Publicação: 03/12/2012 09:15 Atualização: 03/12/2012 09:44
A fotógrafa espanhola Cristina de Middel, autora do projeto, diz que se inspirou em imagens de arquivo documentando as atividades da Academia Nacional de Ciências de Zâmbia e seu programa espacial não-oficial. Por trás desse programa estava o professor escolar Edward Makuka Nkoloso, cujo sonho era superar os EUA e a União Soviética na corrida espacial e lançar uma missão tripulada bem-sucedida. Middel diz que The Afronauts é baseado "na documentação de um sonho impossível, que só existia nas telas". Suas fotos são excêntricas e provocativas. "As imagens são belas, e a história é agradável a princípio, mas é baseada no fato de que ninguém acredita que a África algum dia chegará à Lua", diz ela. "(O projeto) esconde uma sutil crítica à nossa visão de todo o continente e aos nossos preconceitos." |
Este é o Blog em memória do IPMS. Aqui você encontra artigos, definições e conceitos relacionados à Memória Social, e ainda notícias do Brasil e do mundo sobre arte, cultura, museus, exposições, memoriais, fotografia e muito mais, além do relato de nossas atividades em Porto Alegre.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Série de fotos retrata 'fantasia espacial' africana
Revista de fotografia é lançada neste sábado, em Belém
A Associação Fotoativa realiza neste sábado (01), às 19h, o Café Fotográfico – encontro mensal para debates sobre fotografia. O evento terá a presença do fotógrafo paraense Guy Veloso e de Thyago Nogueira, editor da revista Zum, do Instituto Moreira Sales (IMS). A entrada é gratuita.
O evento marca o lançamento da terceira edição da revista Zum. A parceria da Associação Fotoativa com o IMS decorre da afinidade entre as duas instituições em promover reflexões acerca da imagem. Para o editor da publicação, lançar a revista em Belém é uma maneira de divulgá-la fora dos grandes centros do Sudeste.
“Queremos descentralizar o lançamento. A cada número vamos procurar incorporar outras capitais. E Belém é um centro tradicional de fotografia com uma produção muito interessante, é uma cidade de destaque nesse assunto”, diz o editor.
O coordenador do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Fotoativa, Ionaldo Rodrigues, destaca que a revista é importante veículo para estudo de imagens. “A revista cumpre papel importante para divulgar a fotografia e é interessante como essa arte é mostrada pela publicação, sempre com textos e para nós isso é uma referência”, afirma Ionaldo Rodrigues.
Exemplares da revista serão vendidos durante o evento e posteriormente na sede da Associação.
Publicação tem ensaio de fotógrafo paraense
O fotógrafo Guy Veloso apresenta na revista Zum parte do projeto “Penitentes – Dos rituais de sangue à fascinação do fim do mundo”, no qual ele procura os mistérios da fé e as possibilidades estéticas da devoção. “Abri todo meu arquivo com todas as imagens que já fiz para esse trabalho”, conta o fotógrafo. “É interessante ver o meu trabalho numa revista que lembra um livro e acompanhada de um texto analítico”, diz.
O fotógrafo Guy Veloso apresenta na revista Zum parte do projeto “Penitentes – Dos rituais de sangue à fascinação do fim do mundo”, no qual ele procura os mistérios da fé e as possibilidades estéticas da devoção. “Abri todo meu arquivo com todas as imagens que já fiz para esse trabalho”, conta o fotógrafo. “É interessante ver o meu trabalho numa revista que lembra um livro e acompanhada de um texto analítico”, diz.
Fonte: http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2012/11/revista-de-fotografia-e-lancada-neste-sabado-em-belem.html acesso em 03/12/12.
Imagem: Divulgação IMS
Museu Imperial recebe peças do Museu de Armas Ferreira da Cunha
O Museu Imperial de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, passará a contar, a partir deste mês de dezembro, com peças do Museu de Armas Ferreira da Cunha A cerimônia de entrega acontecerá na próxima quarta-feira (05) , às 15h, no Cine Teatro Museu Imperial, e será seguida de uma palestra do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).
As peças doadas serão uma espada de Gastão de Orleans, o conde d’Eu, marido da princesa d. Isabel, e um brinquedo de d. Pedro II quando criança, no formato de uma espingarda. “A incorporação dos itens complementará o acervo da instituição, uma vez que a espada do conde d´Eu é uma peça do período do seu casamento com a princesa d. Isabel, e o brinquedo de d. Pedro II é um item que humaniza a figura do imperador menino”, afirma o diretor do Museu Imperial, Maurício Vicente Ferreira Jr.
Após a cerimônia, às 15h30, será realizada a Sessão da CEPHAS (Comissão de Estudos e Pesquisas Históricas), do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. A palestra será proferida pelo historiador e presidente do Instituto, prof. Dr. Arno Wehling, e abordará o tema “A história e a construção do Estado e da Nação: nas origens do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro”.
Além de presidente do IHGB, o Wehling é membro das academias nacionais de História do Paraguai, Espanha, Portugal, Argentina, Uruguai, Venezuela e Colômbia, de institutos históricos estaduais e da Academia das Ciências de Lisboa, professor titular da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pesquisador do CNPq e Conselheiro do IPHAN. Possui cerca de 120 trabalhos publicados nas áreas de teoria da história/historiografia e história do direito e das instituições, entre livros, capítulos em obras coletivas e artigos em periódicos especializados.
O IHGB nasceu em 1838, a partir da aspiração de uma entidade que refletisse a nação brasileira que, não muito antes, conquistara a sua Independência. Seu patrono foi d. Pedro II, a quem foi dado o título de "Protetor". O imperador incentivou e financiou pesquisas, fez doações valiosas, cedeu uma sala no Paço Imperial para sede do Instituto em seus passos iniciais e presidiu mais de 500 sessões.
As peças doadas serão uma espada de Gastão de Orleans, o conde d’Eu, marido da princesa d. Isabel, e um brinquedo de d. Pedro II quando criança, no formato de uma espingarda. “A incorporação dos itens complementará o acervo da instituição, uma vez que a espada do conde d´Eu é uma peça do período do seu casamento com a princesa d. Isabel, e o brinquedo de d. Pedro II é um item que humaniza a figura do imperador menino”, afirma o diretor do Museu Imperial, Maurício Vicente Ferreira Jr.
Após a cerimônia, às 15h30, será realizada a Sessão da CEPHAS (Comissão de Estudos e Pesquisas Históricas), do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. A palestra será proferida pelo historiador e presidente do Instituto, prof. Dr. Arno Wehling, e abordará o tema “A história e a construção do Estado e da Nação: nas origens do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro”.
Além de presidente do IHGB, o Wehling é membro das academias nacionais de História do Paraguai, Espanha, Portugal, Argentina, Uruguai, Venezuela e Colômbia, de institutos históricos estaduais e da Academia das Ciências de Lisboa, professor titular da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pesquisador do CNPq e Conselheiro do IPHAN. Possui cerca de 120 trabalhos publicados nas áreas de teoria da história/historiografia e história do direito e das instituições, entre livros, capítulos em obras coletivas e artigos em periódicos especializados.
O IHGB nasceu em 1838, a partir da aspiração de uma entidade que refletisse a nação brasileira que, não muito antes, conquistara a sua Independência. Seu patrono foi d. Pedro II, a quem foi dado o título de "Protetor". O imperador incentivou e financiou pesquisas, fez doações valiosas, cedeu uma sala no Paço Imperial para sede do Instituto em seus passos iniciais e presidiu mais de 500 sessões.
Visitação gratuita e apresentação de coral
Ambos os eventos têm entrada franca e fazem parte das comemorações pelo aniversário de d. Pedro II, nascido em 02 de dezembro de 1825. No próprio domingo (02), o Museu Imperial terá visitação gratuita e oferecerá dois concertos: um com o conjunto Anima e Cuore da Universidade Católica de Petrópolis, às 16h, e outro com o Coral Dó Ré Mi – Coro Modelo do Programa Canta Petrópolis, às 19h. O Coral lançará, na ocasião, o seu clipe de Natal, filmado no Museu.
O Cine Teatro Museu Imperial fica no Bosque do Imperador, s/n, Centro, Petrópolis (entrada dos fundos do Museu Imperial). Para mais informações, acesse o site do Museu Imperial ou entre em contato pelo e-mail mimp.promocao@museus.gov.br ou pelo telefone (24) 2245-4668.
Ambos os eventos têm entrada franca e fazem parte das comemorações pelo aniversário de d. Pedro II, nascido em 02 de dezembro de 1825. No próprio domingo (02), o Museu Imperial terá visitação gratuita e oferecerá dois concertos: um com o conjunto Anima e Cuore da Universidade Católica de Petrópolis, às 16h, e outro com o Coral Dó Ré Mi – Coro Modelo do Programa Canta Petrópolis, às 19h. O Coral lançará, na ocasião, o seu clipe de Natal, filmado no Museu.
O Cine Teatro Museu Imperial fica no Bosque do Imperador, s/n, Centro, Petrópolis (entrada dos fundos do Museu Imperial). Para mais informações, acesse o site do Museu Imperial ou entre em contato pelo e-mail mimp.promocao@museus.gov.br ou pelo telefone (24) 2245-4668.
Fonte: http://g1.globo.com/rj/serra-lagos-norte/noticia/2012/11/museu-imperial-recebe-pecas-do-museu-de-armas-ferreira-da-cunha.html Acesso em 03/12/2012.
Imagem:Museu Imperial de Petrópolis. (Foto: Reprodução TV Globo)
domingo, 2 de dezembro de 2012
Museus do Kremlin mostram em Dresden tesouros dos tempos de Ivan, o Terrível
A exposição inusitada "Entre Oriente e Ocidente – Tesouros do Kremlin de Ivan, o Terrível, a Pedro, o Grande" será inaugurada no dia 1º de dezembro, no Palácio Real de Dresden, na Alemanha. O local foi praticamente destruído durante a II Guerra Mundial e recuperado em todo o seu esplendor, reabrindo ao público em setembro de 2006.
Durante a exposição poderão ser vistos, aproximadamente, 140 objetos preciosos dos acervos dos museus do Kremlin, como belos trajes, joias e armas de épocas passadas. Esses itens serão complementados por duas dezenas de obras de artes e ofícios das coleções de Dresden, Biblioteca Estadual da Saxônia e Biblioteca Augusta, em Wolfenbüttel.
Os organizadores da exposição confessaram que pretendem mostrar a Rússia como um ponto de encontro das culturas oriental e ocidental, tendo como exemplo as aquisições da Corte Real, habilmente interpretados pelos mestres do Kremlin. Os artistas russos sempre criavam algo novo, combinando perfeitamente os gostos europeus e asiáticos com a antiga tradição do país.
A exposição "Entre Oriente e Ocidente – Tesouros do Kremlin de Ivan, o Terrível, a Pedro, o Grande" acontecerá na véspera da abertura da nova exposição do Palácio do Arsenal do Kremlin, na Sala dos Gigantes, expandindo a cooperação dos Museus do Kremlin com as Coleções Nacionais de Arte de Dresden.
Fonte:http://www.diariodarussia.com.br/cultura/noticias/2012/11/30/museus-do-kremlin-mostram-em-dresden-tesouros-dos-tempos-de-ivan-o-terrivel/ acesso em 1o/12/12.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Revelação de heróis
Não nos é possível viver sem heróis, penso eu desde a adolescência, e talvez ainda mais nos dias de hoje, por razões que é desnecessário partilhar neste humilde espaço. A função mais conhecida dos heróis é a de nos fazerem sonhar, mas creio que há outras tão importantes. Ver o trabalho de um herói ilumina-nos, transforma-nos, faz-nos ser mais do que aquilo que alguma vez pensamos ser capazes de ser. É como se tivéssemos alguém a gritar por nós, que nos leva a eliminar todos os obstáculos. Os meus heróis foram sempre os "Originais" do Special Air Service (SAS), os soldados britânicos que criaram a primeira unidade especial militar, que combateram, primeiro, no deserto, através do Long Rang Desert Group, e depois numa série de missões até aos dias de hoje, especialmente contra o terrorismo. O que eles fizeram e fazem é absolutamente brilhante, mas apesar disso existiram sempre poucos registos das suas actividades, especialmente escritos.
Este enorme buraco de conhecimento e iluminação foi agora eliminado com a publicação, pelas Extraordinary Editions, uma casa britânica, do "SAS Wartime Diary 1941- 1945". O livro reúne todos os documentos oficiais da fundação do regimento, para começar. Mas o que é verdadeiramente fascinante é que partilha a história oficial, a partir dos relatórios dos homens do SAS, das primeiras missões. Como objecto, a edição é verdadeiramente notável, reunindo replicações dos relatórios, dos mapas, e fotografias dos operacionais. Mas a Extraordinary Edition quis estar à altura do documento que lhe foi confiado. Assim, a edição é de luxo, em várias versões, a mais cara vem numa réplica de uma caixa de munições, que constituem bons motivos de investimento. Foram feitas apenas 3450 cópias, com preços que vão dos 1200 euros aos 3000 euros. Toda a informação pode ser consultada em www.saswardiary.co.uk. Não tenho qualquer hesitação em considerar este livro como uma prioridade da liquidez disponível.
Um bom trabalho
No mundo saturado da moda e dos objectos utilitários, como são as carteiras e bolsas para objectos tecnológicos, há, afinal, sempre lugar para operações inovadoras. A Lapàporter (www.lapaporter.de), uma empresa de Berlim, surpreendeu-me com as suas propostas neste campo. Um design verdadeiramente único, materiais nobres e raros e, principalmente, edições extremamente limitadas ou "bespoken", a um nível global. Os objectos, das capas para computadores portáteis a bolsas para iPhone, são fantásticos, e, ao mesmo tempo, singulares. Um bom investimento, acredito.
*Nota ao leitor:
Peregrino Santa Clara tem um percurso relativamente raro para um cidadão português. Filho de um almirante português e de uma inglesa pertencente a uma das famílias mais poderosas da "City" londrina, Peregrino iniciou os seus estudos superiores em Oxford, a que se seguiu um mestrado em finanças em Harvard. No início dos anos 60, com pouco mais de 20 anos, foi contratado por uma casa de investimentos de Wall Street, como director de pesquisa. Poucos anos depois, passou a "partner", responsável pela Europa. A sua actividade obrigou-o a estadias constantes em Londres, Zurique, Paris e Milão, para além do Luxemburgo. As deslocações profissionais permitiram-lhe aprofundar um prazer de família: a investigação e o investimento em bens culturais.
Hoje, no ocaso da sua vida, Peregrino decidiu quebrar o seu valor mais precioso, o da discrição total, e partilhar com os leitores do Negócios os conhecimentos que adquiriu. Os textos são escritos na primeira pessoa para melhor reprodução do um olhar singular sobre os mundos a que só os iniciados têm acesso. JV
Peregrino Santa Clara tem um percurso relativamente raro para um cidadão português. Filho de um almirante português e de uma inglesa pertencente a uma das famílias mais poderosas da "City" londrina, Peregrino iniciou os seus estudos superiores em Oxford, a que se seguiu um mestrado em finanças em Harvard. No início dos anos 60, com pouco mais de 20 anos, foi contratado por uma casa de investimentos de Wall Street, como director de pesquisa. Poucos anos depois, passou a "partner", responsável pela Europa. A sua actividade obrigou-o a estadias constantes em Londres, Zurique, Paris e Milão, para além do Luxemburgo. As deslocações profissionais permitiram-lhe aprofundar um prazer de família: a investigação e o investimento em bens culturais.
Hoje, no ocaso da sua vida, Peregrino decidiu quebrar o seu valor mais precioso, o da discrição total, e partilhar com os leitores do Negócios os conhecimentos que adquiriu. Os textos são escritos na primeira pessoa para melhor reprodução do um olhar singular sobre os mundos a que só os iniciados têm acesso. JV
Fonte:http://www.jornaldenegocios.pt/especiais/weekend/detalhe/2012_11_30_revelacao_de_herois.html acesso em 30/11/2012.
Bens Culturais Novo número da revista «Invenire»
Lisboa, 07 nov 2012 (Ecclesia) – O número 5 da revista de Bens Culturais da Igreja – Invenire - acaba de ser publicado e apresenta o resultado de três investigações da autoria das historiadoras Isabel Cepeda, Sílvia Ferreira e Cristina Fernandes.
As investigações das historiadoras escrevem sobre “uma rica coleção de livros de coro quinhentistas”, “o papel do desenho no processo criativo da talha dourada” e “a impressionante atividade musical da igreja Patriarcal de Lisboa”, revela o site deste organismo.
Com um Portfolio temático “dedicado à estatuária barroca”, onde se apresenta uma “seleção de peças ilustrativas do longo ciclo produtivo de Setecentos, propõe-se ainda o conhecimento de um conjunto de obras de arte oriundas de várias dioceses”,lê-se.
Com este número, inicia-se também a rubrica «Perfil» onde se dá a conhecer “os mais diretos intervenientes no património da Igreja em Portugal, seu trajeto, desafios e aspirações”.
Encerra este número um “assertivo artigo de opinião” assinado por D. Pio Alves, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.
Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?&id=93166 acesso em 30/11/2012.
Ibram lança prêmios Pontos de Memória e Modernização de Museu
O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) está com os editais do Prêmio Pontos de Memória – Edição 2012 e Modernização de Museus abertos. Pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos poderão participar do Prêmio Pontos de Memória, que tem por objetivo premiar 60 iniciativas de memória e museologia social, visando reconhecer, incentivar e fomentar a continuidade e sustentabilidade na perspectiva do Programa Pontos de Memória.
Serão reconhecidas 50 iniciativas desenvolvidas por grupos, povos e comunidades em âmbito nacional, com R$ 30 mil cada, e outras 10 iniciativas de brasileiros no exterior, que se caracterizem por ações de registro e representação da sua memória, com R$ 50 mil cada. Os recursos deverão ser utilizados para despesas ligadas ao aprimoramento da iniciativa de memória social ou processo museal.
As inscrições poderão ser realizadas do dia 22 de novembro até o dia 13 de fevereiro. Com recursos totais de R$ 1,2 milhão, o Prêmio de Modernização de Museus – Microprojetos selecionará 50 projetos em quatro categorias com prêmios entre R$ 10 mil e R$ 50 mil. O objetivo é fomentar e desenvolver ações destinadas à preservação e difusão do patrimônio museológico.
As iniciativas devem ser implementadas por instituições museológicas ou mantenedores de museus, constituídos como pessoas jurídicas de direito público e pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos, com finalidade cultural. Para esse edital, o período de inscrições vai até 24 de janeiro.
Prêmio Darcy Ribeiro – O Ibram também divulgou o resultado da 5ª edição do Prêmio Darcy Ribeiro. Quinze ações serão contempladas com incentivo de R$ 10 mil cada. Os estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo tiveram iniciativas vencedoras.
Foram premiadas práticas e ações de educação museal que, por meio das diversas relações de mediação com os públicos, convidem à apropriação, em sentido amplo, do patrimônio cultural, valorizando-o e promovendo sua preservação. Além dos 15 vencedores, a comissão de seleção também fez cinco menções honrosas.
Fonte: http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=421820 acesso em 30/'11/2012.
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
3.000 livros grátis para download.
A USP tem um site que disponibiliza 3.000 livros para download. Ao entrar no www.brasiliana.usp.br o internauta encontra livros raros, documentos históricos, manuscritos e imagens que são parte do acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, doada à universidade.
Boa leitura!
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Miroslav Tichý
Por mais de 20 anos, a população de Kyjov, cidade da Morávia com pouco mais de 12 mil habitantes, acompanhou de longe um andarilho, maltrapilho e barbudo, que vagava pelas ruas da República Checa com câmeras fotográficas caseiras feitas de papelão e outros materiais improvisados.
Miroslav Tichý buscava em praças, parques, piscinas, estação rodoviária e outros locais públicos, seu objeto de desejo
Miroslav Tichý buscava em praças, parques, piscinas, estação rodoviária e outros locais públicos, seu objeto de desejo
e obsessão: as formas femininas. Entre as décadas de 60 e 80, Tichý disparou de forma clandestina cerca de 90 fotos por dia. Depois seguia para sua casa, onde num laboratório improvisado imprimia as imagens que se espalhavam pelos cômodos.
Visto ora como excêntrico, ora como louco, a grande maioria de suas “modelos” não tinha conhecimento que estavam sendo fotografadas, e, outras, não acreditavam que as câmeras feitas de tubos de papelão eram reais, o que resultava em poses gratuitas. Muita gente pensava que ele só fazia de conta que fotografava quando o via escondido atrás de arbustos da cidade. A soma dessa experiência é um acervo gigantesco, que captura uma realidade sensual e onírica, de um artista pouco convencional. O que se vê são mulheres fotografadas em todos os ângulos, às vezes, em corpo nu, outras limitadas a pés, pernas, costas, nádegas.
Nascido em 1926, Tichý estudou pintura na Academia de Belas Artes, em Praga, logo após a Segunda Guerra Mundial. Considerado como um talentoso pintor e desenhista (influenciado por Picasso e os expressionistas alemães), ele não concordava com o sistema político vigente na época, e, em 1948, quando o Partido Comunista Checo assumiu o controle do País, inaugurando mais de quatro décadas de ditadura, ele abandonou o mundo da arte oficial, e se aliou a um grupo de artistas que era constantemente ameaçado e vigiado pelo regime.
Propenso a colapsos mentais desde a juventude, Tichý trabalhou ao lado de seus colegas até um episódio psicótico ocorrido pouco antes de uma exposição prevista em 1957, de onde retirou suas pinturas. Sua obra não foi exibida novamente até bem recentemente. Em 1960, começou a fotografar.
Ao longo dos anos, seu estilo de vida não-conformista, bem como sua doença mental, o colocaram em apuros com as autoridades, resultando em períodos de confinamento em instituições psiquiátricas e a perda de seu estúdio em 1972. Apesar de nunca ter parado de produzir pinturas e desenhos, Tichý focou sua atenção na fotografia única e exclusivamente para satisfazer sua visão artística da essência feminina. Usava o dinheiro da pensão por invalidez para comprar filme, papel e químicos para revelação.
Em 1981, seu acervo pessoal, até então secreto, foi descoberto pelo vizinho e psiquiatra Roman Buxbaum, sobrinho de um médico de Kyjov que havia tratado dele em várias internações por problemas mentais. Buxbaum iniciou então um esforço para documentar e preservar as fotografias que já se deterioravam, além de produzir um documentário chamado “Tarzan aposentado” (2004), expressão originada da explicação que o próprio artista dava quando perguntavam o que ele fazia da vida.
Só há seis anos, depois de ganhar em 2004 o Prêmio da 1.ª Bienal de Arte Contemporânea de Sevilha, Tichý começou a ser conhecido fora de Kyjov. Não parou mais: museus de todo o mundo começaram a se interessar pelo excêntrico e recluso artista.
Em 2010, o International Center of Photography (ICP), em Nova York, realizou a primeira mostra feita por um museu americano do fotógrafo Miroslav Tichý. Hoje, aos 84 anos, e quase cinco décadas depois de ter desistido de ser pintor, suas fotografias borradas, melancólicas, eróticas e voyeurísticas o levaram a ser reconhecido como artista. Em suas palavras: “O erro faz parte disso, e isso é a poesia".
Visto ora como excêntrico, ora como louco, a grande maioria de suas “modelos” não tinha conhecimento que estavam sendo fotografadas, e, outras, não acreditavam que as câmeras feitas de tubos de papelão eram reais, o que resultava em poses gratuitas. Muita gente pensava que ele só fazia de conta que fotografava quando o via escondido atrás de arbustos da cidade. A soma dessa experiência é um acervo gigantesco, que captura uma realidade sensual e onírica, de um artista pouco convencional. O que se vê são mulheres fotografadas em todos os ângulos, às vezes, em corpo nu, outras limitadas a pés, pernas, costas, nádegas.
Nascido em 1926, Tichý estudou pintura na Academia de Belas Artes, em Praga, logo após a Segunda Guerra Mundial. Considerado como um talentoso pintor e desenhista (influenciado por Picasso e os expressionistas alemães), ele não concordava com o sistema político vigente na época, e, em 1948, quando o Partido Comunista Checo assumiu o controle do País, inaugurando mais de quatro décadas de ditadura, ele abandonou o mundo da arte oficial, e se aliou a um grupo de artistas que era constantemente ameaçado e vigiado pelo regime.
Propenso a colapsos mentais desde a juventude, Tichý trabalhou ao lado de seus colegas até um episódio psicótico ocorrido pouco antes de uma exposição prevista em 1957, de onde retirou suas pinturas. Sua obra não foi exibida novamente até bem recentemente. Em 1960, começou a fotografar.
Ao longo dos anos, seu estilo de vida não-conformista, bem como sua doença mental, o colocaram em apuros com as autoridades, resultando em períodos de confinamento em instituições psiquiátricas e a perda de seu estúdio em 1972. Apesar de nunca ter parado de produzir pinturas e desenhos, Tichý focou sua atenção na fotografia única e exclusivamente para satisfazer sua visão artística da essência feminina. Usava o dinheiro da pensão por invalidez para comprar filme, papel e químicos para revelação.
Em 1981, seu acervo pessoal, até então secreto, foi descoberto pelo vizinho e psiquiatra Roman Buxbaum, sobrinho de um médico de Kyjov que havia tratado dele em várias internações por problemas mentais. Buxbaum iniciou então um esforço para documentar e preservar as fotografias que já se deterioravam, além de produzir um documentário chamado “Tarzan aposentado” (2004), expressão originada da explicação que o próprio artista dava quando perguntavam o que ele fazia da vida.
Só há seis anos, depois de ganhar em 2004 o Prêmio da 1.ª Bienal de Arte Contemporânea de Sevilha, Tichý começou a ser conhecido fora de Kyjov. Não parou mais: museus de todo o mundo começaram a se interessar pelo excêntrico e recluso artista.
Em 2010, o International Center of Photography (ICP), em Nova York, realizou a primeira mostra feita por um museu americano do fotógrafo Miroslav Tichý. Hoje, aos 84 anos, e quase cinco décadas depois de ter desistido de ser pintor, suas fotografias borradas, melancólicas, eróticas e voyeurísticas o levaram a ser reconhecido como artista. Em suas palavras: “O erro faz parte disso, e isso é a poesia".
fonte: http://www.facebook.com/DigitallTeam
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Conceito de Gestão Cultural
GESTÃO CULTURAL é um termo relativamente recente no cenário cultural brasileiro.
Pressupõe procedimentos administrativos e operacionais, mas não se resume a estes.
Pressupõe a gerência de processos no campo da Cultura e da Arte, mas lhes vai além.
Para melhor conceituarmos o campo da Gestão Cultural, podemos articulá-lo à idéia de mediação de processos de produção material e imaterial de bens culturais e de mediação de agentes sociais os mais diversos. Mediação que busca estimular os processos de criação e de fruição de bens culturais, assim como estimular as práticas de coesão social e de sociabilidade.
A GESTÃO CULTURAL articula ao menos três campos conceituais: Cultura, Economia e Urbanismo. Cultura entendida como expressões humanas das nossas necessidades simbólicas (materiais e imateriais) e de nossos desejos. Economia no seu sentido clássico: sistema de produção e troca de bens, de maneira a que todos tenham acesso à produção e usufruto do que é produzido pelo trabalho humano. Urbanismo enquanto ciência afeta às relações do homem com seus locais de práticas culturais, e –portanto- um campo de estudo articulado à História, à Sociologia e à Antropologia. Produção, recepção e percepção dos espaços e das relações que neles se dão; ou seja, enquanto estudos capazes de reforçar a sociabilidade e os elos de coesão humana. Entendendo a produção dos lugares tanto em sua dimensão física quanto simbólica.
O propósito é, de fato, conceituar o campo da gestão cultural com todos esses contornos amplos ou mesmo sem contornos precisos, pois é um campo de ação que envolve fatos humanos conscientes e inconscientes. O gestor da cultura é alguém que estabelece com seu objeto e com os sujeitos nele envolvidos relações de compartilhamento de gestão e de responsabilidades, e os entende como processos –dinâmicos, ambíguos e sujeitos a significações diversas.
Como operar neste campo de modo sistêmico? Simples... Entendendo que as realidades culturais –e todas são- precisam ser diagnosticadas segundo “escutas” precisas e desprendidas de idéias pré-concebidas. Entendendo que a realidade nos fornece a possibilidade que precisamos para ver e aprender com ela, sendo justamente este espaço de mediação que a torna concreta, conquanto possamos abrir devidamente olhos e ouvidos. Sentir potenciais, responder anseios e mesmo ampliá-los, reconhecer diferentes e particularizados modos de agir e de sentir. Planejar segundo os fazeres e os quereres que os diversos indivíduos e grupos deixam aflorar de seus cotidianos.
Buscando ser mais objetivo, pode-se dizer que a GESTÃO CULTURAL articula planejamento, operacionalização e mediação. Planejamento de eventos, de programas, de ações, de processos e de políticas em cultura. Operacionalização técnica, financeira, física e humana. Mediação de agentes diversos: governamentais, não-governamentais e comunitários; empresariais, cooperativados ou informais; produtores, viabilizadores e fruidores. E segundo perspectivas temporais que vão do curto ao longo prazo.
Neste site o leitor encontrará artigos que ajudarão a dar contornos mais eficazes e reflexões melhor elaboradas que ajudarão e entender a GESTÃO CULTURAL e a defesa do PATRIMÔNIO CULTURAL MATERIAL E IMATERIAL
Pressupõe procedimentos administrativos e operacionais, mas não se resume a estes.
Pressupõe a gerência de processos no campo da Cultura e da Arte, mas lhes vai além.
Para melhor conceituarmos o campo da Gestão Cultural, podemos articulá-lo à idéia de mediação de processos de produção material e imaterial de bens culturais e de mediação de agentes sociais os mais diversos. Mediação que busca estimular os processos de criação e de fruição de bens culturais, assim como estimular as práticas de coesão social e de sociabilidade.
A GESTÃO CULTURAL articula ao menos três campos conceituais: Cultura, Economia e Urbanismo. Cultura entendida como expressões humanas das nossas necessidades simbólicas (materiais e imateriais) e de nossos desejos. Economia no seu sentido clássico: sistema de produção e troca de bens, de maneira a que todos tenham acesso à produção e usufruto do que é produzido pelo trabalho humano. Urbanismo enquanto ciência afeta às relações do homem com seus locais de práticas culturais, e –portanto- um campo de estudo articulado à História, à Sociologia e à Antropologia. Produção, recepção e percepção dos espaços e das relações que neles se dão; ou seja, enquanto estudos capazes de reforçar a sociabilidade e os elos de coesão humana. Entendendo a produção dos lugares tanto em sua dimensão física quanto simbólica.
O propósito é, de fato, conceituar o campo da gestão cultural com todos esses contornos amplos ou mesmo sem contornos precisos, pois é um campo de ação que envolve fatos humanos conscientes e inconscientes. O gestor da cultura é alguém que estabelece com seu objeto e com os sujeitos nele envolvidos relações de compartilhamento de gestão e de responsabilidades, e os entende como processos –dinâmicos, ambíguos e sujeitos a significações diversas.
Como operar neste campo de modo sistêmico? Simples... Entendendo que as realidades culturais –e todas são- precisam ser diagnosticadas segundo “escutas” precisas e desprendidas de idéias pré-concebidas. Entendendo que a realidade nos fornece a possibilidade que precisamos para ver e aprender com ela, sendo justamente este espaço de mediação que a torna concreta, conquanto possamos abrir devidamente olhos e ouvidos. Sentir potenciais, responder anseios e mesmo ampliá-los, reconhecer diferentes e particularizados modos de agir e de sentir. Planejar segundo os fazeres e os quereres que os diversos indivíduos e grupos deixam aflorar de seus cotidianos.
Buscando ser mais objetivo, pode-se dizer que a GESTÃO CULTURAL articula planejamento, operacionalização e mediação. Planejamento de eventos, de programas, de ações, de processos e de políticas em cultura. Operacionalização técnica, financeira, física e humana. Mediação de agentes diversos: governamentais, não-governamentais e comunitários; empresariais, cooperativados ou informais; produtores, viabilizadores e fruidores. E segundo perspectivas temporais que vão do curto ao longo prazo.
Neste site o leitor encontrará artigos que ajudarão a dar contornos mais eficazes e reflexões melhor elaboradas que ajudarão e entender a GESTÃO CULTURAL e a defesa do PATRIMÔNIO CULTURAL MATERIAL E IMATERIAL
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Nomadismo: uma reflexão sobre a figura do malandro
Em seu texto "Entre o
passado e o futuro" a filosofa alemã, ARENDT (1972, p.41). afirmava
"Meu pressuposto é que o pensamento emerge de incidentes da experiência
viva e a eles deve permanecer ligado, já que são os únicos marcos por onde pode
obter orientação." É um desses pequenos fragmentos da vida que este texto
pretende colocar em discussão: a figura do Malandro e o papel que ele
representa no imaginário brasileiro, em especial nas grandes metrópoles.
Destes elementos extraídos de
nossas experiências temos que destacar também o papel dos símbolos que possuem o sentido que os homens vão
redescobrindo, sendo desvelados pela crítica e pela manifestação intelectual
humana. RICOEUR (1978) argumenta que toda estrutura de significação tem um
sentido direto, primeiro, literal que designa, e por acréscimo, outro sentido indireto,
secundário, figurado, que só pode ser aprendido através do primeiro.
O imaginário brasileiro esta permeado desses
dois símbolos tradicionais - o trabalhador “Mané”, “Caxias” e o contra ponto o
Malandro, o “esperto”. Tantas vezes retratado, nas peças culturais populares, na
música, na poesia, no teatro, na literatura, cinema e diversas outras
manifestações sociais da memória coletiva, inclusive nas religiões de matriz
afrodescendentes.
Percorrendo os muitos caminhos
traçados pelo malandro na memória do povo brasileiro, principalmente no
imaginário daqueles trabalhadores de
origem humilde e desfavorecidos socialmente, vamos encontra-lo como descrito, poeticamente, por Zé Keti na sua música “Diz que fui por ai”:
“em qualquer esquina eu paro, em qualquer botequim eu entro, e seu houver
motivo é mais um samba que faço...”.
Nos ritos africanos vamos
encontra-lo na figura do seu “Zé”, de muitos nomes: Zé Pelintra, Zé
Malandrinho, Seu Malandro, Malandro das Almas, Zé da Brilhantina, Malandro da
Madrugada, Zé Malandro, Zé Pretinho, Zé da Navalha, Zé do Morro, Malandro
Miguel, Malandro da Noite, e tantos outros. Apresenta-se também nas representações
femininas da malandragem - Maria Navalha
é uma delas. Manifesta-se com características semelhantes aos malandros, dança,
samba, bebe e fuma da mesma maneira. Apesar do aspecto forte e decidido,
demonstram sempre muita feminilidade, são vaidosas, gostam de presentes
bonitos, de flores principalmente vermelhas. Segundo a crença popular, recebeu
a missão de voltar na terra para defendendo as mulheres que são traídas e mal
amadas.
Examinando as cantigas, de
tradição oral, entoada para estas entidades para a sua manifestação vemos como
recorrentes as expressões de aversão ao trabalho “Trabalhar, trabalhar para
quê? Se eu trabalhar eu vou morrer” - como neste “ponto” de Zé Pelintra. O uso
de armas brancas: punhal, navalha, faca e o uso de golpes de capoeira, a bebida
em excesso e a noite como substituta do dia, a rua em contraposição ao lar,
todos elementos de profundo significado sociológicos.
Um
tipo boêmio, errante, avesso as regras estabelecidas, amigo dos amigos,
implacável com os desafetos, sempre disposto a cometer pequenos delitos para
ganhar a vida em mais um dia que passa. Para o malandro não existe futuro, vive
o seu cotidiano como se fosse tudo que possuísse. Não que não se vanglorie
de um que outro feito do passado, de um
otário vencido ou de uma mulher conquistada. Aliás, a vida romântica para
ele é tão sem regras como seu código de
conduta, bebe, chora, perdoa, mata e morre por seus amores.
Apresenta uma vestimenta
particular, terno branco, camisa listrada, sapato de duas cores, chapéu e às
vezes um canivete no cinto e uma navalha no bolso.
O antropólogo DaMatta (1981)
coloca os tipos do malandro e do caxias (em alusão ao patrono do exercito
brasileiro) em um continuum que vai da ordem a desordem ainda que com diversos
matizes coloridos que vão se estabelecendo em uma complexidade que vai do mundo
do carnaval a malandros e heróis. Em outra obra sua Da Matta (1997) assinala as
diferenças entre a casa e a rua como espaços muito além dos físicos, conceitos
muito mais amplos e repletos de significados. Afirma que o conjunto de valores de um indivíduo varia
radicalmente conforme o contexto em que ele se encontra: no ambiente de sua
casa, o indivíduo tende se mais conservador, estático, comedido. Na rua, por
outro lado, aceita que todos devem ser tratados de forma igual, de modo a
manter a ordem que teme não existir na rua.
O contraste entre os dois conceitos é claro: a
casa é o espaço da família, do diálogo, da afetividade. A rua é o espaço da
impessoalidade, do isolamento. A casa é o espaço da ordem enquanto a rua o
reino da liberdade. A casa, sobretudo, fala de relações harmoniosas e quando
“somos postos para fora de casa”, acabamos por relacionar a rua como expulsos
para o mundo - regidos por regras e leis impessoais que estamos submetidos a
cumprir. A rua e seus espaços são lugares do anonimato, da “consequência dos
seus atos” e por isso, tendemos a relacioná-la a um espaço de risco.
Claro, temos casos muito onde a casa invade a rua e
vice-versa. Onde a ordem é substituída por outras lógicas como é o caso do Carnaval, no Bumba Meu Boi,
dos Festejos Juninos e tantas outras festas populares, onde o coletivo e o
privado fazem trocas e formam novos comportamentos e atitudes.
MAFFESOLI (2001) vai contribui
para a discussão da articulação da figura do malandro, do vagabundo, do errante
ao contrapô-los a referência do homem fixo, preso a um determinado espaço. No contraditório nomadismo—sedentarismo se expressa um paroxísmo,
ganhando a forma de uma espécie de "enraizamento dinâmico". É um sinal
do sentimento trágico da existência: nada se finda numa superação sintética,
tudo transcorre em tensão, na incompletude permanente. E segundo esse autor, "ainda será preciso que os dois polos
dessa ambivalência possam se articular harmoniosamente". Tendo se tornado
preponderante na modernidade, o sedentarismo, a territorialização individual
(identidade) ou social (instituição) estariam dando lugar ao nomadismo e à
errância. A pós-modernidade se caracterizaria assim, entre outras coisas, pela mobilidade
e pelo nomadismo. Maffesoli acredita que a errância e o nomadismo, sob diversas
variações, tornam-se um fato cada vez mais evidente e semeiam os elementos da
contradição que farão nascer o novo, o inesperado e o coletivo.
E o nosso malandro? Errante, avesso
a ordem, libertário, representação de muitos anseios humanos, não é esse
profeta que anuncia uma nova era, de novos valores? Não é na rua que pulsa a vida, que se
manifesta a contradição e tenciona a construção de uma nova síntese?
HIRÃ SOARES JUSTO
REFERENCIAS
DAMATTA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia de dilema
brasileiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.
DAMATTA, Roberto. A casa e a rua: Espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil. Rio de
Janeiro: Rocco, 1997.
HANNAH, Arendt. Entre
o passado e o futuro. São Paulo: Editora Perspectiva, 1972.
MAFFESOLI, Michel. Sobre o Nomadismo: vagabundagens pós-modernas, Rio de Janeiro,Record, 2001.
RICOEUR, Paul. - O conflito das interpretações. 1978. Ed. Imago. Rio de Janeiro.
XANGO,
C. Malandros. Acesso em 30 de 10 de
2012, disponível no blog da Casa de Caridade Pai Joaquim de Angola: http://casadecaridadepaiserafim.blogspot.com.br/2008/10/malandros-nesta-apostila-vamos-falar-de.html
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
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