terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Exposição de Cai Guo-Qiang exibe desenhos em pólvora inspirados no carnaval


Nahima Maciel
Os painéis que serão expostos no CCBB foram queimados em 40 segundos: 24 horas de elaboração do desenho
Os chineses inventaram a pólvora e, Cai Guo-Qiang inventou, para ela, uma utilidade carregada de significados metafóricos, lúdicos e abstratos. A guerra não entra no trabalho de Guo-Qiang. Sua pólvora exalta a intensidade de uma cultura e a delicadeza de um olhar. Ao longo das últimas duas semanas, o artista transformou o pavilhão aberto do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em ateliê para fazer os desenhos com pólvora. Todas as tardes, Guo-Qiang traçou formas que lembram o carnaval brasileiro antes de acender o pavio para uma plateia curiosa. O momento da explosão durou apenas 40 segundos, quase nada para as 24 horas de preparação exigidas pelo desenho. 

As obras fazem parte da exposição Da Vincis do povo, que abre nesta terça-feira (5/2) para o público no CCBB e faz um panorama da produção recente de Guo-Qiang, um dos artistas de maior destaque no cenário chinês contemporâneo. Além dos desenhos, a exposição conta com uma série de objetos encomendados pelo artista a camponeses chineses. São engenhocas construídas por inventores amadores para realizarem sonhos malucos. Tem avião, barco e carro, tudo montado com materiais reciclados e restos descartáveis da indústria do consumo. É uma maneira de falar do povo chinês, do improviso necessário à vida contemporânea e da criatividade imposta pela falta de certos bens em situações cotidianas. São temas nos quais o curador Marcello Dantas enxerga uma proximidade entre China e Brasil.

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