Adão Barbosa, em um retrato da vida e obra do músico. Será lançado sua biografia e o filme “Nervos de Aço”, de autoria de Maurice Capovilla.

O Viva o Centro a Pé ganhará uma edição especial com visitas guiadas a pontos da Capital importantes na vida de Lupicínio culminando com pocket show musical. O projeto Porto Alegre Conta e Canta Lupicínio será com uma semana de exposições e debates sobre a sua obra. Terá ainda o “De Bar em Bar”, uma programação musical que prevê execuções de músicas de Lupicínio em shows realizados em bares de Porto Alegre. Os versos do compositor poderão ser vistos em instalações nos vidros traseiros dos ônibus da Capital.
Fonte: Correio do Povo

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Fotografia

mtomasini

Chris Killip, o fotógrafo da depredação do capitalismo

A obra de Chris Killip é um compêndio singular do desespero que o capitalismo provocou na classe operária britânica, tão reprimida como pauperizada no que se designou por processo da desindustrizalização das zonas rurais do Reino Unido. Por Armando G. Tejeda, jornalista.

“O desmantelamento do mundo industrial europeu, durante a segunda metade do século XX, deixou estas pequenas sociedades à mercê de grandes mudanças estruturais. Este período de desindustrialização, o desemprego crescente e a condição precária de grande parte da classe operária, revelada com crueza na década dos 80, são os eixos do meu trabalho” refere Chris Killip

“Às vezes não se sabe porque se está nesses lugares, nem o porquê de tal fotografia, mas em qualquer caso faz-se e, finalmente, acaba por ter um sentido”, explicou o fotógrafo britânico Chris Killip na apresentação da sua primeira grande retrospetiva, em Espanha, “Trabajo/Work”, no Museu Centro de Arte Rainha Sofia em Madrid.
A sua obra é um compêndio singular do desespero que o capitalismo provocou na classe operária britânica, tão reprimida como pauperizada no que se designou por processo da desindustrizalização das zonas rurais do Reino Unido, às quais se lhes extirpou a indústria sem nada em troca, passando das fábricas têxteis ou dos estaleiros para a desolação e o desespero. Chris Killip captou esse processo, pelo menos, desde 1968 até 2004.
É a vida quotidiana de populações na fronteira da pobreza e a opulência de uma potência económica e militar como o Reino Unido. É o dia a dia de populações que lutaram pelos seus direitos nas ruas, com manifestações para manter os seus direitos laborais, que foram sistematicamente reprimidas pela polícia ou que foram testemunhas impotentes de como a inatividade e o passar do tempo foram acabando, pouco a pouco, com edifícios, casas e o pulsar quotidiano das praças.
Killip, homem que nasceu e cresceu num típico pub inglês, desde criança escutou os lamentos ou as risadas que se escutam nestes centros de reunião do povo britânico, decidiu deixar o glamour e a frivolidade da fotografia publicitária – na qual se iniciou – e cavalgar numa espécie de fotojornalismo de fundo. Chegava às povoações ou regiões com as suas câmaras e os seus rolos de fotografia para conviver e ser testemunha, tal como os seus vizinhos, do passar do tempo nessas povoações acossadas pelo desmantelamento da indústria mineira ou naval.
Por isso, no seu trabalho, há sobretudo retratos e imagens de lugares, ruas, paisagens que já não existem. O passar do tempo e a depredação do capitalismo ultraliberal, que se aplicou neste país, durante as décadas 70 e 80, acabou por transformar para sempre essa sociedade. Agora muitas dessas paisagens industriais, tais como os velhos estaleiros encravados num cais, são ferros abandonados. Ou as colinas dalgumas povoações mineiras estão convertidas em campos de golfe.
“Às vezes não se sabe porque se está nesses lugares, mas acaba por surgir o motivo”, explicou quanto às suas fotografias, das quais expõe uma seleção cuidada de 107 imagens a preto e branco e dois documentários. Nas quais predomina o retrato, um fio que atravessa e unifica toda a sua obra e que serve para mostrar idosos, famílias, crianças e operários a trabalhar.
Killip foi escolhido, em 1972, pela British Arts Council, juntamente com outros sete fotógrafos, para retratar as cidades de Huddersfiel e Newcastle, iniciando aí a sua vocação para mostrar a Inglaterra industrial com imagens de pequenas povoações pesqueiras e a convivência natural entre as casas e os estaleiros. Ou as manifestações e as greves dos mineiros do carvão, face ao encerramento de 20 minas e a perda de 20 mil empregos. Ou os trabalhadores da fábrica de pneumáticos “Pirelli” de Burto-on-Trent.
Killip explicou que, desde princípios do século XIX, no norte de Inglaterra, se desenvolveu grande parte da industria pesada – as minas de carvão, o aço e os estaleiros – proporcionando emprego a várias gerações e criando comunidades muito coesas. “O desmantelamento do mundo industrial europeu, durante a segunda metade do século XX, deixou estas pequenas sociedades à mercê de grandes mudanças estruturais. Este período de desindustrialização, o desemprego crescente e a condição precária de grande parte da classe operária, revelada com crueza na década dos 80, são os eixos do meu trabalho”.
A exposição poderá ser vista até ao próximo dia 24 de fevereiro.
Artigo de Armando G. Tejeda, jornalista, publicado no jornal mexicano La Jornada. Tradução de António José André para esquerda.net

Popularidade pode destruir a fotografia

Por Stuart Jeffries em 31/12/2013 na edição 779
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 25/12/2013, tradução de Paulo Migliacci; título original: “Popularidade pode destruir a fotografia, dizem especialistas”
“A fotografia nunca foi tão popular, mas está sendo destruída”, diz Antonio Olmos. O fotógrafo mexicano radicado em Londres refletiu sobre sua arte há duas semanas, quando a imagem da primeira-ministra dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt tirando foto dela mesma (selfie) com Barack Obama e David Cameron no funeral de Nelson Mandela foi reproduzida no mundo inteiro. A imagem parecia exemplificar o narcisismo das fotos tiradas com smartphones.
Com um porém: a foto do trio foi capturada por Roberto Schmidt, fotógrafo da agência France Presse, usando uma câmera profissional. A cena também inspirou um debate no qual os psicólogos argumentaram que existe um “efeito redutivo da fotografia”. “Se as pessoas dependem da tecnologia para suas recordações, dedicando menor atenção ao evento, pode haver um impacto negativo sobre a qualidade da lembrança”, afirmou a psicóloga Linda Henkel, da Universidade Fairfield (Connecticut).
“Gente tirando fotos de comida no restaurante, em vez de comê-la”, diz o premiado Olmos, de 50 anos. “Tirando foto da Mona Lisa em lugar de olhar o quadro. O iPhone afasta as pessoas da experiência.” Mas existe um motivo mais forte para que Olmos diga que a fotografia está morrendo. “O iPhone tem uma lente péssima. Você tira uma foto linda e, quando a amplia para impressão, fica horrível.”
Mas quem precisa de impressão num mundo sem papel? “Para mim, a versão em papel é a expressão última da fotografia”, diz. “Quando dou cursos, faço os alunos imprimirem suas imagens – em muitos casos, pela primeira vez. A ideia é forçá-los a criar fotos, e não só tirá-las.”
Profundidade
Eammon McCabe, fotógrafo do Guardian, concorda. “Mesmo com o risco de parecer um daqueles chatos que defendem disco de vinil, creio que a foto impressa tenha uma profundidade que não se consegue com a digital.” Ele recentemente olhou a cópia em papel de uma foto que tirou da escritora Doris Lessing, vencedora do Nobel, que morreu no mês passado. “Era uma imagem em preto e branco que registrei com uma Hasselblad, um tripé e muita janela. Isso me fez recordar os dias em que a fotografia não causava preguiça.” Por que a fotografia digital é preguiçosa? “Você chuta para todo lado. Bate muitas fotos, imaginando que uma funcionará, e não se concentra em capturar a imagem.”
Já Nick Knight, fotógrafo de moda britânico, fez dois trabalhos com o iPhone – um livro de 60 imagens sobre Isabella Blow, editora de moda morta em 2007, e uma campanha para a marca Diesel. Para Knight, a revolução democratizante propiciada pelas câmeras de celular é tão radical quanto a ocorrida nos anos 1960, quando o britânico David Bailey, ícone da fotografia, largou o tripé e começou a trabalhar com uma câmera de mão. “Isso deu liberdade a ele e mudou o que a fotografia era, artisticamente. O mesmo vale para mim e o iPhone.”
Mas e quanto à lente do aparelho? “É absurdo que as pessoas pensem que todas as fotos têm de ter alta resolução. O que importa, em termos artísticos, é se a imagem funciona. A maquinaria com a qual se cria arte é irrelevante”, afirma o fotógrafo. Nem tanto. O iPhone mudou a fotografia de Knight, e ele sabe disso. “Posso curvar uma imagem, reduzir o valor do branco. Não sei como funciona, mas me deslumbra.”
Ele vem pesquisando imagens de bandas punk. “Não há muitas imagens, e são quase todas de palco. Compare com o que temos agora: num show de Kanye West, há um mar de câmeras, e isso cria um banco de dados.”
A caminho de casa
Tirar fotos incessantemente não nos faz esquecer, como dizem os psicólogos?
“Bobagem”, diz. “Como aquela lenda de que se sentar perto da TV vai contaminá-lo por raios-X. Qual é o problema de tirar uma foto de um quadro de Matisse para olhar no ônibus, a caminho de casa? É ótimo que as pessoas queiram fazê-lo.”
Mas é difícil fotógrafos profissionais não se sentirem ameaçados. “Há menos empregos”, diz Magda Rakita, 37, fotógrafa em Londres. “Mas os avanços permitem que fotógrafos distribuam seu trabalho e contem histórias de formas inovadoras.”
E quanto a pagar contas? Para ela, “criar um público é essencial num modelo financeiro que depende cada vez mais do crowdfunding”. “Sobreviverei na profissão porque sou competente”, diz Olmos. “Não basta ter um computador e um programa de texto para ser escritor. E não basta ter Instagram para ser um grande fotógrafo.”
***
Stuart Jeffries, do Guardian
Fonte: Observatório da Imprensa 

O museu escondido vai ser renovado

June Locke Arruda* - O Estado de S.Paulo
A mais que centenária Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, instituição reconhecida pelos serviços sociais que prestou e vem prestando até os nossos dias à população que acorre aos seus préstimos - localizada na Rua Cesário Mota, no bairro de Vila Buarque -, possui, no interior de suas instalações, o Museu Engenheiro Augusto Carlos Ferreira Velloso, denominação em homenagem a quem lutou para organizá-lo e preservar os acervos existentes na Santa Casa, instalado no prédio da Provedoria, monumento arquitetônico que lembra outra época da nossa cidade.
No nosso país não há tradição na preservação de equipamentos e utensílios, de quaisquer tipos - quer os domésticos, os científicos ou os industriais, que, quando se tornam obsoletos e acabam substituídos em suas funções próprias, são descartados e destruídos, transformados em resíduos sólidos ou sucata para reaproveitamento de materiais de algum valor.
Os restos aleatórios de equipamentos de uso cotidiano, às vezes, acabam em alguns dos raros museus antropológicos existentes, os quais se preocupam com a preservação de elementos da cultura material e da vida diária das populações que outrora viveram no espaço sob sua área de interesse e/ou seus cuidados.
Existem na cidade numerosos museus de arte, museus históricos, pinacotecas, centros de cultura, centros de memória, mas não temos nenhum museu com equipamentos mecânicos e/ou científicos de época. Os centros de divulgação científica possuem réplicas de equipamentos clássicos, isto é, instrumentos que são reproduções de experiências clássicas, com finalidades didáticas, que até podem ser manuseados pelos visitantes.
O prédio da Provedoria, além da magnífica capela, abriga o museu da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que mantém em seu espaço não somente itens que podem ser encontrados em outros museus históricos nacionais - acervo documental, escultórico, mobiliário, numismático, pictórico e muitas peças de cultura material -, mas também outros relevantes e exclusivos. É o caso, por exemplo, da chamada "roda dos expostos", lembrança de uma época em que, além da alta mortalidade infantil, pelos poucos recursos existentes, havia muita rejeição de crianças recém-nascidas - quer por problemas econômicos, quer por questões sociais -, que eram entregues ao abrigo da Santa Casa para serem criadas por freiras, desde o século 19 até o desenvolvimento do sistema de amparo social estatal. Há ali também material em diversos suportes pertinente à Revolução de 1932, lembrando o papel relevante do hospital da Santa Casa.
Destacamos como especificidade desse museu a existência de equipamentos científicos completos que permitem acompanhar o desenvolvimento das artes médicas e de seus campos afins.
Numa sala separada do acervo geral, dedicada exclusivamente às artes médicas, estão preservados diversos aparelhos e instrumental médico, desde um lavatório destinado à higiene, anterior ao sistema de água encanada e esgotos, até um eletroímã de uso oftalmológico, além de instrumentos cirúrgicos, em estantes e prateleiras. Existem ainda livros descrevendo cirurgias em homens e mulheres, com pinturas ilustrativas detalhadas. E a grande doação do dr. Waldemar de Carvalho Pinto Filho, ortopedista da instituição por muitos anos, que deixou para preservação da memória científica da Santa Casa itens referentes à sua especialidade médica, a ortopedia.
Há também uma outra sala separada dedicada às ciências farmacêuticas, que permite reencontrar as antigas práticas de manipulação de medicamentos, que eram prescritos pelos médicos em receitas individualizadas e confeccionados por farmacêuticos especializados, antes do advento dos remédios industrializados, tal como os conhecemos em nossos dias. Data essa sala de 2005 e sua existência se deve ao dr. Paulo Queiroz Marques, que, preocupado com a preservação do passado histórico das atividades farmacêuticas, fez a grande doação inicial, preservando o mobiliário da primeira farmácia da Santa Casa de São Paulo e os equipamentos e utensílios utilizados pelos boticários de outrora.
Apesar de seus relevantes acervos, com mais de 7.500 itens, o museu necessita receber um tratamento museológico atual, para que possa atender aos critérios contemporâneos de exposição e tornar-se um centro de referência, de divulgação científica e cultural, atraindo o público em geral, visitantes escolares e da comunidade do entorno. Com essa finalidade a diretora do museu entrou em contato com a Expomus, que organizou o projeto de requalificação do museu.
Dirigida por Maria Ignez Mantovani Franco, a Expomus é uma firma que para os especialistas no campo da museologia não precisa de apresentação, por sua trajetória e pelas atividades desenvolvidas desde os anos 1980, com exposições, criação e revitalização de museus e espaços culturais, programas educativos, gestão de acervos, projetos socioculturais, programas de memória institucional, consultorias específicas e outras atividades pertinentes, em diversas cidades de vários Estados.
A Provedoria, na pessoa do dr. Kalil Rocha Abdalla, que tem revelado constante preocupação com a instituição em todos os seus múltiplos aspectos, assinou recentemente a autorização para que a Expomus coloque na Lei Rouanet a proposta de requalificação do museu da Santa Casa, para que possa ter seus acervos mais bem apresentados e tornar visível a inestimável contribuição da instituição, em termos sociais, culturais e científicos, para a cidade de São Paulo.
*June Locke Arruda é mordomo do museu e da capela da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (diretora).
Fonte: O Estadão 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Casarão de antigo centro de tortura abrigará memorial em Porto Alegre


Autoridades percorreram o caminho que os presos faziam ao entrarem na casa para a tortura (Foto: Cristine Rochol/PMPA)Autoridades percorreram caminho feito pelos presos na casa (Foto: Cristine Rochol/Divulgação/PMPA)







O antigo casarão onde funcionava um centro clandestino de tortura de presos políticos na década de 1960, no bairro Bom Fim, Região Central de Porto Alegre, será desapropriado para a criação de um memorial em homenagem às vítimas do regime militar. O anúncio foi feito na quarta-feira (18) pelo prefeito José Fortunati e pelo governador Tarso Genro, durante ato promovido pelo Comitê Carlos de Ré – Comitê Gaúcho da Verdade, Memória e Justiça.
O memorial se chamará Ico Lisboa, em homenagem ao primeiro desaparecido político encontrado morto no Brasil. Em 1979, quase sete anos após a sua prisão, os restos mortais foram localizados em uma vala comum do Cemitério de Perus, em São Paulo.
A viúva Suzana Lisboa e o irmão de Ico, o músico Nei Lisboa, estiveram na solenidade. "É fundamental que a gente faça esse resgate. Temos que buscar a verdade, preservar a memória dessas pessoas que deram suas vidas por um país melhor e, dessa forma, garantir que fatos como esse nunca mais aconteçam”, disse Suzana.
Durante o ato que marcou o anúncio da desapropriação do antigo casarão, as autoridades percorreram o caminho que era feito pelos presos levados até a casa para serem torturados e mortos. Em função desta prática clandestina, o casarão ficou conhecido como Dopinha.
As vítimas da ditadura militar mortas ou desaparecidas foram lembradas com uma chamada durante a solenidade.
 Publicado em Rio Grande do Sul
Fonte: CBN

Porto Alegre investe R$ 60 mi em novo Centro de Convenções

Representantes da Prefeitura de Porto Alegre e da Caixa Econômica Federal assinam termo de compromisso nesta tarde (26). Ele autoriza a Capital financiar R$ 60 milhões para a construção de um novo Centro de Eventos. O valor faz parte do montante de R$ 660 milhões que o Ministério do Turismo destinará para dez capitais, com o objetivo de aprimorar a infraestrutura de eventos do país.

A Secretaria de Turismo do Estado pautou a discussão da criação do Centro, com base nos desafios apontados no Plano Estadual de Desenvolvimento do Turismo. O Centro de Eventos é considerado um equipamento importante para cumprir com o desafio de captar e realizar negócios e eventos. Para valorizar e fomentar a utilização deste equipamento, a Setur gaúcha aposta no projeto de criação do Comitê Mice (Meetings, Incentives, Conferencing, Exhibition - Reuniões, Incentivos, Congressos e Exposições), sigla utilizada em referência a um tipo específico de turismo, o turismo de negócios e eventos.

"Estou com uma sensação de dever cumprido. Desde o começo da nossa gestão na Setur/RS estamos mobilizando o setor e focando nossos esforços para tirar este projeto do papel", afirmou Abgail Pereira, Secretária do Turismo. Ela acredita que agora, com o Centro de Eventos sendo uma realidade, a criação do Comitê Mice se faz "fundamental", pois é ele "quem vai dar condições de operação para esse Centro". 

Hoje, o Rio Grande do Sul ocupa o segundo lugar no relatório da Associação Internacional de Congressos e Convenções, a ICCA, na captação de eventos internacionais. Para consolidar esta posição, o Estado busca maior competitividade. Abgail afirma que a meta para o próximo ano é fortalecer e aprimorar a estrutura dos Centros de Eventos que já existem no Estado, casos dos de Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Gramado, Torres, Esteio, Novo Hamburgo e outros, para atingir a meta de maior centro de eventos e negócios do Mercosul.
Fonte: Mercado&Eventos

Filme de Hitchcock abre projeto de clássicos em Porto Alegre

Produções restauradas pela Espaço Filmes ganham exibição em várias cidades do país

´Um Corpo que Cai´, de Alfred Hitchcock, abre projeto da Espaço Filmes na Capital<br /><b>Crédito: </b> CP Memória
´Um Corpo que Cai´, de Alfred Hitchcock, abre projeto da Espaço Filmes na Capital
Crédito: CP Memória
O filme “Um Corpo que Cai”, de Alfred Hitchcock, é o primeiro dos cinco clássicos a serem exibidos em várias cidades do país dentro do projeto da Espaço Filmes. O Espaço Itaú do Shopping Bourbon Country recebe uma cópia restaurada em DCP, dando a oportunidade de ver em tela grande este clássico em sessões diárias.  >

Entre as produções a serem lançadas em várias cidades estão “O Pequeno Fugitivo”, de Ray Ashley e Morris Angel; “Fome de Viver”, de Tony Scott; “Os Pássaros”, de Hitchcock; e “O Sentido da Vida”, de Terry Jones.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Exposição exibe acervo do Museu de Arte Contemporânea

São Paulo – Está em cartaz até julho de 2014 a exposição O Antes, o Agora, síntese do acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (Mac). Há 85 obras de artistas consagrados como Amedeo Modigliani, Anita Malfatti ao lado de outros mais jovens, como Albano Afono e Junior Suci. Está contemplado um período histórico que vem desde meados do século XIX até a atualidade. A mostra está no novo prédio da instituição, no Parque Ibirapuera, zona sul paulistana. 
A intenção da montagem é dar um panorama da diversidade do acervo do Mac, que completou 50 anos neste ano. “Esta opção por colocar lado a lado artistas modernos e contemporâneos visou proporcionar ao público, noção da pluralidade do acervo do museu”, explica o curador da exposição e diretor do Mac, Tadeu Chiarelli. 
Ao colocar obras mais antigas ao lado da produção mais recente, a curadoria tenta levar o público a compreender os caminhos percorridos pela arte no período. “Por outro, procurou criar uma exposição que instigasse o público a pensar sobre as fortes mudanças que ocorreram na arte nesses quase duzentos anos”, destaca o curador.
Chiarelli acredita que a disposição das obras tende a fazer com que os visitantes questionem as próprias opiniões sobre a arte. “Perturbar e ressignificar verdades consagradas são as funções de uma universidade preocupada com o devir do conhecimento”.
Edição: José Romildo 
  • Direitos autorais: Creative Commons - CC BY 3.0

Fonte: EBC

Usina do Gasômetro receberá seis exposições em 2014

Confira as mostras com visitação gratuita em Porto Alegre

Ao todo, seis exposições entrarão em cartaz na Galeria dos Arcos e na Galeria Lunara<br /><b>Crédito: </b> Ricardo Neves / Divulgação / CP
Ao todo, seis exposições entrarão em cartaz na Galeria dos Arcos e na Galeria Lunara 
Crédito: Ricardo Neves / Divulgação / CP
A comissão formada por Ana Flávia Baldisserotto, André Venzon e Clóvis Dariano avaliou os 53 projetos enviados no edital para Ocupação da Galeria dos Arcos e Galeria Lunara, em 2014. O espaço, localizado na Usina do Gasômetro (João Goulart, 551), em Porto Alegre, receberá seis exposições ao longo do próximo ano.

Para ocupar a Galeria Lunara, as exposições selecionadas foram “Somatória dos Meios”, de Karina Zen (Florianópolis - SC); “Corpo Presente”, de Leonardo Remor e Denis Rodriguez (Porto Alegre); e “Dialógico”, de Wayner Tristão (Vitória - ES). Na Galeria dos Arcos poderão ser conferidas “Jardim” (Sapucaia do Sul, RS), “Asfixia”, de Ricardo Neves (Porto Alegre, RS) e “Meio-Fio - Vida de Cadeirante”, de Tadeu Vilani e Jorge Aguiar (Porto Alegre, RS). Cada selecionado receberá premiação de R$ 2mil.

A comissão de seleção, tendo em vista a qualidade dos projetos, resolveu indicar também dois projetos suplentes para cada uma das galerias. Para a Galeria Lunara foram indicados “Para Onde Vão os Heróis”, de Joana B. Burd (Porto Alegre, RS) e “desenho.modo.paisagem”, de Ana Adelaide P. Balthar (Rio de Janeiro, RJ). Já para a Galeria dos Arcos, os trabalhos escolhidos são “Onde Ninguém Habita”, de Cláudia Hamerski (Porto Alegre, RS), e “Outros de Mim”, inscrito por Fernanda Pozza da Costa (Joinville, SC), curadora da mostra que apresenta imagens dos fotógrafos Ana Aguiar, Ana Paula Petronilho, Anna Luiza Koszela, Brunna Vaz, Cássia Mara, Daniel Tonet, Hachilyn Corrêa, Jéssica da Luz, Jonas Porto, Julia Porcher, Karen Martins, Talita Satler, Thaís Biancatti, Ana Markiewicz e Daniela H. dos Santos. Concorreram projetos de todo o país, em fotografia, vídeo e videoinstalação, em uma demonstração da qualidade e diversidade da produção artística contemporânea.
Fonte: Correio do Povo

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Enciclopédia voltada às artes ganhará nova versão

Música, dança e cinema entram na base de dados da Itaú Cultural

Fonte para estudiosos, pesquisadores e trabalhadores da cultura, a enciclopédia digital do Itaú Cultural estará de cara nova a partir de janeiro. Até agora, estavam disponíveis para consulta as áreas de artes visuais, teatro, literatura e arte e tecnologia. Em 2014, começam a ser contemplados os episódios e artistas mais significativos também dos segmentos de música, dança e cinema. Outra diferença em relação à base de dados atual: toda a enciclopédia será acessada de forma unificada, e não separada por segmentos artísticos como acontecia até agora. 

"A experiência com o trabalho de catalogar e organizar acervos acabou deixando evidente que muitos artistas possuem atuação em diversas áreas", pontua Tânia Rodrigues, gerente das enciclopédias. Outro recurso disponível na enciclopédia são os vídeos, que complementam as informações dos verbetes com entrevistas dos artistas em questão, falando sobre seu trabalho e obras mais significativas. As gravações devem ter legendas em inglês, francês e espanhol. 

O que entra no ar em janeiro é uma versão beta do site, ainda passível de ajustes. Mas já será possível consultar 176 verbetes de cinema, 101 de dança e 459 de música. Somam 142 os vídeos disponíveis.Mesmo com as novidades, as áreas que já eram contempladas anteriormente devem continuar crescendo. Existem hoje para consulta na internet 5.556 verbetes de artes visuais, 914 de teatro, 655 de literatura brasileira e 109 de arte e tecnologia. 

O trabalho foi iniciado há cerca de 25 anos. À época, para chegar ao público, o banco de dados era transportado dentro de caminhões, que percorriam a cidade e recebiam visitantes. Em 2013, até novembro, o número de acessos à enciclopédia foi, segundo informações da entidade, de 12,5 milhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: (Estadão) Correio do Povo

Enciclopédia voltada às artes ganhará nova versão

Música, dança e cinema entram na base de dados da Itaú Cultural

Fonte para estudiosos, pesquisadores e trabalhadores da cultura, a enciclopédia digital do Itaú Cultural estará de cara nova a partir de janeiro. Até agora, estavam disponíveis para consulta as áreas de artes visuais, teatro, literatura e arte e tecnologia. Em 2014, começam a ser contemplados os episódios e artistas mais significativos também dos segmentos de música, dança e cinema. Outra diferença em relação à base de dados atual: toda a enciclopédia será acessada de forma unificada, e não separada por segmentos artísticos como acontecia até agora. 

"A experiência com o trabalho de catalogar e organizar acervos acabou deixando evidente que muitos artistas possuem atuação em diversas áreas", pontua Tânia Rodrigues, gerente das enciclopédias. Outro recurso disponível na enciclopédia são os vídeos, que complementam as informações dos verbetes com entrevistas dos artistas em questão, falando sobre seu trabalho e obras mais significativas. As gravações devem ter legendas em inglês, francês e espanhol. 

O que entra no ar em janeiro é uma versão beta do site, ainda passível de ajustes. Mas já será possível consultar 176 verbetes de cinema, 101 de dança e 459 de música. Somam 142 os vídeos disponíveis.Mesmo com as novidades, as áreas que já eram contempladas anteriormente devem continuar crescendo. Existem hoje para consulta na internet 5.556 verbetes de artes visuais, 914 de teatro, 655 de literatura brasileira e 109 de arte e tecnologia. 

O trabalho foi iniciado há cerca de 25 anos. À época, para chegar ao público, o banco de dados era transportado dentro de caminhões, que percorriam a cidade e recebiam visitantes. Em 2013, até novembro, o número de acessos à enciclopédia foi, segundo informações da entidade, de 12,5 milhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: (Estadão) Correio do Povo

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Filippin mostra que fotografia tem futuro

Jair Stangler

ANTONIO PAZ/JC
Fillippin considera fundamental investir em equipamentos
Fillippin considera fundamental investir em equipamentos
Na era do smartphone, quando qualquer pessoa munida de um celular se transforma em um fotógrafo e pode armazenar milhares de imagens no computador, pen drive ou CD e publicá-las instantaneamente no Instagram e no Facebook, não surpreende que tantas lojas especializadas tenham fechado nos últimos anos. Tampouco parece exagero acreditar que as fotografias impressas em papel estejam fadadas ao desaparecimento. Certo?

A resposta talvez não seja assim tão óbvia. O empresário Leonel Luiz Filippin, da Filippin Fotografias, mantém a loja há 42 anos e sobreviveu ao vendaval que fechou, segundo seus próprios cálculos, 90% das lojas desde 2007. Nesse período, ele viu o faturamento cair de R$ 300 mil para R$ 40 mil e diminuiu o número de funcionários de 35 para dez. “Se eu não tivesse bala na agulha para segurar, teria quebrado, como aconteceu com os outros”, sentencia.

Filippin diz que, após esse período de retração, os negócios começaram a retomar o crescimento. “Acredito que o movimento não vai voltar à escala que teve nas décadas de 1990 e 2000, mas, uma loja como a nossa, que investe na fotografia profissional, tem futuro. Nos próximos cinco anos, vamos ganhar dinheiro”, prevê.

Além da redução da concorrência, o empresário acredita que grande parte do público quer ter as imagens registradas no papel. “A pessoa começa a imprimir a partir da hora que pega o pendrive ou o CD e não abre mais”, diz. Além disso, não é preciso imprimir todas as imagens. “Antes, o clique custava dinheiro, o filme era R$ 15,00, R$ 20,00. Cada foto tinha que ser direcionada. Agora não, pois o clique no digital é fácil”, reflete. “É uma arte, uma coisa que você vai guardar”, defende.

Filippin diz que, para se manter à frente da concorrência, além de trabalhar com profissionalismo, sempre procurou ter o melhor equipamento, independentemente do valor que precisasse investir. Foi por isso que, em 1970, quando começou como fotógrafo, comprou uma Nikkon importada pelo valor de um fusca 0 km. Mas foi no início dos anos 2000 que a postura lhe rendeu os melhores resultados. “Fui o primeiro a comprar o Frontier 350 (minilab digital da Fuji) em 2002. No início, me chamaram de maluco. Investir R$ 600 mil na fotografia assim de uma tacada? Ninguém tinha laboratório digital em Porto Alegre na época. Eu fui o primeiro no Rio Grande do Sul. Entrou em São Paulo, depois outro em Joinville, e aí o terceiro fui eu”, conta.

A partir daí, a loja viveu seu auge. “Do segundo semestre de 2003 até o segundo semestre de 2007, eram impressas 450 mil fotos por mês, e isso que tinha concorrência forte”, lembra. “Eu trabalhava muito, mas ganhei muito dinheiro”, conta. Atualmente, são impressas cerca de 40 mil fotos mensais em sua loja.

Além da impressão, há também serviços de restauração, reprodução e fotos para documentos. Até 2007, acessórios como pilhas, filmes e fitas cassete ajudavam a completar o faturamento. “Mas hoje é tudo recarregável”, lamenta. As fotos para documentos também caíram de 150 por dia, há dez anos, para cerca de 30 ou 40 atualmente.

Da lavoura para as lentes

Quando saiu da casa de seus pais, em 1969, aos 17 anos, Leonel Luiz Filippin nunca havia visto uma fotografia. “Eu morava na colônia, a uns 15 quilômetros de Jacutinga do Sul”, conta. Na Capital, Filippin trabalhou sete meses em um abastecedor de supermercados. Foi então que adquiriu sua primeira máquina. “Recebi explicações na loja e fui fotografar na praia de Ipanema. No primeiro domingo, as fotos renderam mais do que eu ganhava no mês inteiro. Aí acabou o verão e comecei a fotografar nas praças”, lembra.

O negócio prosperou e, já em 1971, Filippin montou a primeira loja na galeria Bom Fim, onde está até hoje, mas ainda não na entrada do prédio. Nesse período, ficou amigo de militantes que, anos depois, entrariam para o PT, como Raul Pont, Clóvis Ilgenfritz, Olívio Dutra e José Clóvis Azevedo. Segundo ele, os militantes alugavam uma sala, que ficava fechada a maior parte do tempo e era usada para reuniões à noite. “Eu recebia o material de São Paulo e entregava para eles. Jornal ‘Em tempo’, coisas contra a ditadura”, conta.

Nas décadas de 1970 e 1980, os casamentos eram o grande filão, movimento que diminuiu a partir de 2003. “Para ficar, era preciso casar, então tinha casamento aos montes. Hoje o pessoal vai viver junto e muitas vezes nem faz o casamento oficial”, compara, ao lembrar que chegou a fotografar mais de 50 casamentos em um mês.
Fonte:  Jornal do Comércio