segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Escritores Falta de "interesse" político mantém "mito" da cultura lusófona

A cultura lusófona tem sido movida mais por autores e editoras do que por "interesse" de governos, mas para deixar de ser "um mito" precisaria de "políticas" e "investimento", destacam dois escritores ouvidos pela Lusa.


"Quando falamos de lusofonia, falamos dos territórios que falam a língua portuguesa" e isso "tem uma envolvência política", assinala o escritor timorense Luís Cardoso, que acaba de lançar "O ano em que Pigafetta contemplou a circum-navegação", em declarações à Lusa à margem da iniciativa Correntes d'Escritas, que hoje termina.
Reconhecendo que "hoje em dia já há mais" um sentimento de partilha em torno de um património comum, Luís Cardoso lamenta que, por mais "esforços" que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) faça, os países lusófonos ainda estejam "muito fechados relativamente ao que se passa nos outros territórios" com a mesma língua.
Ainda há autores portugueses que insistem na "enormidade" de se recusarem a ler autores brasileiros por acharem que estes "não escrevem em português", exemplifica Manuel Jorge Marmelo, autor de "Somos todos um bocado ciganos".
O escritor assume um "sentimento" lusófono na sua escrita, que originou "Os olhos do homem que chorava no rio", uma parceria com a autora angolana Ana Paula Tavares, após uma "semente" lançada pelo escritor brasileiro Paulinho Assunção.
"Sempre tentei aprender alguma coisa com as pessoas de outros países que escrevem em português", relata Manuel Jorge Marmelo, referindo que tenta "até transpor algumas coisas", por exemplo "ritmos", para a sua escrita.
Porém, admite, fazer deste "sentimento" individual de pertença comum um objectivo geral "exigiria um investimento" que Portugal não tem "condições de fazer".
E o Brasil tem "uma cultura de tal modo forte" que "não precisa desse rótulo" da lusofonia, realça o autor, que escreve há 20 anos, mas ainda não conseguiu realizar o seu "sonho" de sempre: ser editado no Brasil.
Algumas editoras portuguesas estão a apostar no Brasil, por exemplo a Leya e a Tinta da China, mas esse mercado "tem especificidades muito próprias", diz Paulo Gonçalves, da Porto Editora.
Tal não quer dizer que seja impossível entrar, sublinha, recordando como o maior grupo editorial português adaptou o seu dicionário de língua portuguesa ao Brasil, onde hoje tem "mais de um milhão de utilizadores" na versão mobile.
Apostar no "património incomensurável" da língua portuguesa é sustentável, assinala, como aconteceu nos países africanos de língua portuguesa, onde a Porto Editora é "há anos" responsável pela edição de livros escolares.
As duas editoras parceiras que criou em Angola e Moçambique têm já "equipas próprias, autores próprios, profissionais próprios", mas não se traduzem em "lucros" imediatos, mas em "ganhos de longo prazo".
"A circulação de bens, especialmente bens culturais, quase que não funciona", a não ser "através de particulares", sejam eles os próprios autores ou as editoras, destaca Luís Cardoso.
Para criar um projecto colectivo, faltam "políticas, políticas, políticas", repete. Vai a casa para dar o exemplo da ausência de "interesse" político.
"Da parte do governo de Timor-Leste não existe esse interesse, porque eu até nem sou lido em Timor, porque os meus livros o governo nem os compra para Timor", lamenta.
A escrita "está a fervilhar" em Timor, mas os novos autores "precisam de referências", sublinha o autor, nascido em Kailako, uma vila no interior de Timor. "Eu posso ser uma referência timorense para escritores timorenses. Porque não? Por que o governo não me utiliza, ignora, não me compra os livros, para distribuir, para as bibliotecas, (...) para dar às pessoas?", questiona.
Enquanto tal não existir, a cultura lusófona não passará de "um mito", que "falta concretizar"

A erosão das fontes de sentido

"A isso se chamou de pós-modernidade, que para mim representa a fase mais avançada e decadente da burguesia rica mundial. Não satisfeita de destruir o presente, quer destruir também o futuro. Ela se caracteriza por um completo descompromisso de transformação e de um professado desinteresse por uma humanidade melhor. Tal postura se traduz por uma ausência declarada de solidariedade para com o destino trágico de milhões que lutam por terem uma vida minimamente digna, de poderem morar melhor do que os animais, de terem acesso aos bens culturais que lhes enriqueçam a visão do mundo. Nenhuma cultura sobrevive sem uma narrativa coletiva que confira dignidade, coesão, ânimo e sentido à caminhada coletiva de um povo. A pós-modernidade nega irracionalmente este dado originário."

Leonardo Boff*

Já foi dito, com verdade, que o  ser humano é devorado por duas fomes: de pão e de espiritualidade. A fome de pão é saciável. A fome de espiritualidade, no entanto, é insaciável. É feita de valores intangíveis e não materiais, como a comunhão, a solidariedade, o amor, a compaixão, a abertura a tudo o que é digno e sagrado, o diálogo e a prece ao Criador.
Esses valores, secretamente ansiados pelos seres  humanos, não conhecem limites em seu crescimento. Há um apelo  infinito que lateja dentro de nós. Somente um infinito real pode nos fazer repousar. A excessiva centralização na acumulação e no desfrute de bens materiais acaba por produzir grande vazio e decepção. Foi o que concluíram analistas da Universidade de Lausane. Algo em nós grita por algo maior e mais humanizador.
É nesta dimensão que se coloca a questão do  sentido da vida. É uma necessidade humana encontrar um sentido coerente. O vazio e o absurdo produzem angústia e  sentimento de estar só e desenraizado. Ora,  a sociedade industrialista e consumista, montada sobre a razão funcional, colocou no centro o indivíduo e seus interesses particulares. Com isso, fragmentou a realidade, dissolveu qualquer cânon social, carnavalizou as coisas mais sagradas e ironizou ancestrais convicções, chamadas de “grandes narrativas”, consideradas metafísicas essencialistas, próprias de sociedades   de outro tempo. Agora funciona o “anything goes”, o vale-tudo dos vários tipos de racionalidade, de posturas e de leituras da realidade.  Criou-se o relativismo, que afirma que nada conta definitivamente.
A isso se chamou de pós-modernidade, que para mim representa a fase mais avançada e decadente da burguesia rica mundial. Não satisfeita de destruir o presente, quer destruir também o futuro. Ela se caracteriza por um completo descompromisso de transformação e de um professado desinteresse por uma humanidade melhor. Tal postura se traduz por uma ausência declarada de solidariedade para com o destino trágico de milhões que lutam por terem uma vida minimamente digna, de poderem morar melhor do que os animais, de terem acesso aos bens culturais que lhes enriqueçam a visão do mundo. Nenhuma cultura sobrevive sem uma narrativa coletiva que confira dignidade, coesão, ânimo e sentido à caminhada coletiva de um povo. A pós-modernidade nega irracionalmente este dado originário.
No entanto, por todas as partes do mundo, as pessoas  estão elaborando significados para suas vidas e padecimentos, buscando  estrelas-guias que lhes deem   um norte e lhes abram um porvir esperançador. Podemos viver sem fé, mas não sem esperança. Sem ela, está-se a um passo da violência, da banalização da morte e, no limite, do suicídio.
Ora, as instâncias que historicamente representavam a construção permanente do sentido entraram modernamente em erosão. Ninguém, nem o papa, nem Sua Santidade o Dalai Lama, pode dizer seguramente o que é bom ou mau para esta quadra planetária da história humana.
As filosofias e outros caminhos espirituais respondiam por esta demanda fundamental do humano. Mas elas, em grande parte, se fossilizaram e perderam o impulso criador. Sofisticam-se cada vez mais sobre o já conhecido, sempre de novo repensado e redito, mas desfibradas de coragem para projetar novas visões, sonhos promissores e utopias mobilizadoras. Vivemos um “mal-estar da civilização”, semelhante àquele do ocaso do Império Romano, descrito por Santo Agostinho em A cidade de Deus. Nossos “deuses”,  como os deles, já não são mais críveis. Os novos “deuses” que estão despontando não são vigorosos o bastante para serem reconhecidos, venerados e lentamente ganharem os altares.
Estas crises só são superadas quando se fizer uma nova experiência do Ser essencial de onde se deriva uma espiritualidade viva. Vejamos alguns lugares onde os “novos deuses” se anunciam,  e uma nova percepção do Ser aparece.
Por mais críticas que lhe devemos fazer no seu aspecto econômico e político, a globalização é, antes de tudo, um fenômeno antropológico: a humanidade se descobre uma espécie, habitando uma única Casa Comum, a Terra, com um destino comum. Tal fenômeno vai exigir uma governança global para gestionar os problemas coletivos. É algo novo.
Os Fóruns Sociais Mundiais que a partir do ano 2000 começaram a se realizar a partir de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, revelam uma particularíssima irrupção de sentido. Pela primeira vez na história moderna, os pobres do mundo inteiro, fazendo contraponto às reuniões dos ricos na cidade suíça de Davos, conseguiram acumular tanta força e capacidade de articulação que acabaram aos milhares se encontrando primeiro em Porto Alegre, depois em outras cidades do mundo, para apresentar suas experiência de resistência e de libertação, para trocar experiências de como  criam microalternativas ao  sistema de dominação imperante, como alimentam um sonho coletivo para gritar: um outro mundo é possível, um outro mundo é necessário. É algo novo.
Nas várias edições dos Fóruns Sociais Mundiais, em níveis regional e internacional, se notam os brotos do novo paradigma de humanidade, capaz de organizar de forma diferente a produção, o consumo, a preservação da natureza e a inclusão de toda a humanidade num projeto coletivo que garanta um futuro de vida e de esperança para todos. Daí a sua importância: dos fundos do desamparo humano está emergindo uma fumaça que remete a um fogo interior do lixo, ao qual foram condenadas as grandes maiorias da humandiade. Esse fogo é inapagável. Ele se transformará numa brasa e num clarão a iluminar um novo sentido para humanidade. Oxalá.

*Leonardo Boff, teólogo e filósofo, é autor de vários livros, entre eles o 'Tempo de transcendência' (Vozes, 2010). -lboff@leonardoboff.com

 Fonte: Jornal do Brasil

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Fotografia

Créditos: Felipe Biasus

Florbela Espanca. Poesia e Literatura

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida

Meus olhos andam cegos de te ver!

Não és sequer razão do meu viver,

Pois que tu és já toda a minha vida!


Não vejo nada assim enlouquecida...

Passo no mundo, meu amor, a ler

No misterioso livro do teu ser

A mesma história tantas vezes lida!


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."

Quando me dizem isto, toda a graça

Duma boca divina fala em mim!


E, olhos postos em ti, digo de rastros:

"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: Princípio do Fim!..."

Florbela Espanca (1894-1930)
Poetisa portuguesa de imensa capacidade dramática. Estudou letras e cursou direito. Casou-se por três vezes e sempre deu sinais de desequilíbrio, o que em nada comprometeu a qualidade de sua poesia, sempre intimista e arrebatadora, forte, erótica, intensa e de uma beleza particularmente tocante.
Florbela suicidou-se no dia em que completaria 36 anos.
É dela este poema, intitulado Fanatismo, que, depois de musicado, fez sucesso no Brasil com o cantor Fagner.

Iepha lança mais uma etapa do programa Minas Patrimônio Vivo


O presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG), Fernando Viana Cabral, assinou, na tarde desta sexta-feira (22), a ordem de serviços para início das obras e projetos do programa Minas Patrimônio Vivo.
Lançado pelo governador Antonio Anastasia em 2011, o programa, um projeto estruturador do Estado executado pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC) por meio do Iepha, é um dos mais completos no tocante à proteção do patrimônio cultural de Minas Gerais.
Nesta etapa serão investidos R$ 5.686.405,49 na recuperação de 16 bens culturais tombados. O prazo de conclusão dos contratos é de três a cinco meses para projetos e de seis a 18 meses para obras.
Fernando Cabral anunciou os bens culturais contemplados na primeira etapa de 2013 do programa. “Minas Gerais tem mais da metade do patrimônio histórico em termos culturais de nosso Brasil, mercê de nossa história, da nossa cultura e da nossa trajetória. Hoje, estamos dando mais um passo rumo à preservação desse rico patrimônio. Sabemos que temos muito ainda a fazer, mas estamos trabalhando para isso”, afirmou o presidente do Iepha.
Presente à cerimônia, a secretária-adjunta de Cultura, Maria Olívia de Castro e Oliveira, ressaltou os esforços do governo para recuperação do patrimônio cultural do Estado e a grande riqueza que esses bens representam para a história de Minas Gerais.
Obras e projetos contratados na primeira fase de 2013
- Conclusão da obra de restauração arquitetônica da Igreja Divino Espírito Santo do Cerrado, em Uberlândia.
- 1ª etapa da obra de restauração arquitetônica da Igreja Matriz de Santo Antônio, em Itacambira.
- 2ª Etapa das obras de conservação-restauração dos elementos artísticos integrados da Igreja Matriz de Santana, Congonhas do Norte.
- Conservação-restauração dos elementos artísticos integrados da Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, distrito de Alto Maranhão, em Congonhas.
- Elaboração de projeto executivo de restauração arquitetônica da Igreja de Santa Isabel da Hungria, em Caxambu.
- Conservação-restauração dos elementos artísticos integrados, retábulo-mor e restauração e remontagem do forro da capela-mor da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção da Lapa, distrito de Ravena, em Sabará.
- Projeto executivo de conservação-restauração, com inclusão de análises científicas e documentação por imagem, dos elementos artísticos integrados da Igreja de Santo Antônio, em Santo Antônio do Pirapetinga, distrito de Bacalhau, em Piranga.
- 1ª etapa de obra de restauração do Sobrado Dario Magalhães, em Minas Novas.
- Projeto executivo de restauração da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, distrito de Brejo do Amparo, em Januária.
- Projeto executivo de restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres, distrito de Milho Verde, no Serro.
- Projeto executivo de restauração da Igreja Matriz de São Gonçalo, distrito de São Gonçalo do Rio das Pedras, no Serro.
- Projeto executivo de restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Aparecida, distrito de Córregos, em Conceição do Mato Dentro.
- Projeto executivo de restauração da Capela do Senhor dos Passos, distrito de Córregos, em Conceição do Mato Dentro.
- Projeto executivo de restauração da Igreja de São Francisco de Assis, distrito de Costa Sena, em Conceição do Mato Dentro.
- Projeto executivo de restauração arquitetônica e projeto de conservação-restauração dos elementos artísticos integrados da Igreja Matriz de São Francisco de Assis, em Minas Novas.
- Projeto executivo de restauração arquitetônica e projeto de conservação-restauração dos elementos artísticos integrados da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Minas Novas.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Fotografia

Créditos: Felipe Biasus


Porque hoje é sábado

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há um tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado.

Trecho do poema 'Dia da Criação" de Vinicius de Moares

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Fotografia

Créditos: Felipe Biasus

Governo paulista destina R$ 165 milhões a projetos culturais

Brasil Econômico - Cintia Esteves
O edital destinado a projetos de restauro de bens tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) foi incluído pela primeira vez no Programa de Ação Cultural (ProAC Editais), do governo do estado de São Paulo, no ano passado. E devido a grande quantidade de inscritos na ocasião, ele volta para a edição de 2013.
No edital anterior foram contemplados três projetos destinados a imóveis localizados nas cidades de Porto Feliz, Itapura e Ribeirão Preto. “Esperamos aprovar pelo menos mais três propostas este ano”, afirma o secretário de Estado da Cultura de São Paulo, Marcelo Mattos Araújo.

O ProAC é um programa de incentivo à cultura do governo paulista. Este ano, R$ 165,31 milhões serão destinados à execução de projetos em diversas linguagens artísticas. Cerca de 400 trabalhos devem ser contemplados.
Do total desembolsado, R$ 126,35 milhões (valor 7% superior ao do ano passado) vem do ProAC ICMS, que estimula empresas privadas a investirem em projetos culturais destinando parte do imposto pago para este fim. Os interessados em viabilizar um projeto cultural devem procurar as empresas cadastradas no programa.

Outra maneira de viabilizar um projeto com subsídio do governo paulista é através do ProAC Editais. Este ano serão destinados R$ 30 milhões, provenientes do orçamento da Secretaria de Cultura, para os trabalhos aprovados. O valor é 20% maior do que o gasto no ano passado.
Podem ser inscritos festivais de arte, projetos ligados a música, teatro, dança e artes cênicas. Também estão incluídos trabalhos relacionados a museus, artes visuais, literatura, circo, além dos projetos de restauro de patrimônio tombado pelo Condephaat.
O cinema tem espaço em programas específicos. O Prêmio Estímulo ao Curta Metragem terá verba de R$ 960 mil para beneficiar 12 projetos de filmes com até 15 minutos de duração, nos gêneros ficção, documentário e animação. As obras são selecionadas por meio de concurso, semelhante ao que acontece no ProAC Editais. Cada escolhido receberá R$ 80 mil para a realização do projeto.
O Programa de Fomento ao Cinema Paulista completa os R$ 165 milhões anunciados pela Secretaria. Através dele, a Sabesp investirá R$ 8 milhões. Neste caso, também é a Secretaria que realiza a seleção dos filmes.
Para mais informações sobre os programas de incentivo acesse o site www.cultura.sp.gov.br .
Fonte: Último Segundo

Petrobras Cultural vai patrocinar 20 festivais de cinema e 12 de música em vários estados


Paulo Virgilio
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O Programa Petrobras Cultural vai patrocinar 20 festivais de cinema e 12 de música, que ocorrerão entre abril deste ano e março de 2014. A relação dos projetos contemplados na edição 2012 do programa foi divulgada hoje (22) e já está disponível no site da empresa.
Na área de festivais de cinema foram inscritos 109 projetos. Entre os 20 selecionados, estão festivais de tradição no calendário de eventos cinematográficos do país, como os de Brasília, Gramado (RS), o Cine PE, de Pernambuco, a Mostra de Cinema de Tiradentes (MG) e o É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, do Rio de Janeiro. Ao todo, foram contemplados eventos de 14 estados.
A área de festivais de música recebeu um número maior de inscrições (195), das quais 12 foram selecionadas. Pernambuco e Bahia tiveram dois projetos entre os escolhidos. Amapá, Pará, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná receberão o patrocínio para um evento, cada.
De acordo com a Petrobras, as comissões de análise técnica da seleção pública são formadas por profissionais que atuam diretamente nos setores da cultura contemplados pelo programa. “A composição das comissões, renovada a cada ano, busca atender à maior diversidade possível de perfis para o julgamento dos projetos, que são selecionados por seu mérito qualitativo”, diz a nota da empresa sobre o resultado da seleção.
A edição 2012 do Programa Petrobras Cultural destinou R$ 67 milhões à seleção pública de projetos de todo o país, em 11 áreas, dentro das linhas preservação e memória, produção e difusão. A verba foi a maior de todas as edições do programa, que desde sua criação, em 2003, já investiu R$ 313 milhões em 1.319 projetos culturais.
A divulgação dos resultados das demais áreas do Petrobras Cultural está prevista para o mês de abril.

Edição: Aécio Amado

Fotografia

Créditos: Felipe Biasus

Como criar a cultura de projetar o futuro financeiro

Marcelo Blay

Quando buscamos uma resposta para entender por que o brasileiro ainda estranha o mundo dos seguros, surgem algumas ideias. Esse comportamento teria algo a ver com a educação fundamental nas escolas? Existe algo que possa ser feito? Será que estamos deixando de fazer alguma coisa ou de melhorar algum ensinamento para que nossas crianças aprendam desde cedo a importância da precaução e visualizem melhor as vantagens de se programarem financeiramente para sua vida adulta? As pessoas poderiam perceber desde cedo a importância de proteger aquilo que conquistaram.
Muito se discute sobre as condições da educação brasileira, especialmente a de base. Nessas horas, é fácil fazer críticas vazias, sem reconhecer que, em vários aspectos, a direção da mudança tem sido positiva. Além disso, apontar as falhas sem oferecer uma solução jamais fará o Brasil atingir o que acreditamos ser nosso potencial como nação em um horizonte de curto prazo – e, com isso, quero dizer uma geração, algo próximo a 20 anos. Se demorarmos mais tempo, poderá ser tarde demais para o país, uma vez que o chamado bônus demográfico de nossa população se encaminha para o fim, em outras palavras, o Brasil corre o sério risco de se tornar “idoso” antes de se tornar rico.
Mas é fato que algo deve ser feito para que nossas crianças, desde pequenas, tenham sua curiosidade despertada para o futuro e os riscos a que estamos sujeitos, pois todos acabamos vivenciando no decorrer da vida situações diferentes das desejadas. Neste ponto, cabe refletir com base em outros casos: uma cultura juvenil como a norte-americana, na qual o conceito de seguros e sua importância são mais bem compreendidos, poderia ser estimulada no Brasil?
Certamente, análises estatísticas mais aprofundadas não fazem parte do currículo do ensino fundamental, mesmo nas nações mais desenvolvidas. Mas algo de diferente é percebido em outros países quando vemos o gosto das crianças por esportes, seus times e jogadores. Nos EUA, por exemplo, um jogo de beisebol mostra, a cada lance, antes de uma rebatida importante, estatísticas relevantes com informações que impressionam. Esses dados não são complexos. Pelo contrário, ajudam a criança a construir suas próprias estimativas intuitivamente e, sem perceber, entender quais as chances de seu jogador favorito rebater corretamente a bola e qual o risco de o adversário ganhar pontos importantes para o time. No basquete, a mesma coisa: em vários momentos do jogo, números são fornecidos e estimulam a criança a familiarizar-se com contas básicas, frações e o tal do percentual.
Fica claro que, mesmo que esses pequenos não se tornem engenheiros ou mestres em alguma ciência exata, estarão aptos a fazer um planejamento financeiro e a trabalhar com o conceito de juros. Além disso, saberão o que esperar de um “lance” ou de uma “jogada” importante em sua vida pessoal – como a compra de um automóvel ou de sua residência. É aí que o hábito de pensar sobre o futuro começa a ser elaborado. A criança conseguirá estimar riscos, o que nada mais é que perceber a possibilidade de algo não sair como foi planejado, seja um gol de seu time, seja a cesta de três pontos do adversário, seja, mais tarde, seu carro ser roubado e ela perder o investimento de anos de trabalho.
Resta a pergunta: o que podemos fazer no Brasil, com nossos recursos escassos e com uma educação que ainda tem um caminho longo a percorrer? Por que não introduzir no currículo de alunos das primeiras séries estratégias educacionais divertidas, utilizando esportes como o futebol e o vôlei? Poderíamos abordar temas como o percentual de passes de um jogador durante uma partida, a quantidade de defesas de pênalti de um goleiro em toda a sua carreira ou o percentual de contra-ataques iniciados na defesa por um time que chegam a gol. Essas e muitas outras são situações que indicam para as crianças estimativas rápidas sobre a probabilidade de algo sair como o desejado ou como o indesejado.
Alguém poderia argumentar que o futebol atingiria apenas meninos, mas mudanças do tipo que propomos raramente escolhem gênero, raça e opção sexual. Poderiam exercer alguma influência no nível social e educacional, mas, justamente por isso, sugerimos aqui o esporte como foco de aprendizado. Também poderiam ser as redes sociais, que, como os jogos, são manifestações que abrangem, praticamente, do mais rico ao mais pobre. Se considerarmos o Brasil de hoje, no qual a inclusão digital é crescente, ficará ainda mais fácil.
Adolescentes e jovens, por exemplo, poderiam aprender noções de seguro por meio dos relacionamentos estabelecidos nas mídias sociais: quantos de seus posts receberam um “curtir”, qual o percentual de amigos que comentaram ou marcaram suas fotos. A ideia é que as mudanças venham não somente de uma aula específica, na qual um professor utilize o vídeo de um jogo e forneça estatísticas relevantes mas, também, da educação e dos hábitos cultivados dentro de casa.
Quando chegarem à idade adulta, essas crianças e jovens terão um bom embasamento para ponderar, por exemplo, se vale a pena investir 5% do valor total de um automóvel para fazer um seguro, se ele custou o equivalente a 20 salários para ser adquirido. A clareza no raciocínio para avaliar chances de um resultado acontecer poderá fazer com que a cultura do brasileiro se direcione mais rapidamente para uma cultura que valorize o planejamento pessoal e financeiro, atribuindo o valor correto a uma apólice de seguro que, muitas vezes, consideramos “cara” por simplesmente não termos parado para planejar o futuro ou estimar riscos.
Tenho certeza de que professores criativos terão outras ideias divertidas para ensinar uma disciplina que, quebrados os preconceitos, pode ser muito interessante. Talvez possamos contar com a ajuda das redes de TV que transmitem esportes para ampliar a quantidade e a qualidade das informações divulgadas durante as partidas. Esse pode ser um bom começo. Pelo menos, o assunto passaria a fazer parte das conversas nas escolas na segunda-feira.
* Marcelo Blay,  fundador e sócio-diretor da Minuto Seguros, está no mercado há mais de 20 anos e é formado em engenharia pela Escola de Engenharia Mauá com MBA em Finanças pela FGV e Columbia University (NY)..