domingo, 7 de outubro de 2012

Artistas recriam seus lares para receber mostras de arte


 REGIANE TEIXEIRA
O escultor Luciano CortaRuas, 37, em seu apartamento no centro

As esculturas em ferro no corredor que antecede o apartamento do gaúcho Luciano CortaRuas, 37, indicam que aquela é uma casa diferente.
Desde novembro passado, ele alugou dois imóveis no mesmo andar de um prédio comercial da avenida São João, na região central. O conjunto deu origem ao Estúdio Lâmina, uma galeria de arte que lhe serve como residência.
O escultor conta que já havia experimentado um esquema semelhante com um grupo de artistas em Perdizes, na zona oeste. No novo ponto, os visitantes devem agendar o passeio e são recebidos por ele ou por outros dois artistas que decidiram se avizinhar em apartamentos no mesmo edifício.

Maria do Carmo/Folhapress

O escultor Luciano CortaRuas, 37, em seu apartamento no centro
A visita começa na sala e passa pelo quarto do escultor, onde há uma máquina de escrever pendurada na parede. Trata-se de uma instalação da niteroiense Lua Wagner.
Na parede oposta, o sofá fica debaixo de uma seleção de retratos produzidos pela paranaense Katyussa Veiga na Bolívia. Na janela, a obra “Paisagem Sonora”, do paulistano Pedro Palhares, feita com um cano de PVC, permite ouvir sons da cidade amplificados.
O trabalho foi apresentado em Porto Alegre durante a Bienal do Mercosul, em 2011.
Da área íntima, a visita segue para uma sala transformada em galeria, com vídeos, desenhos e instalações. Ao fundo, fica um quarto de hóspedes, ocupado por artistas que passam até quatro meses produzindo ali. A estadia sempre é finalizada com uma exposição. “Gosto de morar com outras pessoas”, conta Luciano. Ele afirma já ter recebido, além de amigos, cerca de 150 visitantes desde julho. No dia 13, o Lâmina realiza um leilão de obras com preços a partir de R$ 200.
INTIMIDADE
A possibilidade de ter um lugar maior para trabalhar e para receber amigos e desconhecidos também foi o que motivou a jornalista Néli Pereira, 33, e o fotógrafo Renato Larini, 42, a mudar de um sobrado em Pinheiros, na zona oeste, para um galpão na Bela Vista, região central. Desde o dia 1º de setembro, o casal abriu mão da privacidade para inaugurar o Espaço Zebra, que pretende ser uma galeria voltada para mostras de arte conceitual, fotografia e vídeo. O único ambiente privado é o quarto.
O espaço funciona com agendamento e, aos sábados, abre às 19h para quem quiser tomar cerveja e provar petiscos. “É um outro jeito de morar, em constante mudança”, diz Néli.
Quem sabe bem dos prazeres e dos “poréns” de viver em um lugar aberto ao público é a capixaba Adriana Xiclet, 43. Há 12 anos, ela decidiu montar a exposição de uma amiga em sua casa. “Era uma pessoa que sempre teve um trabalho maravilhoso, mas que as galerias nunca paravam para ver. Resolvemos fazer a exposição e vendemos 9 dos 15 trabalhos”, conta.
O sucesso motivou Adriana a tornar-se galerista e deu início a Casa da Xiclet, que hoje recebe exposições mensalmente. “Quem vem aqui fica horas, e tem gente até que compra cerveja e coloca na geladeira. O único problema é quando tentam vir em dias ou horários em que estou de folga”, conta Xiclet.
A partir do dia 19, o público pode conferir na casa a exposição coletiva “Não Seja Bienal, Não Seja Marginal”.
Fonte:  http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=1702804052777994944#editor/target=post;postID=1103764973777353104 acesso em 07/12/12.
Imagens: créditos Maria do Carmo/Folhapress

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