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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Documentário sobre Sebastião Salgado é indicado ao Oscar

 
Documentário brasileiro "O Sal da Terra" é indicado ao Oscar | Foto: Ricardo Giusti / CP Memória


A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou nesta quinta-feira os indicados ao Oscar 2015. O documentário brasileiro sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, "O Sal da Terra", faturou uma indicação. O filme é de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, filho do fotógrafo.

"O Sal da Terra” pode trazer para o Brasil o primeiro Oscar, após o cinema nacional ficar de fora da categoria Melhor Filme Estrangeiro. 

Fonte: Correio do Povo

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Festival de Brasília começa com "Revelando Sebastião Salgado"

Longas e documentários serão exibidos dentro das mostras competitivas até dia 24

´Revelando Sebastião Salgado´ foi vencedor do Prêmio Especial no 41º Festival de Gramado<br /><b>Crédito: </b> Festival de Gramado / Divulgação / CP
´Revelando Sebastião Salgado´ foi vencedor do Prêmio Especial no 41º Festival de Gramado 
Crédito: Festival de Gramado / Divulgação / CP
Na noite desta terça-feira, os acordes da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro darão o início sonoro da 46º edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A produção cinematográfica que abre o Festival deste ano é “Revelando Sebastião Salgado”, de Betse de Paula, vencedora de Prêmio Especial, no recente 41º Festival de Gramado.

As mostras competitivas ocorrem no Cine Brasília e nas cidades do Gama (Teatro Sesc Gama), Sobradinho (Teatro de Sobradinho), Ceilândia (Teatro Sesc Newton Rossi), Taguatinga (Teatro Paulo Autran Sesc Taguatinga) e Guará (Auditório da Administração Regional do Guará). Com a coordenação-geral de Sérgio Fidalgo, coordenador de Audiovisual da Secretaria de Estado de Cultura do GDF, o evento se propõe a abrir espaço à reflexão sobre a realidade brasileira sob enfoques de várias regiões do país.

Neste ano, o Festival recebeu 480 inscrições, sendo 39 longas-metragens de ficção, 63 documentários, 240 curtas de ficção, 103 curtas de documentários e 35 curtas de animação. Dos 480 inscritos, 60 títulos foram produzidos no Distrito Federal - um longa de ficção, nove documentários, 29 curtas de ficção, 15 documentários e seis de animação. Na noite de encerramento, dia 24, ocorre a entrega dos prêmios e troféus aos vencedores das mostras competitivas, num total de R$ 700 mil, e outros prêmios como Aquisição Canal Brasil e da Crítica.

Entre os longas concorrentes estão “A Estrada 47 (A Montanha)”, de Vicente Ferraz; “Avanti Popolo”, de Michael Wahrmann; “Depois da Chuva”, de Cláudio Marques e Marília Hughes; “Exilados do Vulcão”, de Paula Gaitán; “Os Pobres Diabos”, de Rosemberg Cariry; “Riocorrente”, de Paulo Sacramento. Nos documentários, os filmes são: “A Arte do Renascimento - uma Cinebiografia de Silvio Tendler”, de Noilton Nunes; “Hereros Angola”, de Sergio Guerra; “Morro dos Prazeres”, de Maria Augusta Ramos; “O Mestre e o Divino”, de Tiago Campos; “Outro Sertão”, de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela; e “Plano B”, de Getsemane Silva

Fonte: Correio do Povo

sábado, 7 de setembro de 2013

'Fotografia são símbolos', diz Sebastião Salgado

"Gênesis" - um livro de sucesso e uma exposição- acontece simultaneamente em vários países, inclusive no Brasil.

O Fantástico mostrou a beleza das imagens de um dos maiores fotógrafos do mundo, o brasileiro Sebastião Salgado.
O Sebastião, ou "Tião", para os íntimos,  conta a história do início do mundo nas fotos do livro e da exposição "Gênesis", um trabalho primoroso que você precisa conhecer.
Zeca Camargo: Final de tarde em Paris quer lugar e motivo melhor pra gente celebrar o Show da Vida? Vamos melhorar um pouco essa celebração. Vamos convidar alguém que foi atrás do início desse show inteiro, do Gênese. A gente tá perto do seu estúdio, Sebastião?
Sebastião Salgado: Tá ao lado.
Zeca Camargo: Então por favor.
Sebastião Salgado: Fotografia são símbolos. Ou você tem uma fotografia que ela sozinha conta a história sem legenda, sem nada, ou você não tem a fotografia.

Circular pelo estúdio de Sebastião é como dar uma mini volta ao mundo. É daqui que saem as imagens que fizeram dele um dos mais respeitados fotógrafos internacionalmente - uma reputação que só cresceu com seu último trabalho, "Gênesis" - um livro de sucesso e uma exposição que acontece simultaneamente em vários países, inclusive no Brasil. A mostra agora está no Rio e, mês que vem, vai para São Paulo.

Zeca Camargo: Todos os destinos que você foi você tinha uma. no mínimo uma ideia. Muito difícil escolher esses lugares, ou você. Você partiu da Terra inteira, né? Da História inteira, né?
Sebastião Salgado: Olha, eu parti da Terra inteira. Agora, pra mim, eu tive que fazer um aprendizado em tudo pra fazer o "Gênesis". Primeiro: eu nunca tinha fotografado outra coisa que o ser humano. O único animal que eu tinha fotografado até então era o ser humano. Eu tive que aprender a fotografar os outros animais, aprender a fotografar paisagens.

E como aprendeu: a ideia em "Gênesis" era mostrar a terra como ela era - e ainda é - no tempo em que nós começamos a tomar conta dela. Um passado (e ao mesmo tempo presente), que está registrado com uma força impressionante. Sebastião descobriu que a nossa casa não mudou tanto assim:

Sebastião Salgado: Quase a metade do planeta ainda tá como no dia do Gênesis.
Zeca Camargo: Isso é incrível.
Sebastião Salgado: Nós temos um pouco mais de 46 por cento do planeta que o homem foi, passou, mas não destruiu ainda. As terras muito frias do planeta ou as terras extremamente quentes, como o deserto.
E tem outra coisa que Sebastião percebeu que não mudou. Nós mesmos
Sebastião Salgado: Eu descobri que nós, de dez mil anos atrás, há 50 mil anos atrás, que eu encontrei na viagem de "Gênesis", tem pouquissíma diferença com nós de hoje. Porque as coisas essenciais nós já tínhamos. Olha, a gente já se amava uns aos outros, a gente amava os filhos da gente como a gente ama hoje. O conceito de comunidade, o conceito de solidariedade, tudo existia, entende? 
Nesse sentido, "Gênesis" é uma espécie de resumo maior de tudo que Sebastião Salgado sempre buscou

Sebastião Salgado: O que eu acreditei, você entende? Foi como eu vivi com a minha família, com meus filhos, com a minha mulher, com meus amigos, com a minha ideologia, com a minha ética, com tudo. Olha, veja a minha geração. Eu tenho 70 anos, eu vim de uma geração que lutou por uma série de direitos, que lutou contra a ditadura, que teve que sair de seu país, que fiz parte de um movimento de esquerda, que lutou pela libertação de muita coisa na África, em Portugal, no Brasil, nos outros países da América Latina, então eu venho desse comportamento. Então eu só fotografei o que eu quis fotografar, o que eu tive prazer de fotografar. Mesmo que fossem histórias muito duras, eu queria fazer. Eu queria exorcizar alguma coisa dentro de mim,  então eu fui.    
Mas sem esquecer o lugar onde tudo começou.
Sebastião Salgado: Eu cresci numa fazenda, eu vivi numa liberdade fantástica, naquele relevo mineiro que não são montanhas altas, mas são montanhas. Então com aquela sucessão de montanhas, os pontos altos da fazenda do meu pai, o sonho que eu tinha de ir mais longe, aquelas luzes. Olha, eu reencontrei aquelas luzes em quase todas as minhas fotografias.
Foi pra sentir um pouco dessa luz, dessa inspiração, que o Fantástico foi até Aimorés, em Minas Gerais. Lá Sebastião Salgado voltou depois de anos pra fazer um belíssimo trabalho de recuperação da natureza. E para reencontrar amigos que conhecem ele apenas por "Tião".

Zeca Camargo: Pra você, Sebastião Salgado não existe, né?
Marilda Damasceno, supervisora de logística: Não.
Zeca Camargo: E quem que é?
Marilda Damasceno, supervisora de logística: Tião.
Faz 13 anos que Marilda trabalha para o Tião no Instituto Terra, que recupera a Mata Atlântica na região da fazenda que era família dele.
Zeca Camargo: Cada lugar que ele vai, ele tem uma história pra contar pra gente, né?
“Eu fiquei. dormi na rede, dormi num barraca". Eu falei: Tião, pra que isso? Você é um cara já, assim, de idade. Ele fala: ‘Marildinha, faz parte, eu gosto disso’.

Manoel Bernardo Lopes, funcionário da fazenda: Conheço o Tião desde novo.
Zeca Camargo: Criança mesmo?
Manoel Bernardo Lopes, funcionário da fazenda: Bem assim de nove anos, mais ou menos. Ele é apaixonado por esse terreno desde criança.
Seu Manoel começou a trabalhar aqui como vaqueiro, mas hoje faz parte dessa equipe que está devolvendo o verde à região - e fazendo escola.
Manoel Bernardo Lopes, funcionário da fazenda: É uma coisa muito bem feita. Muita linda. E ele faz com muito entusiasmo. O que o Tião faz, faz com perfeição. Seja qualquer parte que ele tiver, ele. ele é agarrado ali e é com garra mesmo, com força, com entusiasmo, com muito amor, com muita atenção com todo mundo.

E o Tião de Aimorés é o Sebastião do mundo: esse brasileiro que, se deixar não vai para nunca de chamar a atenção do próprio homem para o show da vida.

Zeca Camargo: Depois que você foi à origem nossa ali, você caminha pra onde no seu trabalho?
Sebastião Salgado: Não, olha. Os fotógrafos têm uma vantagem imensa, sabe? Os fotógrafos vivem muito, certamente, e trabalham a vida inteira. É que nem bicicleta. Se parar de pedalar, a gente cai.
Fonte: G1 Globo

Sebastião Salgado narra momentos impressionantes do projeto 'Genesis'

Brasileiro ícone da fotografia lança em São Paulo mostra com 245 imagens.
Em vídeos, ele lembra experiências do 1º trabalho em que clicou animais.

Fábio TitoDo G1, em São Paulo
Sebastião Salgado mostra como gorila se comportou diante de sua câmera ao perceber seu próprio reflexo (Foto: Fábio Tito/G1)Sebastião Salgado mostra como gorila se comportou diante de sua câmera ao perceber seu próprio reflexo (Foto: Fábio Tito/G1)
"Eu me vi, eu mesmo, há 50 mil anos atrás, na minha espécie, indo tomar água e vendo minha imagem pela primeira vez ao identificar que aquela imagem era a minha." É assim que o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, ícone da fotografia contemporânea, descreve um dos momentos vividos dentro dos 8 anos de produção de "Genesis", seu trabalho mais recente que chega a São Paulo nesta semana.
A referência é ao momento em que Salgado observa um jovem gorila identificando seu próprio reflexo na lente da câmera, como ele explica em vídeo(assista ao lado). Famoso por registros documentais impressionantes, como o da Serra Pelada na década de 1980 e o ensaio "Êxodos" mostrando povos migrantes pelo mundo, o brasileiro teve em "Genesis" as primeiras experiências fotografando animais para um grande projeto.
Apesar de o nome do projeto ser igual ao do primeiro livro da Bíblia, Salgado deixa clara sua admiração por Charles Darwin e sua teoria da evolução ao lembrar de sua entrada no grupo de primatas na África.
Sebastião ao lado de sua mulher, Lélia Wanick Salgado, que é também curadora de &#39;Genesis&#39; e de outros projetos do fotógrafo (Foto: Fábio Tito/G1)Sebastião ao lado de sua mulher, Lélia Wanick
Salgado, curadora de 'Genesis' e de outros projetos
do fotógrafo (Foto: Fábio Tito/G1)
"99% do que nós temos, o gorila tem. O gorila, na verdade, somos nós em evolução. Quando você vem fotografar aqui, você é recebido por uma família. Você tem o avô, tem o pai, tem os filhos. É uma relação vertical, de avô, pai e filho. É incrível", relata.
O fotógrafo recordou do primeiro animal que teve diante de suas lentes no projeto, uma tartaruga-gigante-de-galápagos. Diante da foto imponente da tartaruga, que chega a medir 1,5 metro e pesar 250 quilos, ele conta que o primeiro contato não foi receptivo. "Comecei a andar na direção dela, e ela não gostou. Quando passei a caminhar lentamente para trás, respeitando o território, ela passou a me aceitar", afirma.
Outra experiência animal impressionante, segundo Salgado, foi o contato com uma baleia-franca-austral no litoral de Golfo Nuevo, na península Valdés, Argentina.(vídeo ao lado)
"Ela vinha, no início, com o bebezinho dela, mas não se aproximava do barco. Depois, devagarinho, foi se aproximando, até o ponto em que ela vinha ao barco e eu tocava nela como se fosse um cachorrinho. (...) Ela é de uma sensibilidade extrema. Eu passava a mão na face dela e via a pele dela inteirinha tremer, até o fim da cauda. (...) Ela às vezes pegava a gente entre a cabeça e a cauda, e eu não podia fotografar. A gente ficava dentro dela! Ficou amiga nossa", recorda.
Uma baleia-franca-austral (Eubalaena australis) navega no cenário do Rochedo de Puerto Pirâmides, a principal referência geográfica do litoral de Golfo Nuevo. Península Valdés, Argentina. 2004 (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)Baleia-franca-austral (Eubalaena australis) que ficou 'amiga' de Salgado. A espécie navega no cenário do Rochedo de Puerto Pirâmides, a principal referência geográfica do litoral de Golfo Nuevo. Península Valdés, Argentina. 2004 (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)
Já no vídeo abaixo, Salgado explica como ocorreu a única das 245 fotografias em que ele mesmo aparece no quadro, refletido no olho de um filhote de elefante-marinho.
Na coletiva de imprensa seguida de visita guiada pelos salões da exibição no Sesc Belenzinho, Zona Leste de São Paulo, Salgado reiterou diversas vezes o que parece ser a conclusão principal de suas viagens por pontos isolados e extremos do planeta: precisamos repensar a forma em que vivemos em sociedade, em todo o mundo.
"Nós criamos uma máquina infernal", afirma, referindo-se também aos governos que seguem com políticas não sustentáveis; governos "eleitos por nós", lembra Salgado. Para o fotógrafo, portanto, a mudança para um convívio mais correto no e com o planeta deve partir, igualmente, de nós.
Sebastião Salgado fala sobre tartaruga-gigante que foi seu 1º animal fotografado (Foto: Fábio Tito/G1)Salgado fala sobre tartaruga-gigante que foi seu
1º animal fotografado (Foto: Fábio Tito/G1)
Questionado pelo G1 sobre as críticas que "Genesis" recebeu no Brasil e no exterior por contar com o patrocínio da mineradora Vale, ele voltou a defender essa visão, dizendo que uma mudança na direção de um mundo mais sustentável não vai partir das grandes mineradoras, petrolíferas ou outras grandes empresas. "A mudança não vai partir deles, vai ser de todos nós."
Entre os povos fotografados em "Genesis" estão indígenas da região do Xingu. A Vale tem participação no consórcio Norte Energia, que irá construir e administrar a futura hidrelétrica. Considerada uma das principais obras de infraestrutura em andamento no país, ambientalistas e o Ministério Público são contra a construção por considerar que a usina vai prejudicar a comunidade indígena e a natureza da região.
8 anos de produção
"Genesis" é composta por 245 imagens capturadas em oito anos de viagens aos recantos mais selvagens do planeta.
A jornada para a composição do projeto, que passou pelo Museu de História Natural de Londres no 1º semestre e também pelo Jardim Botânico do Rio até o mês passado, começou em 2004 e durou até 2012. Salgado realizou 30 viagens utilizando aviões de pequeno porte, helicópteros, barcos e canoas para atingir os pontos mais remotos do planeta.
Genesis, de Sebastião Salgado
Curadoria - Lélia Wanick Salgado
SESC Belenzinho - Rua Padre Adelino, 1000
A partir desta sexta-feira (5), até 1º de dezembro
Visitação: de terça a sábado, das 10h às 19h30
Pinguins-de-barbicha (Pygoscelis antarctica ) sobre icebergs  localizados entre as ilhas Zavodovski e Visokoi. Ilhas Sandwich do Sul. (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)Pinguins-de-barbicha (Pygoscelis antarctica) se atiram de iceberg localizado entre as ilhas Zavodovski e Visokoi, nas Ilhas Sandwich do Sul (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)
Na região da bacia do Xingu, estado de Mato Grosso, um grupo de indígenas waurá pesca na lagoa Piyulaga, perto de sua aldeia. Mato Grosso. (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)Na região da bacia do Xingu, estado de Mato Grosso, um grupo de indígenas waurá pesca na lagoa Piyulaga, perto de sua aldeia (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)
Perseguidos por caçadores furtivos na Zâmbia, os elefantes (Loxodonta africana) têm medo dos homens e dos veículos, e geralmente, entram rapidamente no mato, assustados. Parque Nacional de Kafue, Zâmbia. 2010 (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)Perseguidos por caçadores furtivos na Zâmbia, os elefantes (Loxodonta africana) têm medo dos homens e dos veículos, e geralmente, entram rapidamente no mato, assustados. Parque Nacional de Kafue, Zâmbia. 2010 (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)Fonte: G1 São Paulo

Sebastião Salgado narra momentos impressionantes do projeto 'Genesis'

Brasileiro ícone da fotografia lança em São Paulo mostra com 245 imagens.
Em vídeos, ele lembra experiências do 1º trabalho em que clicou animais.

Fábio TitoDo G1, em São Paulo
Sebastião Salgado mostra como gorila se comportou diante de sua câmera ao perceber seu próprio reflexo (Foto: Fábio Tito/G1)Sebastião Salgado mostra como gorila se comportou diante de sua câmera ao perceber seu próprio reflexo (Foto: Fábio Tito/G1)
"Eu me vi, eu mesmo, há 50 mil anos atrás, na minha espécie, indo tomar água e vendo minha imagem pela primeira vez ao identificar que aquela imagem era a minha." É assim que o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, ícone da fotografia contemporânea, descreve um dos momentos vividos dentro dos 8 anos de produção de "Genesis", seu trabalho mais recente que chega a São Paulo nesta semana.
A referência é ao momento em que Salgado observa um jovem gorila identificando seu próprio reflexo na lente da câmera, como ele explica em vídeo(assista ao lado). Famoso por registros documentais impressionantes, como o da Serra Pelada na década de 1980 e o ensaio "Êxodos" mostrando povos migrantes pelo mundo, o brasileiro teve em "Genesis" as primeiras experiências fotografando animais para um grande projeto.
Apesar de o nome do projeto ser igual ao do primeiro livro da Bíblia, Salgado deixa clara sua admiração por Charles Darwin e sua teoria da evolução ao lembrar de sua entrada no grupo de primatas na África.
Sebastião ao lado de sua mulher, Lélia Wanick Salgado, que é também curadora de &#39;Genesis&#39; e de outros projetos do fotógrafo (Foto: Fábio Tito/G1)Sebastião ao lado de sua mulher, Lélia Wanick
Salgado, curadora de 'Genesis' e de outros projetos
do fotógrafo (Foto: Fábio Tito/G1)
"99% do que nós temos, o gorila tem. O gorila, na verdade, somos nós em evolução. Quando você vem fotografar aqui, você é recebido por uma família. Você tem o avô, tem o pai, tem os filhos. É uma relação vertical, de avô, pai e filho. É incrível", relata.
O fotógrafo recordou do primeiro animal que teve diante de suas lentes no projeto, uma tartaruga-gigante-de-galápagos. Diante da foto imponente da tartaruga, que chega a medir 1,5 metro e pesar 250 quilos, ele conta que o primeiro contato não foi receptivo. "Comecei a andar na direção dela, e ela não gostou. Quando passei a caminhar lentamente para trás, respeitando o território, ela passou a me aceitar", afirma.
Outra experiência animal impressionante, segundo Salgado, foi o contato com uma baleia-franca-austral no litoral de Golfo Nuevo, na península Valdés, Argentina.(vídeo ao lado)
"Ela vinha, no início, com o bebezinho dela, mas não se aproximava do barco. Depois, devagarinho, foi se aproximando, até o ponto em que ela vinha ao barco e eu tocava nela como se fosse um cachorrinho. (...) Ela é de uma sensibilidade extrema. Eu passava a mão na face dela e via a pele dela inteirinha tremer, até o fim da cauda. (...) Ela às vezes pegava a gente entre a cabeça e a cauda, e eu não podia fotografar. A gente ficava dentro dela! Ficou amiga nossa", recorda.
Uma baleia-franca-austral (Eubalaena australis) navega no cenário do Rochedo de Puerto Pirâmides, a principal referência geográfica do litoral de Golfo Nuevo. Península Valdés, Argentina. 2004 (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)Baleia-franca-austral (Eubalaena australis) que ficou 'amiga' de Salgado. A espécie navega no cenário do Rochedo de Puerto Pirâmides, a principal referência geográfica do litoral de Golfo Nuevo. Península Valdés, Argentina. 2004 (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)
Já no vídeo abaixo, Salgado explica como ocorreu a única das 245 fotografias em que ele mesmo aparece no quadro, refletido no olho de um filhote de elefante-marinho.
Na coletiva de imprensa seguida de visita guiada pelos salões da exibição no Sesc Belenzinho, Zona Leste de São Paulo, Salgado reiterou diversas vezes o que parece ser a conclusão principal de suas viagens por pontos isolados e extremos do planeta: precisamos repensar a forma em que vivemos em sociedade, em todo o mundo.
"Nós criamos uma máquina infernal", afirma, referindo-se também aos governos que seguem com políticas não sustentáveis; governos "eleitos por nós", lembra Salgado. Para o fotógrafo, portanto, a mudança para um convívio mais correto no e com o planeta deve partir, igualmente, de nós.
Sebastião Salgado fala sobre tartaruga-gigante que foi seu 1º animal fotografado (Foto: Fábio Tito/G1)Salgado fala sobre tartaruga-gigante que foi seu
1º animal fotografado (Foto: Fábio Tito/G1)
Questionado pelo G1 sobre as críticas que "Genesis" recebeu no Brasil e no exterior por contar com o patrocínio da mineradora Vale, ele voltou a defender essa visão, dizendo que uma mudança na direção de um mundo mais sustentável não vai partir das grandes mineradoras, petrolíferas ou outras grandes empresas. "A mudança não vai partir deles, vai ser de todos nós."
Entre os povos fotografados em "Genesis" estão indígenas da região do Xingu. A Vale tem participação no consórcio Norte Energia, que irá construir e administrar a futura hidrelétrica. Considerada uma das principais obras de infraestrutura em andamento no país, ambientalistas e o Ministério Público são contra a construção por considerar que a usina vai prejudicar a comunidade indígena e a natureza da região.
8 anos de produção
"Genesis" é composta por 245 imagens capturadas em oito anos de viagens aos recantos mais selvagens do planeta.
A jornada para a composição do projeto, que passou pelo Museu de História Natural de Londres no 1º semestre e também pelo Jardim Botânico do Rio até o mês passado, começou em 2004 e durou até 2012. Salgado realizou 30 viagens utilizando aviões de pequeno porte, helicópteros, barcos e canoas para atingir os pontos mais remotos do planeta.
Genesis, de Sebastião Salgado
Curadoria - Lélia Wanick Salgado
SESC Belenzinho - Rua Padre Adelino, 1000
A partir desta sexta-feira (5), até 1º de dezembro
Visitação: de terça a sábado, das 10h às 19h30
Pinguins-de-barbicha (Pygoscelis antarctica ) sobre icebergs  localizados entre as ilhas Zavodovski e Visokoi. Ilhas Sandwich do Sul. (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)Pinguins-de-barbicha (Pygoscelis antarctica) se atiram de iceberg localizado entre as ilhas Zavodovski e Visokoi, nas Ilhas Sandwich do Sul (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)
Na região da bacia do Xingu, estado de Mato Grosso, um grupo de indígenas waurá pesca na lagoa Piyulaga, perto de sua aldeia. Mato Grosso. (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)Na região da bacia do Xingu, estado de Mato Grosso, um grupo de indígenas waurá pesca na lagoa Piyulaga, perto de sua aldeia (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)
Perseguidos por caçadores furtivos na Zâmbia, os elefantes (Loxodonta africana) têm medo dos homens e dos veículos, e geralmente, entram rapidamente no mato, assustados. Parque Nacional de Kafue, Zâmbia. 2010 (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)Perseguidos por caçadores furtivos na Zâmbia, os elefantes (Loxodonta africana) têm medo dos homens e dos veículos, e geralmente, entram rapidamente no mato, assustados. Parque Nacional de Kafue, Zâmbia. 2010 (Foto: Sebastião Salgado/Divulgação)Fonte: G1 São Paulo